Honduras. Roubo da vontade popular

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09 Dezembro 2017

“É importante que os povos latino-americanos voltem os olhos para Honduras neste momento. Do mesmo modo que aqui iniciaram a onda de Golpes de Estado contra governos populares, estão inaugurando uma nova forma de roubo da vontade popular, que, já podemos antecipar, aplicarão em muitos dos processos eleitorais da região nos anos vindouros. De muitas formas, a luta do povo hondurenho é hoje a luta de todos, escreve o analista político Ricardo Salgado, em artigo publicado por Página/12, 08-12-2017. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

O papel dos meios de comunicação antes, durante e depois do processo eleitoral em Honduras não é em nada surpreendente. Sua atuação quase terrorista, de manipulação e criação de matrizes nutridas de rumores e tramoias, se produz com a pontualidade de um mecanismo de relojoaria suíça.

Durante meses, esses meios de comunicação publicaram pesquisas falsas, que davam a Juan Orlando Hernández vantagens de até 20 pontos, que pretendiam posicioná-lo como presidente antes do processo. Estes mesmos meios de comunicação se alinharam com a campanha de terror, vários dias antes das eleições, dirigida por JJ Rendón, Otto Reich, Robert Carmona e outros sicários da opinião pública, para provocar o abstencionismo entre a população.

Esses meios de comunicação silenciaram o fato de que o espúrio Tribunal Eleitoral deixou sem votar milhares de hondurenhos, fechando as urnas apressadamente no dia da eleição, e, além disso, diante do atraso nos dados oficiais, publicaram resultados de uma boca de urna que apresentava, por 10 pontos, Hernández como vencedor, para promover o desânimo entre os simpatizantes da aliança.

Podemos afirmar que a direita continental montou em Honduras uma enorme “operação psicológica”, para criar a percepção de um ganhador diferente do eleito pelas maiorias. Pois bem, tudo isto é normal em nossa América Latina, onde somos muito propensos a acreditar na canalhice midiática. O extraordinário é a vitória incontestável da Aliança de oposição contra a Ditadura.

É claro, o assunto está longe de encontrar uma saída, o povo continua se manifestando em todo o país, melhorando suas formas de luta e adquirindo mais flexibilidade em suas estruturas organizativas. Diante disto, o regime respondeu com bestialidade, com um saldo de 15 vítimas mortais, assassinadas pelas forças repressivas do Estado.

Enquanto a caçada humana continua, o povo aumenta a luta. Ao mesmo tempo, o Partido de governo infiltra sabotadores nas manifestações que se dedicam ao saque, ao passo que os meios de comunicação gritam freneticamente que se está destruindo a sacrossanta “propriedade privada”, mas não mencionam os tombados, muito menos se referem a seus assassinos, que perambulam pelas ruas do país como matilha sedenta de sangue.

Em um ambiente marcado pela perseguição, violência criminosa do regime e manipulação midiática, a vitória da Aliança é algo extraordinário, mas nela se marca uma batalha total entre o golpismo bipartidário, a direita mais brutal de Washington, e as vítimas do golpe de Estado que suportaram a calamidade por oito anos.

Além disso, se reivindica a figura histórica de Manuel Zelaya Rosales que, apesar dos ataques furiosos e sustentados de toda a direita do continente, mantém vigente uma luta sem precedentes ao lado do povo hondurenho, nesta terra que os ianques querem como porta-aviões, e que nós, hondurenhos, queremos como pátria em paz e para todos.

É importante que os povos latino-americanos voltem os olhos para Honduras neste momento. Do mesmo modo que aqui iniciaram a onda de Golpes de Estado contra governos populares, estão inaugurando uma nova forma de roubo da vontade popular, que, já podemos antecipar, aplicarão em muitos dos processos eleitorais da região nos anos vindouros. De muitas formas, a luta do povo hondurenho é hoje a luta de todos.

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