Revelações referentes ao final dos tempos

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16 Novembro 2012

É certo que o Cristo já veio, mas foi para fazer seus todos os nossos sofrimentos. E, fazendo-os seus, Ele os realizou, suportou-os e venceu-os. O que agora nos é anunciado é que, tendo feito seus os nossos sofrimentos, Ele vem para fazer nossa a sua própria glória.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 33° Domingo do Tempo Comum - Cciclo B (18 de novembro de 2012). A tradução é é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: Daniel 12
2ª leitura: Hebreus 10,11-14.18
Marcos 13,24-32

Escatologia e apocalipses

O Evangelho de hoje, paralelo a Mateus 24 e Lucas 21, é chamado de “escatológico”, ou seja, refere-se ao fim dos tempos. Este tipo de texto pode ser chamado também de “apocalíptico”: apocalipse significa “revelação”, desvelamento. Podemos então dizer tratar-se de revelações referentes ao final dos tempos, um gênero literário que se faz presente também no Antigo Testamento, particularmente em Ezequiel e Daniel. Alguns destes textos fazem menção de catástrofes de tipo “sobrenatural”, tal como o evangelho de hoje; já outros, falam de terremotos, tsunamis, guerras generalizadas, perseguições aos que creem; ou seja, coisas de que já temos experiência. O Apocalipse de João expressa tudo isso em linguagem simbólica, fazendo desta “revelação” uma mensagem um tanto quanto obscura! Paulo não é muito dado a este gênero literário; prefere escrever, como em Romanos 8,22, “que a criação inteira geme e sofre as dores do parto”. E situa estas dores, não no futuro, mas no presente. Além disso, diz tratar-se, não de destruição, mas de nascimento, do acabamento da criação. Devemos compreender que os apocalipses querem nos dizer que tudo o que temos que viver tem um sentido, uma face escondida; e que tudo se passa como se Deus, aparentemente vencido pelo mal, tomasse de fato o poder, utilizando para isso tudo o que é nocivo, tudo o que é contrário ao amor.

A alegria está à nossa porta.

Estes textos das Escrituras nos dão a impressão de que muitos males e sofrimentos nos são prometidos. Mas o que eles na realidade estão mostrando é o sentido do que já vivemos todos os dias. Em primeiro lugar, o nosso conflito com a natureza que não deixa nunca de nos pôr à prova até que, finalmente, nos reduza ao pó. Acrescente-se a isto o conflito que divide os homens devido a interesses, invejas e ciúmes ou pela vontade de dominação nascida do medo de não ser senhor da situação ou de ter que provar a superioridade... Resumindo, vivemos num universo profundamente dividido e, portanto, homicida. É inútil colocar tudo isso no futuro: o fim dos tempos já está aqui e, de qualquer modo, já se ergue no horizonte. Os textos dizem que este imenso conflito não irá se atenuar, mas vai até ao paroxismo, à medida que se aproxima de seu fim. Quanto a cada um de nós, e isto vale para todos na medida em que nos fazemos somente um, transpomos o limite que nos separa da paz final a cada vez que aceitamos fazer do amor a nossa lei. O que denominamos eternidade está, pois, às nossas portas. Ela é, de qualquer forma, o inverso do cenário com que nos deparamos neste mundo, um cenário quase sempre catastrófico. Uma vez mais ainda, é preciso dizer que tudo, até mesmo o que há de pior, é usado por Deus para nos fazer alcançar o reino da alegria. Mas atenção! Que tudo seja usado não quer dizer que tenha sido também produzido por Deus. Deus é inocente com respeito ao nosso mal. Mas faz disto um instrumento para o que chamamos “salvação”. Quanto ao resto, tudo nos foi já revelado na Paixão do Cristo. E esta Paixão, que contém as paixões todas de cada um de nós, é que é o verdadeiro Apocalipse.

Através de nossas cruzes, chegamos à glória.

Os textos que lemos hoje apresentam o caos atual e o que está por vir como o lugar da vitória do Cristo. O que, numa outra linguagem, confirma o que acabamos de dizer. Tudo, portanto, “acaba bem”. Quando estamos afogados no luto, no sofrimento, no absurdo, no insustentável, estamos diante da escolha entre a fé na vida, n’Aquele que é a vida, e a morte. Como diz Paulo no texto citado acima, a criação está sempre a caminho; e nós também estamos a caminho. É preciso escolher acreditar, mas a nossa fé também está a caminho e só alcançará a plenitude quando desaparecer, dando lugar à visão, à experiência. E nossa fé atual é já como que uma incursão nesse domínio radioso da verdade enfim totalmente revelada. Nossa fé não é posta em coisas, mas em Alguém. Fé e amor são, de fato, ligados (veja a expressão “fé conjugal”). Por isso, todas as passagens apocalípticas dos evangelhos falam do retorno do Cristo, ou melhor, de sua vinda, a propósito das catástrofes naturais ou humanas que descrevem. É certo que o Cristo já veio, mas foi para fazer seus todos os nossos sofrimentos. E, fazendo-os seus, Ele os realizou, suportou-os e venceu-os. O que agora nos é anunciado é que, tendo feito seus os nossos sofrimentos, Ele vem para fazer nossa a sua própria glória.

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