Exploração e mineração na Amazônia venezuelana

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Por: Lara Ely | 03 Outubro 2017

Ao sul do rio Orinoco, em uma área maior do que o território da Bulgária, Libéria ou Cuba, estão as maiores riquezas minerais da Venezuela. Minérios como ouro e diamante descansam nas entranhas do Maciço de Guayanés por milhões de anos. É lá que fica o cinturão de Orinoco, na fronteira da Venezuela com o Brasil, local onde vivem os Yanomami e que representa o maior território indígena coberto por floresta em todo o mundo.

Como a maioria dos povos indígenas do continente, os Yanomami provavelmente migraram pelo Estreito de Bering entre a Ásia e a América cerca de 15 mil anos atrás, seguindo lentamente para a América do Sul. Com mais de 9,6 milhões de hectares, o território Yanomami no Brasil é o dobro do tamanho da Suíça. Na Venezuela, os Yanomami vivem na Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, de 8,2 milhões de hectares.

Palestrante da conferência A Queda do Céu. Palavras de Um Xamã Yanomami. Obra de Albert Bruce e Davi Kopenawa no mês de agosto no IHU, o professor adjunto de Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC José Antonio Kelly Luciani falou recentemente sobre a questão dos Yanomami. Ao analisar a obra do xamã Kopenawa, ele diz que “o autor revela no seu livro uma inclinação propriamente filosófica de questionamento contínuo sobre a vida e o cosmo Yanomami, os motivos de seus ancestrais, a sociabilidade dos espíritos etc., assim como a vida e as motivações dos brancos, particularmente informado por sua experiência do interesse incessante dos brancos pela terra dos índios, pelos minérios e pelas mercadorias”.

 


 

 

O que ameaça sua soberania nos dias atuais é a ação de garimpeiros, que trabalham ilegalmente transmitindo doenças mortais como malária e poluindo os rios e as florestas com mercúrio. Pecuaristas estão invadindo e desmatando a fronteira leste de suas terras. A saúde Yanomami está debilitada e serviços médicos essenciais não chegam a eles, especialmente na Venezuela.

Para piorar, em fevereiro de 2016, o presidente Nicolás Maduro decretou esse território como a Zona Nacional de Desenvolvimento Estratégico do Minério do Orinoco, uma ideia que Hugo Chavez, seu antecessor em exercício, anunciou ao país em 2011. A iniciativa de Maduro vem como uma tentativa desesperada de preencher os cofres da nação.

 

A riqueza insuficientemente explorada dos depósitos minerais é o incentivo oferecido aos investidores nacionais e estrangeiros, que se apressaram em criar empresas para obter maiores vantagens dessa nova oportunidade de fazer negócios com o Estado. Para financiar o projeto de mineração em larga escala, o governo venezuelano afirmou ter convocado 150 empresas venezuelanas e estrangeiras, mas apenas 16 assinaram acordos e quatro joint ventures foram criadas, das quais apenas uma tem presença visível na parte oriental do país.

Os mais afetados são os povos indígenas que, desde os tempos ancestrais, ocupam o território interposto, bem como os ecossistemas de interesse global, já que o Orinoco faz parte da Amazônia. O projeto progride sem os estudos de impacto ambiental e sociocultural correspondentes. Até o momento, a região foi reduzida a uma promessa impraticável do governo de reinvestir o lucro da mineração em dividendos para os setores mais pobres da população.

Em região próxima a Orinoco, o governo brasileiro recentemente ameaçou adotar postura semelhante ao venezuelano. Foi por pouco que a Reserva Nacional de Cobre e Associados - Renca, na floresta amazônica, não virou alvo da exploração das mineradoras. Com a reação de ambientalistas e da comunidade internacional após a liberação da atividade na área, o presidente Michel Temer precisou voltar atrás e anunciou a extinção total do decreto que previa a abertura da área para a entrada de empresas de mineração.

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