Tomar posição nesse tempo de conflito. Artigo de Dário Bossi

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11 Abril 2018

"O ódio que está sendo concentrado ao redor de figuras históricas, instituições e movimentos sociais em nosso País está impedindo qualquer forma de debate, aprofundamento e são discernimento, mesmo a partir de diversos e legítimos pontos de vistas e projetos de sociedade", escreve Pe. Dário Bossi, Provincial dos Missionários Combonianos no Brasil, 06-04-2018.

Eis o texto

Num momento extremamente complexo da vida política e das relações sociais do Brasil, é preciso nos posicionar, todos nós que dedicamos a vida para um País onde todas as pessoas e a Criação tenham vida plena.

Não quero entrar no mérito da análise das decisões jurídicas específicas, nem me declarar de forma absoluta sobre a atuação política ou a honestidade de um ou outro partido.

Analisemos porém a sequência dos fatos, a disparidade de tratamento reservada aos atores na cena política dos últimos anos, as análises de observadores externos e supostamente menos influenciados pelas disputas de poder nacional.

Distancio-me decididamente do fanatismo antipetista que tem conquistado de forma visceral e agressiva as mentes e corações de muitas pessoas.

Não defendo acriticamente as decisões e a gestão das coalizões de governo conduzidas por esse partido.

Porém está claro para muitos de nós que a sequência de decisões, desde o impeachment até o mandado de prisão do ex-presidente Lula, evidenciam um projeto de desmonte de direitos coletivos adquiridos a custa de muita luta e organização popular.

Uma parte muito influente do poder judiciário e, mais recentemente, do poder militar demonstram estar a serviço desse projeto.

Preocupa-me o nível de violência e intolerância que está se espalhando na população, fomentado pela mídia e por estratégias de manipulação da verdade através das redes sociais.

O ódio que está sendo concentrado ao redor de figuras históricas, instituições e movimentos sociais em nosso País está impedindo qualquer forma de debate, aprofundamento e são discernimento, mesmo a partir de diversos e legítimos pontos de vistas e projetos de sociedade.

Assim, em lugar de promover políticas e políticos que busquem a afirmação de direitos coletivos e a garantia da qualidade de vida para toda a população, ela está sendo “distraída” e reduzida à disputa em favor ou contra de uma só pessoa.

Esse clima de divisão e combate cultiva o fanatismo e favorece unicamente o projeto de desmonte que denunciamos acima.

Quer preso, quer livre, o ex-presidente Lula representa um projeto histórico e político que tem o direito de ser avaliado pela população através do voto.

Não admitamos a violência, mas apoiemos a posição firme de quem defende esse direito.

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