Centenas se reúnem para apoiar cristãos LGBT e afirmar a doutrina da Igreja

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09 Agosto 2018

Não é sempre que as obras de C. S. Lewis e Tony Kushner ressoam no mesmo grupo de pessoas.

Porém, isso aconteceu na controvérsia e tão aguardada Conferência Revoice, no final de julho. A conferência atraiu cerca de 500 cristãos em um encontro ecumênico "para apoiar, incentivar e capacitar gays, lésbicas, pessoas de orientação homossexual e outros cristãos LGBT para que possam se desenvolver observando a histórica doutrina cristã do matrimônio e da sexualidade".

A reportagem é de Billy Critchley-Menor, S.J., publicada por América, 07-08-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A conferência pode marcar uma virada nas conversas sobre questões LGBT dentro da Igreja Cristã mais ampla. Eve Tushnet, palestrante e autora do livro Gay and Catholic: Accepting my Sexuality, Finding Community, Living My Faith, disse, por e-mail, depois da conferência: "Quando me tornei católica, não sabia que havia outros homossexuais tentando viver em harmonia com a doutrina da Igreja. Estar em uma multidão de centenas de pessoas como eu foi incrível."

Como indica Tushnet, o objetivo da conferência não foi fazer lobby em prol de uma mudança na doutrina católica. Pelo contrário, como declarou Johanna Finegana, num evento pré-conferência: "declaramos que há coisas mais valiosas do que a forma de sexo e amor romântico que desejamos por natureza. Declaramos que o cristianismo genuíno deve mudar e estruturar toda a vida."

A Conferência Revoice foi única em sua abordagem às questões LGBT dentro da comunidade cristã. Os debates geraram uma ponte, assumindo os ensinamentos tradicionais sobre sexualidade e reafirmando a dignidade e as experiências únicas das pessoas LGBT. (Em certo ponto, Santo Agostinho e Audre Lorde foram citados em conjunto em relação a abordagens cristãs da sexualidade.)

Wesley Hill, autor de Spiritual Friendship e professor de estudos bíblicos da Trinity School do Ministério, compreendeu essa dinâmica ao falar sobre a parábola da samaritana no poço. Recordando seu próprio sentimento de vergonha por ser gay, observou, "Jesus cura a vergonha desta mulher, mas não o faz reescrevendo as regras de moralidade e adultério".

Os participantes desafiaram as culturas da Igreja que geram suspeita, repressão e vergonha para as pessoas LGBT.

A conferência também disponibilizou uma plataforma para que se aprenda com pessoas abertamente gays. Para Tushnet, "o aspecto mais significativo e original da Conferência Revoice foi reunir centenas de pessoas LGBT e de orientação homossexual que aceitam um caminho bastante difícil e contracultural de obediência e deixam as pessoas livres para rezar juntos e aprender umas com as outras".

A conversa vai de encontro não apenas à cultura secular, que reafirma o casamento homossexual, mas também desafia culturas dentro da Igreja que geram suspeita, repressão e vergonha para as pessoas LGBT.

Vários palestrantes observaram que professores, pastores e escritores difamavam pessoas que saíam do armário, apesar de promover a doutrina da Igreja do celibato. Eles observaram que as discussões sobre homossexualidade dentro da comunidade cristã surgem quase exclusivamente no contexto do pecado e da condenação, apesar de haver mais aspectos que animam a vida das pessoas homossexuais para além da dificuldade de evitar o pecado sexual. Como observa Hill, "o amor homossexual e a identidade gay não se reduzem ao pecado proibido por Deus".

Para muitas pessoas na conferência, a comunidade cristã está polarizada em dois campos: um que reafirma a cultura queer e rejeita a doutrina da Igreja sobre a sexualidade, e outra que afirma a doutrina da Igreja e rejeita a cultura queer. Os participantes estão buscando um meio-termo.

Segundo o palestrante Grant Hartley: "a Igreja não conseguiu ver a cultura queer de forma missiológica... O compromisso cristão com ela deve ser de apreciação crítica e preocupação adequada." Hartley explica que "em vez de vasculhar e analisar as partes que devem ser rejeitadas, resgatadas ou recebidas com alegria, os cristãos muitas vezes descartaram as virtudes da cultura queer, bem como os vícios, deixando os cristãos com alguma conexão cultural divididos entre duas culturas, duas histórias e duas comunidades".

Hartley observou que parte da literatura e da poesia queer, bem como experiências da comunidade LGBT de marginalização e de "família escolhida", encontram ressonância na tradição cristã.

Jack Bates, na palestra “Coming Out in the Shadow of the Cross: Queer Visibility as Redemptive Suffering”, lamentou os cristãos LGBT que perderam o emprego, amigos, família, credibilidade e o apoio da Igreja depois de sair do armário.

"Os cristãos homossexuais são chamados a se colocar no lugar de ", disse. "Em meio ao nosso sofrimento, Deus ainda nos convida a responder como Jó: Abençoado seja o nome do Senhor."

Essa resposta foi apresentada na conferência a centenas de católicos, evangélicos e protestantes que se reuniam duas vezes por dia para orar e louvar. "Eu secava as lágrimas enquanto cantávamos juntos em louvor a Deus", recordou Tushnet. "Eu sabia quantas pessoas naquela igreja tinham passado a vida inteira em multidões louvando a Deus sem nunca conhecer outros gays que compartilhassem das mesmas convicções. Naquela noite, elas puderam louvar a Deus em um grupo de pessoas que os conheciam, entendiam sua visão de mundo.”

Infelizmente, este tipo de experiência é raro para muitas pessoas LGBT. De acordo com Bates, "muitos de nós buscamos a Deus com todas as nossas forças e encontramos nossa saúde mental, nossos corpos e nossas vidas tão sofridas de formas que nossas comunidades religiosas não nos preparam nem nos ajudam".

Para alguns participantes, a doutrina cristã sobre a sexualidade tem mais chances de ser bem recebido junto com uma noção mais robusta de amor, desejo e amizade, uma teologia mais profunda de celibato para cristãos leigos e uma apreciação mais séria da comunidade.

Johanna Finegan observou que "nossas concepções atuais de comunidade e amizade são extremamente empobrecidas. Estamos tão acostumados a colocar os relacionamentos conjugais e românticos acima da amizade e investir nossa energia na família nuclear, que não resta muito espaço para os de fora."

Também se sente o sentido empobrecido do amor na incapacidade da Igreja de acolher e falar às pessoas LGBT de forma adequada. De acordo com Tushnet, "muitos gays crescem pensando que Deus é um mestre cruel e arbitrário, que não os ama nem os ilumina, que sua orientação sexual os separa Dele e faz com que seja impossível obedecer".

Ela espera que a Igreja tenha mais recursos para transmitir a mensagem de Deus e seu amor aos gays, em que "eles começam a conhecer a Deus como Ele realmente é: aquele cujos olhos estão sobre o passarinho, cujas bênçãos são derramadas sobre aqueles a quem os outros condenam, desconfiam e desprezam".

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