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30 Março 2011

O sítio Face.com desenvolveu um poderoso software de reconhecimento facial e apresenta três aplicativos (Photo Finder, Photo Tagger e Celibrity Findr) que reconhecem fotos para o Facebook e o Twitter.

A reportagem é de Mariano Blejman e está publicada no jornal Página/12, 29-03-2011. A tradução é do Cepat.

Até pouco tempo atrás, o software de reconhecimento facial pertencia ao fechado mundo das agências de segurança. Aeroportos, postos de migrações ou estádios de futebol incorporaram a tecnologia de reconhecimento de rostos: concretamente, tirar uma foto de uma pessoa e identificá-la por suas características biométricas. Com a segurança internacional como estímulo (ah, o terrorismo), avançaram no desenvolvimento de algoritmos cada vez mais complexos e secretos que permitem identificar com até 99,7% de chances uma pessoa simplesmente escaneando o rosto. O software "identificador de rostos" entrou na moda em filmes como Missão Impossível 2 ou a saga de Jason Bourne, e também começou a aparecer ultimamente em câmaras fotográficas digitais, que permitem detectar sorrisos e buscar imagens similares.

Pois bem, o que acontece quando 600 milhões de pessoas – digamos, todos os usuários do Facebook – tiverem à sua disposição uma tecnologia capaz de identificar fotos próprias e "taggear" as de seus amigos? Como pode um usuário do Facebook saber quem de seus amigos está subindo fotos próprias? Ou, para terror das ONGs que zelam pela privacidade: pode-se identificar alguém cuja imagem está num perfil público do Facebook simplesmente tirando uma foto na rua? A maioria dessas respostas pode ser dada pelos criadores do Face.com, uma companhia que desenvolveu uma plataforma aberta de reconhecimento facial. Até agora, graças ao Face.com, cerca de 15.000 programadores estão desenvolvendo aplicativos de reconhecimento facial para a internet, redes sociais e celulares. "Estamos conscientes dos problemas que podem ocorrer com este software e somos muito cuidadosos quanto às condições de segurança", conta David Speiser, porta-voz do Face.com, ao Página/12. O Face.com é uma empresa israelense dirigida por Gil Hirsch.

Em março de 2009, o Face.com lançou o Fhoto Finder, um aplicativo para o Facebook que – usando seu algoritmo de reconhecimento facial – escaneava álbuns pessoais e "de amigos" para descobrir fotos próprias não identificadas. O objetivo não era desenvolver o aplicativo comercialmente, mas demonstrar o poder de seu algoritmo. Atualmente, uma versão beta continua em funcionamento no Facebook, mas ainda não está acessível ao público – e talvez ainda por um bom tempo –, ainda que funcione por convite. Alguns meses depois, o Face.com lançou ao público o Photo Tagger, um aplicativo "para aumentar a produtividade", segundo Speiser, que permite "marcar" várias fotos "próprias" ao mesmo tempo. "Quando sobes fotos ao Facebook o aplicativo sugere que há 12 fotos tuas, 15 da tua noiva, 35 fotos da tua mãe, e permite criar todos os taggs ao mesmo tempo", conta Speiser. O motivo do crescimento do Face.com foi manter aberta, livre e gratuita sua plataforma de desenvolvimento para que outros possam trabalhar sobre o seu algoritmo e pensar seus próprios aplicativos.

A filosofia do Face.com é que se a informação está no âmbito público (perfis disponíveis, álbuns de fotos abertos) então se pode trabalhar sobre eles. E, ao contrário de outros sistemas de identificação de rostos, trabalha sobre fotos comuns antes que de imagens "para passaportes", que têm regras mais estritas de enquadramento e iluminação. Contudo, o aplicativo Celebrity Findr, também desenvolvido pelo Face.com, vai mais longe, e permite tirar fotos de "celebridades", identificá-las rapidamente e mandá-las ao Twitter com uma porcentagem aproximada de confiabilidade de 70%. Em dois anos, o buscador do Face.com escaneou mais de 20 bilhões de fotos e identificou mais de 52 milhões de rostos. E tem entre os principais concorrentes o Apple iPhoto, o Google Picasa e o Polar Rose.

Como foi dito no começo, a evolução do software de reconhecimento facial melhorou nos últimos cinco anos a uma velocidade inédita. Segundo Juan Carlos Muller, da Creative House, uma empresa argentina que trabalha com o buscador dos alemães do Cognitech, é uma ferramenta de identificação que tem quase o mesmo nível de confiabilidade da impressão digital. Este software é usado em postos de fronteira dos Estados Unidos, Europa, Austrália, Nova Zelândia e Bolívia e ganhou nos últimos "tests" internacionais do Face Recognition Vendor Test, e tem como grande concorrente em nível mundial o L1. Também o Cognitech – segundo Muller – está desenvolvendo aplicativos junto para um dos grandes portais mundiais da internet. Seria o Google? Logo veremos.

Entre as toneladas de informações depositadas voluntariamente no Facebook por um de cada dez habitantes do planeta, as implicações sobre o software de reconhecimento facial na vida cotidiana são cada vez mais imponderáveis e difíceis de manejar. Muller – que se dedica a este tema todos os dias de sua vida – está mais do que consciente disso: "Na minha página na internet não subo foto minha. As pessoas que sobem dados pessoais no Facebook, fotos com seus filhos ou amigos, estão correndo sérios riscos. É um escândalo porque em termos de segurança é terrível. Contudo, em termos jurídicos a identificação legal por reconhecimento de rosto é algo que sempre existiu", acredita Muller. Segundo o blog oficial do Facebook, 90% de seus usuários sobe ao menos uma foto. São carregados cerca de 100 milhões de fotos por dia na grande rede social. "É insano", escreveu Sam Odio, gerente de produtos fotográficos do Facebook.

 

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