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15 Março 2013

Revelou-se paciência (no 3º domingo), misericórdia (no 4º domingo) e, hoje, revela-se como quem adora perdoar. À mulher adúltera, Jesus manifesta o perdão d’Aquele que, a cada dia, faz um mundo novo.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 5º Domingo de Quaresma. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:

1ª leitura: Is 43,16-21
2ª leitura:
Fil 3,8-15
Evangelho:
Jo 8,1-11

 

Este processo contra a mulher adúltera é um pretexto apenas para os fariseus iniciarem o processo contra Jesus.

O processo

Os fariseus querem dar andamento a um duplo processo. Primeiro, contra Jesus: recusando a lapidação, entrará em contradição com a Lei de Moisés; pronunciando-se favorável à morte daquela mulher, estará em contradição com tudo o que ensinou e praticou. Este processo contra Jesus passa por outro, contra a mulher que foi levada até ao templo para ali ser julgada. Os fariseus, no fundo, estão pressentindo que Jesus está prestes a fazer uma nova Lei que viria substituir a de Moisés. A artimanha usada por eles visa a revelar isto, a trazer isto à luz do dia. A primeira leitura diz: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que farei um mundo novo e que já está surgindo: acaso não o reconheceis?” Ainda sob a primeira Aliança, foram várias as condenações e os casos de condução à morte, imputados em sua maioria a Deus e às suas ordens. Jesus, no entanto, jamais falou em punir com a morte. Quando muito, no limite, pode ter falado em separação da comunidade dos crentes. Isto é muito importante: fala-se hoje, com facilidade, numa relação direta entre religião e violência. No entanto, toda vez que os cristãos usaram de violência (cruzadas, inquisição, etc.), estavam em flagrante contradição com o seu Livro, o Evangelho que reivindicam como seu. O fato é que não estamos ainda totalmente evangelizados, mesmo que tenhamos renunciado a lapidações e outras sentenças de morte.

O terceiro processo

Uma mulher. O Evangelho sequer declina o seu nome. Ninguém fala com ela. Mesmo porque não é ela, de qualquer forma, a pessoa que conta; é apenas um instrumento da armadilha montada contra Jesus. Este se recusa, num primeiro momento, a ocupar-se dela. Não responde ao que perguntam os fariseus, pois sua pergunta esconde outra: “Acaso não estás prestes a modificar ou suprimir a Lei de Moisés?” Jesus, absolutamente, não responderá a esta pergunta silenciada. Mas irá, de qualquer forma, abrir um terceiro processo: contra os acusadores. “Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Os acusadores são convidados a julgarem-se a si mesmos. Pois, de fato, conforme as Escrituras, ninguém é totalmente inocente. Eles, então, deixam o tribunal. Convidados a imitá-los estão, portanto, todos os discípulos do Cristo, os cristãos de todos os séculos: “Não julgueis e não sereis julgados”. Jesus ficou sozinho com a mulher. Foi quando, pela primeira vez desde o início do relato, alguém dirigiu lhe a palavra, para significar a sua absolvição. E assim ela foi extraída de sua exclusão e reintegrada à família humana. Tomando consciência de sua própria injustiça, os acusadores renunciaram a condená-la. E o único justo da história absolveu-a, em razão de sua própria justiça que não é justiceira, mas justificante. E tudo termina com a palavra que foi dita várias vezes aos que foram curados: “Vai...” . Um novo futuro se abre diante de ti: levanta-te e anda.

O dedo que escreve

Jesus abaixa-se e põe-se a escrever com o dedo no chão. É comum passarmos depressa demais sobre este detalhe que vem, no entanto, assinalado duas vezes. Quando muito, pensa-se que com isto o evangelista quisesse dizer que Jesus demonstra desinteresse pela questão que lhe foi posta. Mas tem mais coisa aí. Para começar, o texto não diz que Jesus rabisca ou desenha, não. Ele escreve ou inscreve, conforme o sentido das duas palavras gregas que foram usadas. Escreve “com o dedo”. Ora, a expressão “escrever com o dedo” aparece apenas duas vezes na Bíblia. A primeira, em Êxodo 31,18 e Deuteronômio 9,10, quando o dedo de Deus escreve a Lei tida como de Moisés e pela qual a mulher adúltera deve ser apedrejada. A segunda está em Daniel 5,5, quando um dedo misterioso escreve no muro a condenação do rei Baltasar, pesado na balança da justiça e verificado leve demais. Uma legislação e uma condenação. Jesus, por sua vez, escreve com o dedo “sobre a terra” (o texto não fala nem de areia nem de solo, mas de “ge”, a terra). Em Mateus 9,6, Jesus diz que “o Filho do homem tem na terra autoridade de perdoar os pecados...” . Ele escreve uma nova lei para a terra dos homens, a Lei do amor e do perdão. Moisés e Daniel estão ultrapassados. A esposa adúltera, figura clássica de Israel e, por fim, da humanidade inteira, reencontra um futuro. Esqueçamos todas estas análises e releiamos o texto deixando-nos sensibilizar com a humanidade e a ternura que o caracterizam: com a ternura de Deus.

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