O Papa: o Decálogo não é uma série de proibições, mas uma vida nova

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29 Novembro 2018

Com os Dez Mandamentos “levados a cumprimento por Jesus”, Deus semeia “desejos novos” no coração do homem, como um “transplante de coração”; e se os desejos malvados “arruínam o homem”, os desejos do Espírito “são o germe da vida nova”. O Papa concluiu o ciclo de catequese dedicado ao Decálogo durante a Audiência Geral de hoje, 28 de novembro, no qual explicou que, “se segundo a carne era uma série de prescrições e proibições, segundo o Espírito essa mesma lei se torna vida”. Enquanto Francisco falava na Sala Paulo VI, um menino o interrompeu: “Ele é argentino, é indisciplinado”, disse Jorge Mario Bergoglio, que comentou: “Quando Jesus diz que devemos ser como as crianças, nos diz que devemos ser livres como uma criança com seu pai. Este menino fez uma pregação para todos nós”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 28-11-2018. A tradução é de André Langer.

Deus, disse o Papa, “nos convida à obediência para nos resgatar das idolatrias do engano que tanto poder têm sobre nós. De fato, buscar a autorrealização nos ídolos deste mundo nos esvazia e nos escraviza, ao passo que o que nos dá estatura e consistência é a relação com Ele, que, em Cristo, nos torna filhos a partir da sua paternidade. Isto implica um processo de bênção e de libertação, que são o verdadeiro descanso, o autêntico. Como diz o Salmo: ‘Só em Deus repousa a minha alma: só dele vem a minha salvação’. Esta vida libertada transforma-se em acolhida da nossa história pessoal e nos reconcilia com aquilo que vivemos da infância ao presente, fazendo-nos adultos e capazes de dar a justa medida às realidades e às pessoas de nossa vida. Por este caminho, entramos na relação com o próximo, que, a partir do amor que Deus mostra em Jesus Cristo, é um chamado à beleza da fidelidade, da generosidade e da autenticidade”.

Mas, para viver assim, explicou o Papa, temos necessidade de “um coração novo, habitado pelo Espírito Santo. Eu me pergunto: como é esse ‘transplante’ de coração, do coração velho para o coração novo? Por meio do dom de desejos novos, atenção à palavra: desejos novos, que são semeados em nós pela graça de Deus, particularmente através dos Dez Mandamentos levados ao cumprimento por Jesus, como Ele ensina no Sermão da Montanha. De fato, na contemplação da vida descrita pelo Decálogo – disse o Pontífice – isto é, uma vida agradecida, livre, autêntica, abençoada, adulta, vigilante e amante da vida, fiel, generosa e sincera, nós, quase sem perceber, nos encontramos diante de Cristo. O Decálogo é sua radiografia, descreve como um negativo fotográfico que deixa aparecer seu rosto, como no Sudário. E assim o Espírito Santo fecunda o nosso coração, colocando nele os desejos que são dom seu, os desejos do Espírito. Desejar segundo o Espírito, desejar no ritmo do Espírito, desejar com a música do Espírito”.

Assim descobrimos melhor o que significa que o Senhor Jesus não veio para abolir a lei, mas para levá-la ao cumprimento, afirma o Papa Francisco, e se a lei segundo a carne era uma série de prescrições e proibições, segundo o Espírito esta mesma lei torna-se vida, porque já não é uma norma, mas a própria carne de Cristo, que nos ama, nos procura, nos perdoa, nos conforta e em seu Corpo reconstrói a comunhão com o Pai, perdida pela desobediência do pecado: “em Cristo, e somente Nele, o Decálogo deixa de ser condenação para ser a autêntica verdade da vida humana, isto é, desejo de amor, de alegria, de paz, de magnanimidade, de benevolência, de bondade, de fidelidade, de mansidão e domínio de si”.

Esta é a razão de buscar Cristo no Decálogo, disse o Papa Francisco, para fazer frutificar nossos corações para que estejam repletos de amor e abertos para a obra de Deus. Quando o homem segue o desejo de viver conforme Cristo, então está abrindo a porta à salvação, que só pode vir porque Deus Pai é generoso e, como diz o Catecismo, “tem sede de que nós tenhamos sede Dele”. “Se são os maus desejos que arruínam o homem – precisou o Papa –, então o Espírito coloca seus santos desejos em nossos corações, que são a semente de uma nova vida. A nova vida não é o esforço titânico para sermos coerentes com uma norma, mas o próprio Espírito de Deus que começa a nos guiar até os seus frutos, em uma feliz sinergia entre a nossa alegria de sermos amados e a sua alegria de nos amar. Duas alegrias se encontram: a alegria de Deus de nos amar e a nossa alegria de sermos amados”.

Enquanto o Papa falava, uma criança se aproximou dele. “Dá-me um beijinho”, disse o Papa abraçando o menino. A mãe se apressou para tentar recuperar o seu pequeno, mas o Papa disse-lhe para não se preocupar, que o deixasse livre, motivo pelo qual o menino continuou a andar livremente pelo palco da Sala Paulo VI. “Ele é argentino, é indisciplinado”, comentou Francisco, “este menino não pode falar: é mudo, mas pode se comunicar, pode se expressar. E tem uma coisa que me faz pensar: ele é livre, indisciplinadamente livre. Mas é livre. E isso me faz pensar: eu também sou livre assim diante de Deus? Quando Jesus diz que devemos nos tornar como crianças, ele nos diz que devemos ter a liberdade que uma criança tem diante de seu pai. Sim, acredito que este menino fez uma pregação para todos nós, e peçamos a graça de que possa falar”.

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