Movimento ortodoxo para diaconato feminino é chamado de 'revitalização', não de 'inovação'

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01 Dezembro 2017

Teólogos ortodoxos litúrgicos estão manifestando apoio à decisão do Patriarca Theodoros II e o Santo Sínodo grego ortodoxo do Patriarcado de Alexandria de restabelecer a ordem de diaconisas.

A reportagem é de James Dearie, publicada por National Catholic Reporter, 30-11-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

“Respeitosamente apoiamos a decisão do Patriarcado de Alexandria de restaurar o diaconato feminino, dando, assim, corpo a uma ideia que foi discutida e estudada por pastores e teólogos durante décadas", disseram nove teólogos de seminários e faculdades de teologia dos Estados Unidos e da Grécia, em um comunicado de 31 de outubro.

"A reinstituição do diaconato feminino não constitui uma inovação, como alguns nos fizeram acreditar", afirmaram os teólogos, "mas uma revitalização de um ministério que já foi funcional, vibrante e eficaz", disseram.

Teodoro, Papa e Patriarca de Alexandria e de toda a África, consagrou cinco mulheres para o diaconato em fevereiro deste ano, na República Democrática do Congo, principalmente para ajudar nas igrejas missionárias.

Os ensinamentos ortodoxos modernos reconhecem a existência de um diaconato feminino na igreja primitiva, rastreando na história uma mulher chamada Febe, mencionada pelo apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos. No entanto, "deixou de existir no final do período bizantino", disse Carrie Frederick Frost, uma teóloga ortodoxa que faz parte do Conselho do St. Phoebe Center for the Deaconess, uma organização que fornece educação sobre o diaconato feminino e promove-o na Igreja Ortodoxa.

"De vez em quando havia alguma... mas, de modo geral, nas últimas centenas de anos não houve diaconisas", disse ela ao NCR em uma entrevista, em 20 de novembro.

Por muitas décadas, patriarcas ortodoxos têm discutido a possibilidade de trazer a ordem de volta. Uma consulta Pan-ortodoxa de 1988, em Rhodes, na Grécia, produziu o documento "The Place of Women in the Orthodox Church", sobre o lugar das mulheres na Igreja Ortodoxa, que afirmava que a "ordem apostólica de diaconisas deve retornar".

Pouco tinha sido feito pela causa até o surpreendente movimento de Teodoro no início deste ano.

Relatórios indicam, no entanto, que ele não ordenou as mulheres da maneira tradicional, com a imposição de mãos no altar, mas as "consagrou" ao lado.

Frost disse que a cerimônia parecia uma "mistura" da ordenação de diáconos e da benção dos que entram ao subdiaconato, a mais alta das ordem menores na Igreja Ortodoxa, possivelmente para se esquivar da pressão de partes da Igreja que resistem à ideia de conferir grandes ordens a mulheres.

"Há uma fidelidade à tradição que às vezes emerge como resistência à mudança", disse Frost. Muitos ortodoxos têm receio de romper com a tradição, ela disse, e ver o declínio na adesão de outras igrejas como evidência de que a forma do passado é o caminho do futuro para a Igreja Ortodoxa.

"Eles veem [o diaconato feminino] como um terreno escorregadio", afirmou. "É um medo de se render ao que percebem ser o mundo secular em geral, como se caso façam as coisas de outra forma na Igreja Ortodoxa, mesmo que seja um retorno a algo que ocorreu historicamente, como o diaconato feminino, seria render-se a pressões seculares de modernidade e mudança".

Por isso, a decisão do Patriarcado de Alexandria pode ter um grande impacto. Os bispos ortodoxos não respondem diretamente a um papa ou líder patriarca e tecnicamente poderiam passar a ordenar mulheres como diaconisas, mas provavelmente não vão fazê-lo, já que aparentemente tal atitude poderia causar conflitos. Em uma igreja muito preocupada com o precedente, o Patriarcado "realmente nos deu um exemplo de uma igreja local... ao tomar essa decisão internamente", disse Frost.

Em última instância, afirmou, a questão das diaconisas é uma questão das necessidades da Igreja moderna, muitas das quais ela acredita que as diaconisas poderiam ajudar a satisfazer, citando o ministério feminino como um exemplo importante.

"Não quero colocá-las em gavetas num ministério de mulher para mulher, mas acho que é algo que daria à Igreja o que ela não tem neste momento", afirmou.

Ela também observa que, no caso do Patriarcado de Alexandria, as mulheres foram escolhidas "para ajudar com o trabalho missionário. A igreja está crescendo rapidamente na África; não há padres suficientes, não há pessoas suficientes trabalhando... e eles gostariam que essas mulheres pudessem ensinar, catequizar e gerir serviços momentaneamente".

A revitalização de uma ordem feminina do diaconato na Igreja Ortodoxa poderia influenciar o trabalho da Comissão do Papa Francisco que está estudando a possibilidade de haver mulheres no diaconato da Igreja Católica, que tradicionalmente reconhece a validade dos sacramentos ortodoxos.

"Tenho certeza de que há muito diálogo na Santa Sé neste momento sobre relações católico-ortodoxas a respeito desta questão", disse ao NCR William Ditewig, teólogo, diácono católico e ex-chefe da Secretaria dos Bispos dos EUA para o Diaconato.

Enquanto as duas igrejas estão considerando a possibilidade de nomear mulheres para o diaconato, o movimento da Igreja Ortodoxa não deve ser visto como um passo em direção ao sacerdócio feminino. "Não há nenhum movimento [a favor da ordenação sacerdotal feminina]", disse Frost a respeito da Igreja Ortodoxa.

"Na Igreja Ortodoxa, o diaconato é um ministério que está em um nível diferente dos bispos e [padres]", disse o padre ortodoxo Steven Tsichlis ao NCR. "É possível alguém ser ordenado para o diaconato e permanecer diácono a vida inteira; o diaconato não deve ser visto como um mero passo ao sacerdócio e ao episcopado na Ortodoxia — embora às vezes seja, atualmente".

"Tem que ver com vocação", disse Ditewig. O diaconato "não é um sacerdócio menor. É, em si, uma vocação."

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