O nível do mar poderia subir repentinamente 189 cm até 2100

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31 Outubro 2017

O nível dos oceanos e mares pode subir de repente, muito mais rapidamente do que o havia sido calculado anteriormente. A partir de uma série de estudos é sugerido um cenário que, na pior das hipóteses, pode levar até 2100 a uma elevação de 189 centímetros. O suficiente para ameaçar as pessoas que vivem nas grandes cidades e assentamentos costeiros em todo o mundo.

A reportagem é de Matteo Marini, publicada por Repubblica, 29-10-2017.

Os terraços de corais fósseis. Os indícios do que nos espera de agora até o final do século vêm do passado, começando com os fósseis dos recifes de coral do Golfo do México, ao largo da costa texana. Para sobreviver, esse tipo de organismo deve permanecer perto da superfície. Cerca de 12.000 anos atrás, no final da última era glacial, o nível do mar subiu e forçou o recuo dos recifes em direção à terra para permanecer em águas mais rasas, formando assim terraços.

De acordo com pesquisas da Universidade Rice, de Houston, justamente a presença desses terraços testemunha como a elevação do nível do mar tenha ocorrido de forma repentina e não gradual: na ordem de vários metros em questão de décadas, não de séculos. Provavelmente desencadeada pelo colapso das calotas polares.

Aconteceu em tempos pré-históricos, quando não havia cidades, e principalmente quando a população mundial era inferior ao número de habitantes da atual cidade de Roma. Essas perspectivas redesenham as fronteiras dos continentes e dos próprios assentamentos humanos.

O colapso do gelo na Antarctica. No extremo sul, as coisas não são melhores. Os pesquisadores da Universidade de Cambridge, do British Antarctic Survey, e do Bolin Center for Climate Research de Estocolmo descobriram ranhuras no fundo do mar sob Pine Island e o glaciar Thwaites, deixadas durante o recuo do gelo no mesmo período, cerca de 12 mil anos atrás, quando também recuaram os corais do Texas. O detalhe interessante é que essas faixas estão localizadas a uma profundidade de mais de 800 metros. Uma vez que um décimo do gelo que flutua permanece acima da superfície, estima-se que a parte emersa formasse paredes de aproximadamente 100 metros. Um limite além do qual se prevê um colapso. E quando a frente de uma geleira desmorona enfraquece e expõe a parte posterior.

Quando se fala de derretimento do gelo é necessário fazer uma distinção. As plataformas que flutuam na água na borda das geleiras polares, derretendo, não contribuem para a elevação dos mares porque já estão imersas na água. O seu desaparecimento, no entanto, pode desestabilizar as massas glaciais ainda no continente.

A rápida elevação dos oceanos no final da última era glacial, portanto, poderia estar ligada ao rápido derretimento das geleiras desencadeado por mecanismos como este. E isso é o que poderia acontecer nos próximos anos. Os glaciares de Pine Island e Thwaites estão de fato mostrando há tempo um evidente recuo, o mais veloz de todo o continente antártico.

Emissões e elevação dos oceanos. Qualquer estudo que diz respeito às alterações climáticas enfatiza a responsabilidade do homem no aumento da temperatura global. A pesquisa de uma equipe de climatologistas da Universidade de Melbourne, publicada na Environmental Research Letters investigou os vários cenários possíveis com base no sucesso que poderão ter as políticas de redução das emissões de gases de efeito estufa nos próximos anos.

Se as reduções não forem cortadas e, em caso de forte crescimento econômico durante este século, o nível dos oceanos poderia aumentar de um metro e meio até quase 190 centímetros até o 2100 (19 milímetros por ano). Uma projeção bem pior daquela estimada pelo IPCC (Intergovernal Panel on Climate Change) em 2013, que calculava pouco acima dos 80 centímetros. A previsão mais otimista fornece, ao contrário, um incremento de 34-75 centímetros, desde que seja possível conter a temperatura dentro de 2 graus Celsius acima do nível pré-industrial.

As estimativas que são apresentadas ao longo dos anos só pioram. Mesmo quando as medições são recalculadas, o objetivo de mitigar as mudanças climáticas parece cada vez mais distante. A última pesquisa realizada por instituições francesas sobre a temperatura das águas e que foi publicada pela Nature Communications, piora, se possível, essas perspectivas.

De fato, parece que milhões de anos atrás os oceanos fossem muito mais frios do que se pensava; um erro devido ao cálculo dos isótopos de oxigênio nos fósseis de alguns microrganismos, as foraminíferas. A elevação das temperaturas registrada nas últimas décadas representaria, portanto, uma anomalia extraordinária e não uma flutuação ‘natural' dos equilíbrios planetários. Causada também pela intervenção humana. Um elemento a mais que alerta a sociedade e os governos a assumir as próprias responsabilidades.

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