Pedir incansavelmente

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Estudantes, trabalhadores e sonhadores. Quem eram os jovens que morreram após ação da PM em baile funk

    LER MAIS
  • Não posso me calar

    LER MAIS
  • O fim do indivíduo. Viagem de um filósofo à terra da inteligência artificial

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

18 Outubro 2013

Quem, pois, está a caminho do Reino? Os que sabem dar graças (domingo passado), mas também os que sabem pedir sem se desencorajarem e acreditam que Deus não resiste aos seus filhos que rezam a Ele dia e noite!

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 29º Domingo do Tempo Comum (20 de outubro de 2013). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Referências bíblicas:
1ª leitura:  Êxodo 17,8-13
2ª leitura: 2 Timóteo 3,14-4,2
Evangelho:  Lucas 18,1-8

O silêncio de Deus

Jesus recorreu a esta parábola exatamente porque temos aí um problema: o do aparente silêncio de Deus perante as nossas súplicas. As Escrituras, porém, estão cheias de convites para que apresentemos a Deus as nossas necessidades e preocupações e da afirmação de que somos ouvidos. Basta lembrar Lucas 11,9: "Eu vos digo: pedi e vos será dado; buscai e achareis, batei e vos será aberto..." Mais ainda Mateus 6,7, onde se lê: "Nas vossas orações não useis vãs repetições, como os gentios, porque imaginam que é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos (...) vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes." E o Pai não dá uma pedra ao filho que lhe pede pão. Podemos ficar perplexos diante de tantos textos aparentemente contraditórios. Além disso, temos também a nossa experiência: quantas orações parecem ficar sem resposta!  É que, dirão os dotados de espírito mais bondoso, não rezamos com fé suficiente. E vamos por isso nos flagelar, buscando experimentar sentimentos de fé... Quando a fé não pode ser fabricada, mas apenas recebida. Permanece sendo verdade que a fé não consiste apenas em crermos que Deus nos irá responder, mas, também, que ele já nos respondeu: "Tudo quanto suplicardes e pedirdes, crede que já o recebestes, e assim será para vós." (Marcos 11,24). O mínimo que, no entanto, pode ser dito é que isto, na maior parte do tempo, não se vê.

A parábola

Sobre este pano de fundo, vamos ler novamente a parábola. Está construída sobre um contraste, sobre a oposição infinita que há entre o bom e o mau, entre um juiz sem moralidade alguma e Deus. A quem Deus se assemelha? Por certo que não a este juiz. Ambos, no entanto, apresentam pontos em comum: o poder de decidir e o pedido insistente dirigido aos dois. Intervém então aí um "a fortiori": se um juiz que não ama ninguém e que só procura a sua tranqüilidade acaba por satisfazer à viúva importuna, por uma razão muito mais forte irá Deus ouvir o pedido de todos os que ele ama e que são os "seus eleitos". Por que motivo falar de uma viúva? Porque na Bíblia, assim como o órfão, a viúva é a figura da impotência: não conta com ninguém para defendê-la, neste universo patriarcal. Podes ser o mais fraco que é possível ser, desprovido de tudo, sem qualquer referência nem mérito algum, pois assim mesmo Deus te escuta; é ao pobre que Deus escuta, com prioridade. E, exatamente por isso, devemos tomar consciência da nossa pobreza; da nudez do homem e da mulher, Adão e Eva, diante de Deus. Nudez de todo nascimento. A parábola insiste em nos dizer que Deus não se faz esperar; responde imediatamente ou, como se lê em Marcos, já nos respondeu. Como observamos no início deste comentário, isto não nos salta aos olhos. Podemos, por certo, escolher acreditar, mesmo quando se faz noite, mas isto não nos impede de nos interrogarmos sobre o modo pelo qual Deus nos responde.

A resposta de Deus

A última frase é que nos deve esclarecer: "O Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?" A resposta de Deus é sempre uma nova vinda do Cristo em nossas vidas. A expressão "fazer justiça" nos deve alertar. De fato, quem virá "fazer justiça" quando os tempos estiverem cumpridos? Estamos habituados a afastar esta "vinda na glória" a um futuro indeterminado. De minha parte, penso que ela se dá no limite do tempo, quer dizer, nesta verticalidade que ultrapassa cada um dos nossos instantes e que é a eternidade. Assim sendo, a intervenção de Deus é imediata e permanente. Agora e na hora da nossa morte, cada um dos nossos instantes faz morrer, enfim, o instante que o precede. Procurai Deus e o encontrareis: ele já está aí e é a nossa fé que o encontra. As coisas seguem o seu curso, com certeza, mas isto que é visível se duplica, apresentando uma face escondida. Conforme o que é visível, a oração de Jesus no Getsêmani permaneceu sem resposta e o cálice mortal não se afastaria dele: sua crucifixão estava inscrita na Bíblia porque inscrita na vontade dos homens. Assim, a vinda de Deus para nos trazer de volta a justiça, para nos trazer de volta a justiça que perdemos, reveste-se sempre da forma pascal. Exatamente por isso, "gritamos por ele dia e noite". À noite, a ausência aparente e as injustiças que temos que suportar; à luz do dia, a certeza da ressurreição.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Pedir incansavelmente - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV