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09 Novembro 2013

No momento em que o ano litúrgico chega ao fim, também os evangelhos nos falam sobre o nosso fim e sobre os derradeiros fins. Hoje, a Boa Nova é a Ressurreição: somos destinados à vida.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 32º Domingo do Tempo Comum (10 de novembro de 2013). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Referências bíblicas:
1a leitura: 2 Macabeus 7,1-2.9-14
2a leitura: 2 Tessalonicenses 2,16 - 3, 1-5
Evangelho: Lucas 20, 27-38 ou 27,34-38

O coração e a pedra de tropeço da fé

A Ressurreição é o núcleo central da fé, como se tem repetido. Podemos crer em Deus, no valor dos ensinamentos de Jesus, na excelência da moral evangélica, mas, se não cremos que o Cristo ressuscitou e que somos destinados a compartilhar de sua vida indestrutível, "vã é a nossa pregação, vã é a nossa fé...". A fé na Ressurreição torna-se ainda mais difícil se, ao invés de nos contentarmos em afirmá-la, damos asas à imaginação e nos fazemos representar o corpo ressuscitado e a vida nos “novos céus e novas terras". É o que fazem os saduceus, braço sacerdotal proveniente do Grande Sacerdote Sadoc. A mesma questão foi posta ainda pelos destinatários da primeira Carta aos Coríntios: "Como ressuscitam os mortos? Com que corpo eles voltam?" Paulo se esforça para orientá-los com a noção de "corpo espiritual" (1 Cor 15,35-49), o que nos deixa diante de um enigma, mas vai de encontro à resposta de Jesus no evangelho. Não podemos nos representar o universo da Ressurreição conforme a imagem do nosso universo atual. Esta é, no entanto, uma questão que inquieta a muitos cristãos, inseguros quanto ao destino futuro das relações vividas hoje. O que podemos dizer é que tudo o que é amor em nossas vidas nos faz avançar os limites que temos para conhecer esta realização: não há na Vida de Deus amor que seja menor do que o que experimentamos em nossa vida "terrestre". Ao contrário, o nosso amor atual transfere-se ao infinito.

Relações conjugais e mortalidade

Muito antes de Jesus, a humanidade já pressentia que as relações conjugais, em particular a sexualidade, têm ligação com a mortalidade, fazem parte do mesmo processo. A união dos casais contém a vontade de existir no outro e pelo outro; é como uma tentativa de salvação e, também, de travessia da morte. Não por acaso, o orgasmo sexual é às vezes chamado de "pequena morte". A vinda de uma criança materializa a nossa sobrevida numa outra pessoa. É o nosso prolongamento. Por isso é tão freqüente na Bíblia a preocupação com a descendência. Vem daí a lei do Levirato evocada no evangelho: um homem deve esposar a viúva do seu irmão que tenha morrido sem filhos, a fim de prover-lhe a descendência. Deixemos de lado todas as reflexões que esta lei pode sugerir, quer sobre a forte unidade que a Bíblia atribui aos laços fraternos quer sobre a idéia da feminilidade que ela se faz e que está longe de ser negativa. A resposta de Jesus aos saduceus inscreve-se nesta perspectiva: se as relações conjugais, a sexualidade e a procriação são remédios para a morte, elas não têm mais razão de ser no universo da Ressurreição que é o universo da morte atravessada e ultrapassada. Para esconjurar a inquietação que as palavras de Jesus podem provocar, devemos repetir que a forma hoje assumida por nossas relações familiares é que está ultrapassada, uma vez que o modo pelo qual as vivemos é tributário da morte a se esconjurar. Na vida de Deus, estas relações, longe de serem destruídas, encontram a sua verdade, mas "o que seremos ainda não se manifestou."

O Deus dos vivos

Se o episódio dos saduceus atravessa a questão do sentido de nossa sexualidade, sua ponta extrema é a imagem que fazemos de Deus: "Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele".  Está tudo escrito no presente, devemos notar; o que sugere que o universo da Ressurreição não se situa "após" a nossa vida tal como a conhecemos, mas, de alguma forma, "por sobre". Conforme se queira, a Ressurreição, a "vida eterna" é uma dimensão das nossas existências no presente. "A vida eterna, diz Jesus, é que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste" (João 17,3). Tudo se conjuga: viver da Ressurreição é conhecer a Deus e conhecer a Deus é reconhecer que Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, o Deus da Ressurreição permanente, no presente. Esta é a face escondida das nossas existências. Compreende-se então que é absurdo desprezar "a vida terrestre" em proveito de uma "vida celeste". Atendo-nos a esta linguagem, devemos dizer que a nossa vida terrestre é já celeste. O que está adiado, como diz a primeira Carta de João (3,1-2), é a manifestação da nossa condição de filhos de Deus. Notemos que, para falar da nossa condição de ressuscitados, Jesus, no evangelho, emprega as expressões "filhos de Deus, herdeiros da Ressurreição" (versículo 36). O Batismo significa tudo isto.

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