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13 Janeiro 2017

Os cristãos reconheceram em Jesus o servo misterioso do livro de Isaías. E o Batista reconheceu nele, primeiro, o Cordeiro de Deus e, depois, o Filho de Deus: «É ele, o Filho de Deus.» Detenhamo-nos nas palavras: «É ele!» Ao iniciar esta semana de oração pela unidade dos cristãos, lembremos: tudo o que converge para a unidade dos crentes «É ele!».

A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 2º Domingo do Tempo Comum, do Ciclo A. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas

1ª leitura: “Eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra” (Isaías 49,3.5-6)

Salmo: Sl.39(40) - R/ Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade.

2ª leitura: “Para vós, graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 1,1-3)

Evangelho: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo» (João 1,29-34)


O filho e o escravo

Do que nos fala a primeira leitura? Quem é o servo em questão? Primeiro, o texto diz que é Israel. Depois, o servo torna-se o próprio profeta. E fica por aí? Quando lemos «Eu te farei luz das nações para que minha salvação chegue até os confins da terra», parece que, além do profeta, perfila-se uma outra FIGURA: a do Messias. Estas expressões, aliás, são reutilizadas nos Evangelhos para falar do Cristo, a começar por Lucas 2,32.

Assim se vai encaminhando o cumprimento das Escrituras, através de sucessivas figuras que se encaixam, retomando cada uma a precedente e levando-a a um grau superior. Jesus, por fim, é quem será o servo por excelência. Irá recapitular todo o Israel e o auge de seu momento profético, mas num excedente intransponível. A palavra foi deixada para o final do evangelho: Filho de Deus.

Na Bíblia, o filho e o servo são personagens opostas, como se pode ver em Gálatas 4,1-7. Eis que, agora, ficamos sabendo que as duas personagens coincidem e que só se pode ser Filho, imagem do Pai, fazendo-se servo. A palavra «servo» não está no evangelho, mas sim a palavra «cordeiro», que remete a Isaías 53,7, descrevendo a figura e a função do servo de Deus. E em que consiste ser servo? Palavra praticamente desaparecida do nosso vocabulário?

O Cordeiro Servo

Não ouso pedir para que leiam Isaías 52,13-15 e 53,1-12. Veriam aí que o Servo, no versículo 7 comparado a um cordeiro, como foi dito, leva sobre si o pecado do mundo, os erros da multidão, assunto retomado neste evangelho. Mas o que representa o cordeiro? Figura um tanto desconcertante, e até mesmo irritante, quando deriva para a afetação?

Para bem compreender, perguntemo-nos primeiro em que consiste o pecado do mundo. Esta palavra designa toda forma de violência, que tem como cume o homicídio. Lembremos que a violência homicida pode ser praticada em todos os domínios: social, econômico, sexual...…

Cada vez que um ser humano é reduzido ao estado de objeto, de lucro ou de prazer, estamos na linha do homicídio: o homem reduzido totalmente ao estado de objeto é exatamente o cadáver. O mesmo que o cordeiro, diante dos predadores de todo tipo; um animal que se tosquia que se abate e se devora. O Cristo-cordeiro carrega, padece e vence o pecado do mundo, porque se pôs à mercê de todos os predadores.

Por isso, inconscientemente, nós o desejamos. Preferiríamos que superasse a violência por um acréscimo de violência, empreendimento, aliás, insensato, uma vez que só poderia redobrar a violência. Para não mais ficarmos chocados com o escândalo da cruz, é preciso que, primeiro, tomemos consciência da nossa própria violência, a fim de repudiá-la. A isto, chamamos de «conversão».

A vitória do Cordeiro

Este Cordeiro que devoramos, eis que se torna para nós não um veneno mortal, mas alimento para uma vida eterna. Isto, precisamente, é o que significa a Eucaristia. Em Apocalipse 5,1-14, lemos que somente o Cordeiro que foi abatido (por nós) é digno de romper os selos do Livro e de decifrá-lo. Que Livro é este? A sequência do texto nos traz seu conteúdo: trata-se das catástrofes que atingem a humanidade.

O Livro da história humana, das nossas alegrias e das nossas lágrimas, dos nossos conflitos e reconciliações. Através disto, que, à primeira vista, parece ser um absurdo, totalmente privado de sentido, é que se vive a história de Deus com os homens; esta história de que a Bíblia é o testemunho.

Daí que tudo encontra um sentido, uma direção; tudo se encaminha para um termo. E este termo é o dom do Espírito de Deus, feito aos homens; este Espírito que nos torna conformes ao Filho. No evangelho, vemos que o Espírito desce até o Cristo e permanece sobre ele. Mas já não estava ali?

Claro que sim, porém devíamos saber que esta vinda do Espírito é permanente e reproduz-se a cada instante. É um acontecimento sempre antigo e sempre novo, tendo em vista as situações novas. Jesus, agora, vai assumir seu enfrentamento aos poderes das trevas, representado na cena das tentações (ausente em João). Na hora das trevas é que a luz se levantará e que o Espírito será emitido.

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