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04 Novembro 2016

Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, e Jesus começou a ensiná-los:

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os aflitos, porque serão consolados.

Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia.

Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.

Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu.

Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim.

Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês».

Leitura do Evangelho segundo Mateus 5, 1-12 (Correspondente à Festa de Todos os Santos, ciclo C do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

Uma felicidade possível

A narrativa que hoje nos é oferecida nesta Festa de Todos os Santos/as é uma cena muito descritiva. Relata que logo ao ver as multidões Jesus sobe à montanha e senta-se.

Muitas pessoas que têm interesse em escutar suas palavras aproximam-se dele, e Jesus “começou a ensina-lhes”.

Jesus ensina sentado, assumindo, assim, a posição típica do mestre na cultura hebraica. Assim podemos imaginar um grupo de pessoas, que são seus/suas discípulos/as, sentados ao redor de Jesus para ouvir seus ensinamentos.

Quem são estas pessoas que formam essa multidão? No capítulo anterior disse que: “Doentes atingidos por diversos males e tormentos: endemoninhados, epilépticos e paralíticos, numerosas multidões da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e do outro lado do rio Jordão começaram a seguir Jesus" (Mt 4, 24-25).

É um grupo de pessoas que buscam ser libertadas de suas enfermidades. Uma procissão de doentes, pessoas pouco importantes para a sociedade e algumas até rejeitadas por causa de suas doenças.

Esse grupo de pessoas não fazia parte do grupo dos religiosos da época. Mas para Jesus são o povo de Deus, os preferidos, os pequenos para este mundo.

Jesus oferece-lhes: a possibilidade de formarem um novo Povo de Deus, um povo que se esforce por construir um mundo melhor! Para este grupo de pessoas ele proclama o estatuto de Reino de Deus.

Lembremos que Moisés, em cima de um monte, recebeu de Deus os Dez mandamentos (Ex 20,1-17). Há similitude entre os dois textos, mas também uma grande diferença.

No livro do Êxodo narra-se que o povo não podia subir ao monte, somente ficar na falda da montanha. Aqui se apresentava uma situação que podia gerar medo, porém nas bem-aventuranças os discípulos sobem sem sequer serem convidados.

Deus é um Pai que está preocupado com as pessoas, especialmente os doentes, aqueles e aquelas que sofrem a opressão dos que têm o poder social, religioso, político.

Neste momento Jesus proclamará a novidade do Reino de Deus.

Em que consiste esta revelação que nos oferece Jesus?

Num primeiro momento o texto pode parecer uma grande contradição. Fala sobre pessoas que estão numa situação de aparente infelicidade com uma promessa assombrosa.

A felicidade é uma realidade buscada no dia a dia, não é uma situação estática. Referem-se à postura, comportamento pessoal, atitudes, condições de vida para viver assim a alegria de ser parte do Novo Povo de Deus.

A felicidade se procura, deve ser construída na vida pessoal e social. O Papa Francisco na sua viagem à Suécia diz que: “As bem-aventuranças são a carteira de identidade do cristão, que o identifica como seguidor de Jesus. Somos chamados a ser bem-aventurados, seguidores de Jesus, enfrentando os sofrimentos e angústias do nosso tempo com o espírito e o amor de Jesus”.

“Mas, se alguma coisa há que caracterize os Santos, é o fato de serem verdadeiramente felizes. Descobriram o segredo da felicidade autêntica, que mora no fundo da alma e tem a sua fonte no amor de Deus. Por isso, os Santos são chamados bem-aventurados. As Bem-aventuranças são o seu caminho rumo ao seu destino, rumo à pátria. As Bem-aventuranças são o caminho de vida que o Senhor nos indica, para podermos seguir os seus passos”.

Hoje é um dia especial para lembrar não somente todas aquelas pessoas que têm um amor especial, mas também para que nos ensinem o caminho a seguir.

Nas bem-aventuranças temos a chave para, com diferentes características, cada um e cada uma viverem nesta vida para serem felizes aqui e, ainda mais, no céu.

Eles não estão egoisticamente desfrutando essa alegria, pelo contrário, a capacidade de solidariedade com os pobres, os desvalidos e doentes deste mundo que os caracterizou no meio de nós, continua neles com dimensões inimagináveis.

Por isso eles e elas fazem parte de nossa caminhada nesta terra, oferecendo o sopro do Espírito que os levou a viver no meio de nós de uma forma original e inimaginável.

Como ser santo e alegre neste mundo triste? Como ser santo nos dias atuais, tão angustiantes e trágicos, eivados de problemas?

As Bem-Aventuranças – "Felizes os" – não são outra coisa que respostas ao Amor de Deus que, apossando-se de nossas vidas, introduz-nos em seu Reino.

Aceitar, permanecer, crescer e perseverar na construção deste Reino no mundo: eis o caminho a percorrer na rota da santidade!

À primeira vista, as atitudes de vida, propostas por Jesus não foram, em seu tempo, nem são, ainda hoje, valorizadas: como podem ser felizes os pobres, os sofredores, os perseguidos?

A resposta encontra-se na segunda parte de cada uma das oito sentenças enunciadas por Mateus que confluem, todas elas, para o mesmo ponto: a participação no Reino de Deus já agora, em germe e em esperança e, plena e perfeita, na eternidade, vivendo de sua Vida, usufruindo de seu Amor e gozando de sua Paz perpétua!

A festa de Todos os Santos mostra-nos esta pluralidade de expressões. Todas elas apresentam uma marca comum: a prática do mandamento único do amor.

Oração

Façamos memória de nossos mártires latino-americanos para que sua lembrança, como disse dom Pe. Casaldáliga, "não nos deixe dormir em paz".

Escrevo-lhes a todos vocês
que têm dado a vida pela Vida
ao longo e largo de Nossa América,
nas ruas e nas montanhas,
nas oficinas e nos campos
nas escolas e nas igrejas,
na noite ou à luz do sol.
Por vocês, sobretudo,
Nossa América é
o continente da morte com esperança".
Dom Pedro Casaldáliga.

Referências

BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos. São Paulo: Loyola, 1990.

CRB, NACIONAL. Que nossos olhos se abram. Uma leitura de Mateus em perspectiva do Tesouro. Brasília: CRB, 2011

SICRE, José Luis. O Quadrante I. São Paulo: Paulinas, 2000.

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