Bolonha. Um arcebispo bergogliano visita o centro comunitário

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13 Abril 2018

Uma batina no centro comunitário. E não uma batina qualquer, mas de um arcebispo: Matteo Zuppi, não um sacerdote qualquer, mas um fiel aliado do Papa, na segunda-feira vai cruzar os portões do TPO, o histórico centro comunitário de Bolonha. Mas não é só isso: foi convidado para apresentar um livro – vejam bem, publicado pelo jornal comunista Il Manifesto - com discursos do Papa. Claro, estamos na região da Emilia, onde o escritor Giovannino Guareschi narrava histórias de sacerdotes e prefeitos comunistas inimigos adorados. Onde o bispo, antes de inaugurar os jardins de Dom Camillo, passava pela Casa do Povo do prefeito Peppone. Ficção e realidade: em Bolonha, Monsenhor Ernesto Vecchi realmente foi enviado em 'missão' para a festa de L’Unità (encontros sócio-culturais e políticos do Partido Comunista Italiano - PCI. L’Unità era o título do jornal do PCI, ndt).

A reportagem é de Ferruccio Sansa, publicada por Fatto Quotidiano, 12-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Era o segredo da região Emilia e, talvez, da Itália daqueles anos, dilacerada por tensões, mas também capaz de resolvê-las com um ‘vamos cuidar bem uns dos outros’.

Mas dessa vez há mais: um Papa de luta, nem sempre apoiado por sua igreja, em sintonia com um mundo órfão da esquerda. "Tudo nasceu - disse Domenico Mucignat do TPO – quando nos pediram para apresentar o livro que recolhe três discursos do Papa [2014 / 2015 / 2016] proferidos durante os encontros mundiais com os movimentos populares são discursos muito interessantes. Partilhamos a ênfase na solidariedade, no protagonismo dos movimentos populares. O Papa fala de pobres e de luta". Não só: "Chamou nossa atenção - continua Mucignati - a atitude de Zuppi para com os imigrantes e os pobres".

Zuppi, entrevistado pelo Corriere di Bologna, não se esquiva das insídias, mas as encerra com um sorriso: "Sempre há críticas. Antigamente teriam dito que estou sendo usado. Mas poderia haver a preocupação contrária. Este é o fim do diálogo". Zuppi não retrocede um milímetro: "O diálogo não significa ambiguidade, muito pelo contrário, o diálogo esclarece".

Bastava ler o currículo de Zuppi para entender o que estava lhe pedindo Francisco enviando-o para Bolonha: pároco de Santa Maria em Trastevere, a paróquia da Comunidade de Santo Egídio, depois membro da delegação de paz em Moçambique.

O arcebispo estava certo. Nem todos engoliram a situação: "Discordo totalmente do arcebispo", ressalta Fabio Garagnani, ex-parlamentar de centro-direita e voz do catolicismo conservador na cidade. "Eu sou um católico que se sente muito desconfortável - ele suspira. Eu entendo a aspiração do Papa em aproximar a Igreja a mundos diferentes. Mas assim corre o risco de banalizar a mensagem, de torná-la demasiado humana, de fazer com que pareça propagandística, política. Assim, a Igreja parece uma ONG, um sindicato".

Que tipo de Igreja sonham Garagnani e todos aqueles que "sofrem" com esse Papa?

"Temos de nos concentrar na doutrina. Sobre as raízes cristãs da Europa, diante da invasão islâmica. Como faziam Wojtyla e Ratzinger".

Não é o único. É verdade que na Emilia os monsenhores frequentavam as festas comunistas. Mas a Cúria parecia mais próxima de Garagnani do que de Zuppi. Como esquecer o arcebispo Carlo Cafarra, muito amado e muito conservador. Ele dizia: "O enobrecimento da homossexualidade não deve ser interpretado e julgado tomando como critério o mainstream das nossas sociedades".

Contudo, na mesa de cabeceira, Cafarra mantinha os livros de Guareschi. Hoje suas homilias são reunidas em um livro com o significativo título de Prediche corte, tagliatelle lunghe (Sermões curtos, macarrões longos, em português). Novamente a região Emilia que sabe como unir os opostos: dogmatismo e ironia, solidariedade e opulência, sensualidade e pureza.

Tudo junto, como as ruas de Bolonha (ex) vermelha, salpicadas de riquíssimas vitrines. Pergunto-me se Zuppi no centro comunitário possa ser o último capítulo da saga. Ou o primeiro de uma nova história, uma sacudida para a cidade.

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