Com autoridade sobre os mãos espíritos, mas não sobre os seres humanos

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10 Julho 2015

Enviando os seus apóstolos em missão, dois a dois, Jesus recomenda-lhes a maior sobriedade. A Boa Nova é anunciada sem nenhum prestígio nem glória.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 15º Domingo do Tempo de Páscoa, do Ciclo B. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: «O Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo’» (Amós 7,12-15)
Salmo: Sl 84(85) - R/ Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação nos concedei.
2ª leitura: «Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo» (Efésios 1,3-14 ou 3-10)
Evangelho: «Começou a enviá-los dois a dois» (Marcos 6,7-13)

A autoridade de Jesus sobre os maus espíritos

Jesus confere aos apóstolos autoridade sobre os espíritos impuros. Devemos confessar que a vontade que dá é de passar rápido sobre esta expressão. Ou pensamos que estes «maus espíritos» sejam uma personificação simbólica do mal que existe no homem, e, então, «expulsar os demônios» torna-se uma metáfora, ou pensamos serem eles seres pessoais, e perguntamo-nos por que seguem sempre aí, mesmo se o Cristo tenha «posto sob os seus pés toda Potestade e Dominação». Nos dois casos, se admitimos sermos os sucessores dos Doze e dos Setenta e Dois (Lucas 10,1-12), devemos reconhecer que os «maus espíritos» resistem a nós e que a humanidade, inclusive nós mesmos, permanecemos sendo atormentados pelos nossos demônios. A questão capital é esta: para que serve o cristianismo se ele não muda nada no mundo? Ou então: se o Cristo nos libertou, por que continuamos a ser sempre atormentados pelo mal?

A vitória pascal

Este é o nosso escândalo, o teste da nossa fé: Cristo supera o mal não o suprimindo, mas, se assim o quisermos, utilizando-se dele. Por ser a hora de Satã, a Paixão é também a hora do Cristo. Foi porque o pecado avultou que a graça superabundou. Na Cruz, o mal foi de qualquer forma mobilizado contra ele mesmo, uma vez que produziu o seu contrário: a libertação do mal pelo paroxismo do amor (não há maior amor do que dar a vida por quem se ama). Assim, pois, por termos de reviver sem cessar, por nossa própria conta, o gesto pascal de Cristo (“completo o que falta às tribulações de Cristo em minha carne pelo seu Corpo que é a Igreja”), os «demônios» estão sempre aí: o ódio, o desprezo, a exploração do outro, o uso dos outros, fazendo deles um objeto, etc. Sabemos que a vitória sobre o mal já está cumprida, mas seguimos esperando por ela. O Cristo já nos libertou, e, no entanto, nos diz para pedir sem essar: «livra-nos do mal». Já fomos, contudo, libertados, pois temos o poder de responder com amor a quem nos fere, mesmo que se trate do nosso próprio pecado. É aí que reside a nossa «autoridade sobre os maus espíritos».

Com as mãos nuas

O discípulo tem, assim, autoridade sobre os maus espíritos, no sentido que acaba de ser dito, mas não tem autoridade sobre os homens. Quando acolhido, entra em suas casas; quando recusado, vai-se embora. Para deixar aos homens esta liberdade, o discípulo apresenta-se com as mãos nuas: «que não levassem nada para o caminho». Paulo dirá que não se apresenta nem com o prestígio da sabedoria nem com o prestígio da eloquência, mas somente com a fraqueza do Cristo crucificado (1 Coríntios 1,17...). Esta pobreza do mensageiro do Evangelho funciona, no entanto, como um apelo: a pessoa a quem ele se dirige é posta em situação de lhe oferecer abrigo e proteção, nem que seja apenas um copo d’água. Por isso, a comunidade da caridade constitui-se desde aí. Pelo modo mesmo com o qual o apóstolo se apresenta, o destinatário da mensagem é levado já a viver o Evangelho da caridade. Um dia, ouvirá lhe ser dito: «A mim o fizeste». Como viver isto hoje? Do lado do mensageiro, renunciando a qualquer pretensão, a qualquer coisa que possa condicionar os homens; em resumo, vivendo antes de tudo o respeito. E, do lado do destinatário da mensagem, ceitando, ao invés de criticar, a pobreza do mensageiro: as suas lacunas intelectuais, culturais, humanas, e até mesmo morais.

Converter-se 

Na versão de Marcos, a mensagem é reduzida à sua expressão mais simples: converter-se. Mas pode-se perguntar se esta conversão não consiste em imitar os apóstolos. O que fazem eles? Expulsam os demônios e curam. Estes dois termos podem ganhar uma amplidão considerável. Quanto aos demônios, já vimos. Quanto às curas, é preciso entender o alívio que trazem aos homens em suas aflições, inclusive físicas. O quadro grandioso da conversão é aquele descrito na segunda leitura: a Nova Aliança que conquista o universo inteiro na comunhão da caridade de Cristo.

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