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07 Outubro 2016

Caminhando para Jerusalém, aconteceu que Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos foram ao encontro dele. Pararam de longe, e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”.

Ao vê-los, Jesus disse: «Vão apresentar-se aos sacerdotes.» Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Ao perceber que estava curado, um deles voltou atrás dando glória a Deus em alta voz. Jogou-se no chão, aos pés de Jesus, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?» E disse a ele: “Levante-se e vá. Sua fé o salvou.”

(Lucas 17, 11-19. Correspondente ao 28° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico).

Uma viagem da periferia à Capital

Jesus continua sua viagem para Jerusalém. Nessa caminhada ele vai da periferia à capital, o centro do judaísmo, onde estava o Templo: Jerusalém. Nesta peregrinação Jesus acolhe todas as pessoas que se apresentam no seu caminho.

Para Jesus não existem fronteiras; pelo contrário, sua viagem está além das fronteiras estabelecidas pelos povos, pelas diferentes raças e religiões.

Lucas apresenta Jesus como um peregrino para Jerusalém. O Evangelho narra que já no capítulo 9,51 Jesus “tomou a firme decisão de partir para Jerusalém”. A partir daqui, em diversas ocasiões, confirma sua missão de estar no caminho. Recordemos algum destes momentos narrados por Lucas sobre sua peregrinação: “em quanto caminhavam Jesus entrou num povoado” (10.38); “Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo no caminho para Jerusalém” (13,33); “chamou à parte os Doze, e disse: ‘Vejam: estamos subindo para Jerusalém, e vai se cumprir tudo o que foi escrito pelos profetas a respeito do Filho do Homem’ (18,31)”.

Nesta caminhada percorre Galileia e Samaria, chama novos discípulos, é recebido por Marta e sua irmã na sua casa, e ultrapassa continuamente os limites da religião, do povo, da raça.

No texto de hoje, neste caminho a Jerusalém, dez leprosos fazem ouvir seu grito a Jesus. Eles pedem-lhe que os cure.

Muitas enfermidades tornavam impura a pessoa que a padecia e por isso, em muitas situações, era excluída da vida social e religiosa. Esta rejeição mudava segundo sua gravidade. Caso fosse considerada com lepra deveria morar fora das cidades durante todo o tempo da sua doença até uma possível cura.

Hoje lemos que dez leprosos gritam para que Jesus os escute quando está a caminho. Era a única forma de comunicar-se com ele. Não podiam aproximar-se dele. Qualquer pessoa que os tocava ficava impura e como consequência não podia dirigir-se a Deus!

Por isso a comunicação com Jesus é pela voz. Eles acreditam nele e pedem-lhe que os cure. Sabiam do seu poder sanador que os libertaria da lepra e permitir-lhes-ia se reintegrar na vida social.

Podemos imaginar a dor de cada um de ser rejeitado, marginalizado, desprezado e sofrer no seu corpo a exclusão da sociedade. No livro do Levítico apresentam-se as prescrições sobre o procedimento social que lhe era imposto. As roupas que um leproso tinha que usar, o comportamento que lhe era exigido para proteger a comunidade dessa afecção que era uma enfermidade muito temida pela possibilidade do contágio: “Quem for declarado leproso, deverá andar com as roupas rasgadas e despenteado, com a barba coberta e gritando: «Impuro! Impuro!» Ficará impuro enquanto durar sua doença. Viverá separado e morará fora do acampamento” (Lv 13,45-46).

Quando aparecia, como neste caso, uma afecção na pele, o sacerdote era a pessoa que tinha autoridade para declarar uma pessoa pura ou impura. Jesus disse-lhes que se apresentem ao sacerdote para que ele os declare puros, ou seja lhes ofereça o “certificado” de saúde e sejam assim reintegrados na vida social.

Os leprosos acreditam nas palavras de Jesus e ficam curados. Nove deles estão mais preocupados por cumprir a Lei, segundo eles conheciam e receber o “certificado de pureza”, do que agradecer a Jesus e louvar Deus pela sua ação de libertação.

Por isso Jesus fica surpreendido que somente um deles “voltou atrás dando glória a Deus em alta voz”. E “jogou-se no chão, aos pés de Jesus, e lhe agradeceu”. E era “um samaritano”.

Como em outras oportunidades Lucas apresenta Jesus como alguém preocupado pela injustiça socioeconômica e religiosa. É um evangelho que também mostra a mulher em igualdade de condições sociais e religiosas.

Os que pertencem à religião judaica, pelo contrário, procuram seu certificado de saúde para ter certeza de estar curados e voltar assim a viver em sociedade. O samaritano é o único que consegue perceber a grandeza da mudança que a palavra de Jesus obrou nele e volta para agradecer-lhe. Acredita nele e, junto com isso, agradece e louva a Deus.

Neste momento podemos perguntar se temos a capacidade para perceber essa ação de Deus através da palavra de pessoas simples, aquelas e aqueles que estão ao nosso lado. Somos capazes de ouvir sua voz e levar adiante sua sugestão?

O Papa Francisco fala sobre a desigualdade social e convida-nos a lutar contra ela. Numa entrevista com Frei Betto “Francisco é o primeiro Papa que fala das causas da injustiça no mundo”, disse que “Na sua encíclica Laudato Si, [Francisco] aponta que a desigualdade vem de um sistema que tem o capital como prioridade, e não os direitos humanos. Disse que o problema ecológico não pode ser visto sem levar em conta o aspecto social, porque o desequilíbrio ambiental afeta, sobretudo, os mais pobres”.

Somos capazes de perceber o sofrimento provocado pela rejeição social de tantas pessoas ou já estamos acostumados a sua existência?
A Boa Notícia que Jesus traz é para todos e todas, sem importar sua origem. Prioriza os pobres e marginalizados para que sejam considerados pessoas, incorporados na vida do povo.

Não há nenhuma distinção entre judeus ou pagãos, porque o Pai é para todos e todas, sem fronteiras nem muros, sem lugares de preferência perto do Mestre...

Neste Ano Santo que celebramos a Misericórdia e o Amor de Deus, abramo-nos junto, com outros/as discípulos e discípulas de Jesus. Quebremos as fronteiras pré-estabelecidas que nos façam insensíveis às pessoas que pertencem a uma sociedade que os/as ignora.

Junto com São Francisco cuja memória memória celebramos nesta semana peçamos ao Senhor: "No século XIII, Deus disse à humanidade que éramos todos irmãos, especialmente por meio de um Francisco, e este nos ensinou a rezar, pedindo a paz como sinal dessa fraternidade. Agora, no século XXI, Deus volta a nos falar de fraternidade e cuidado da casa comum como reverência a toda a criação, por meio de outro Francisco, que nos ensina de novo a direcionar nossos desejos de paz. (Para ler a oração proposta pelo Francisco clique aqui): 

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Referências

KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindis, 1981.

MONLOUBOU, Louis. Leer y predicar el evangelio de Lucas. Santander: Sal Terrae, 1982.

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