25 milhões de pessoas no mundo são escravas, segundo dossiê de Cáritas da Itália

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27 Outubro 2017

"Nós sabemos que há milhões de homens e mulheres e até crianças escravos do trabalho! Em nossos dias existem escravos, são exploradas, escravos do trabalho e isso é contra Deus e contra a dignidade da pessoa humana". Como prova da denúncia contundente do Papa Francisco, pronunciada durante a audiência geral em 12 de agosto de 2015 e reiteradas em vários apelos e declarações, chega o dossiê da Cáritas italiana com o título “Para um trabalho digno. Bem comum e direitos na Ásia e no mundo”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 25-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

O documento - que é publicado na véspera da 48ª Semana Social dos católicos que se realiza de 26 a 29 de outubro, em Cagliari, dedicado ao tema do trabalho - cita dados e testemunhos para comprovar que hoje no mundo existem "cerca de 25 milhões pessoas em situação de trabalho forçado, dos quais 16,5 milhões na Ásia e no Pacífico, 3,4 milhões na África, 3,2 milhões na Europa e na Ásia Central, 1,3 milhões nas Américas e 350 mil nos Países árabes".

A própria Itália é atingida por este flagelo, "basta pensar – ressalta a Cáritas - no fenômeno da exploração dos trabalhadores sazonais e na contratação ilegal, com um custo para os cofres do Estado, em termos de evasão fiscal, não inferior a 600 milhões de euros por ano". E não devem ser esquecidos os 400.000 trabalhadores agrícolas (dos quais 3/4 estrangeiros) "que diariamente se colocam nas mãos do cabo de plantão para ganhar o dia".

Claro, nada a ver com países como a Coreia do Norte de Kim Jong Un onde quase 5% da população são reduzidos ao estado de escravidão (mais precisamente 4,3%, a percentagem mais elevada) ou a Índia, onde a o rápido crescimento econômico (projetado para 5,7% para 2016 e 2017, em comparação com 6,3% no ano anterior) anda de mãos dadas com o aumento fenômenos de exploração, crime e corrupção.

No geral a Ásia, continente que reúne 60% da população mundial, é a zona do planeta que, apesar do enorme potencial, registra os maiores problemas e as mais profundas contradições: de acordo com o Banco de Desenvolvimento Asiático, existem pelo menos 500 milhões de trabalhadores desempregados ou subempregados, que correspondem a oito ou nove vezes toda a população italiana. E, ao mesmo tempo, 122 milhões de crianças entre 5 e 14 são forçadas a trabalhar para a própria sobrevivência.

De acordo com a Cáritas italiana são principalmente cinco os desafios a serem enfrentados, na Ásia e no resto do mundo, para alcançar objetivos como o pleno respeito pelos direitos, a proteção da dignidade humana e a orientação para o bem comum: "A segurança e as condições de trabalho; os salários muito baixos; o trabalho infantil; os fenômenos de aquisição e expropriação das terras; a disparidade de tratamento entre homens e mulheres".

Para a entidade, "é vital aceitar o desafio de padrões mínimos de trabalho para todas as mulheres e homens no planeta, em especial lutando contra as formas de escravidão moderna. Que não são fenômenos do passado, mas, infelizmente, realidades ainda presentes". Também são necessárias políticas públicas adequadas que conduzam a uma responsabilidade geral por uma iniciativa privada respeitosa com as pessoas, bem como um quadro normativo para proteger os direitos, principalmente daquelas pessoas que hoje são reconhecidas como "fracas".

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