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01 Abril 2018

Será que a morte é a última passagem da vida? Parece que a natureza por si mesma nos diz o contrário.

A reflexão a seguir é de Raymond Gravel (+2014), padre da arquidiocese de Quebec, Canadá, publicada no sítio Culture et Foi, sobre a Festa da Páscoa. A tradução é de Susana Rocca.

Eis o texto.

Páscoa é a festa da Passagem, isto é, a passagem da morte à vida. É evidente que essa festa é religiosa e cristã, mas todo o mundo pode importar-se com ela, pois a vida toda é uma questão de passagem. Não deixamos de passar: nascemos, caminhamos, evoluímos, crescemos, aprendemos, mudamos, nos transformamos e, depois, morremos. A questão que fica é a seguinte: Será que a morte é a última passagem da vida? Parece que a natureza por si mesma nos diz o contrário. Quando chega o tempo da primavera, tudo que estava morto renasce: as flores, as árvores, os insetos, os pássaros, os animais que estavam escondidos durante o inverno. É o momento quando a vida retoma seu curso. É a passagem da morte à vida.

Todas essas passagens que nós fazemos ao longo da vida são difíceis, simplesmente porque nós passamos de uma situação contínua e frequentemente confortável para outra, desconhecida, geralmente imprevisível e não segura. Se pensarmos na morte e no sofrimento que fica associado, é muitas vezes a ocasião de perder completamente a racionalidade. Eu li com interesse o relatório da Comissão da Assembleia Nacional do Quebec sobre Morrer com dignidade, publicado em março passado, e tenho que dizer que eu fiquei fortemente impressionado pela qualidade desse relatório, tanto mais porque ele sublinha em grandes traços a importância da passagem última da vida humana, aquela da doença, do sofrimento e da morte.

Esse documento, de 182 páginas, é o fruto de uma longa consulta efetuada entre médicos, acompanhantes, responsáveis de casas de saúde e especialistas em cuidado de pessoas idosas, e não propõe a eutanásia e o suicídio assistido como a solução milagrosa para as doenças no final da vida. Diferentemente, o estudo propõe um investimento nos estabelecimentos para cuidados paliativos de qualidade, os quais permitirão morrer dignamente todas as pessoas que chegarem nesta idade última da vida. Pode ser que em situações extremas, a eutanásia seja o único caminho possível? A questão está posta; a reflexão se impõe.

Infelizmente, se deixarmos que esse debate se polarize entre os grupos integristas minoritários de esquerda e de direita, como eles fizeram nos anos 1970 em relação ao aborto, entre os pró-escolha e os pró-vida, a eutanásia terá certamente a mesma sorte que o aborto. Em outras palavras, resultará um vazio jurídico quase impossível de ser preenchido, cujos resultados são lamentáveis: uma desresponsabilização da população e uma banalização do aborto até fazer um meio contraceptivo, sendo que em Quebec, a cada ano, se praticam milhares de interrupções voluntárias de gravidez, sem mesmo tentar soluções para esse flagelo.

A festa da Páscoa, a festa da Passagem, é a ocasião de refletir sobre o sentido da vida e da morte. Creiamos ou não, a velhice, a doença e o sofrimento são ou serão o destino da maioria de nós. Por isso se torna urgente que nos façamos todas as perguntas levantadas em relação a esta realidade: O que é a vida? A morte é um direito ou uma consequência da vida? O sofrimento é um mal necessário? Como cristão, eu sei suficientemente bem que a Sexta-Feira Santa precede sempre o Domingo de Páscoa, mas se trata também de uma passagem. E como bem dizia o exegeta francês Jean Debruynne: “A morte e a ressurreição de Jesus são uma passagem. Não nos instalamos nessa passagem. Jesus vive a caminho e o caminho é feito para passar”. Na situação em que a passagem se eterniza, podemos e devemos ajudá-lo a passar?

Feliz Páscoa!

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