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01 Agosto 2017

“Este dia festivo de Santo Inácio de Loyola é um bom momento para parar e refletirmos a partir do famoso poema de Niemöller à luz do chamado evangélico a amar o próximo. Vemos o mundo como o nosso lar comum, onde trabalhamos em conjunto para o bem de todos?”, escreve Alex Mikulich, eticista social antirracista e ativista, publicado por National Catholic Reporter, 31-07-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o texto.

Com a chegada do Dia de Santo Inácio de Loyola, 31 de julho, vale pararmos e refletir a partir das palavras sensatas do Papa Francisco dirigidas à 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus em outubro de 2016. O papa afasta a nossa atenção para longe de nós mesmos e a leva em direção à necessidade de enxergarmos a totalidade da criação divina juntos. Precisamos da sabedoria de Francisco e de Inácio para resolver a desunião comum nestes tempos problemáticos.

Francisco lança mão do trabalho inicial de Santo Inácio de Loyola e da “companhia de Jesus” original para propor um jeito de ver o mundo como a nossa própria casa. Nesta “casa mundial”, a obra comum deve ser um trabalho comunal de amor ao próximo para o “benefício frutífero” de todos.

Inácio primeiro buscou pessoas que desejavam bem do próximo, especialmente o bem dos mais vulneráveis. Francisco e Inácio nos lembram como o amor de si, o amor pelo próximo e o amor por Deus estão vinculados profunda e inextricavelmente entre si.

Entretanto, a condição da possibilidade desta obra comum em si parece estar ameaçada pela atual presidência e pelo Congresso [americano]. A obra comum de amor ao próximo está se desfazendo, pois muitos americanos parecem ter se acostumado com o autointeresse à custa de ver o bem de todos.

Abundam os exemplos do fracasso em percebermos a nossa obra e condição comuns. Um exemplo vem da pequena comunidade cristã em Michigan que certa vez orgulhou-se de ajudar este estado a eleger um novo presidente. Cristãos caldeus do sul de Michigan apoiaram o candidato republicano à presidência, que prometia proteção aos cristãos fugidos da violência no Oriente Médio. Hoje, estes cristãos caldeus veem as autoridades imigratórias adentrarem suas casas a força e levar presos seus entes queridos.

Devemos todos nos espantar com as palavras de Nadine Yousif, advogada que trabalha para a CODE Legal Aid, organização local de Michigan que coordenou a resposta dada às ações de deportação efetuadas por agentes imigratórios. “Achávamos que isso não se aplicava a nós”, disse ela.

Este comentário me faz lembrar do famoso poema do pastor Martin Niemöller, “Quando os nazistas vieram atrás dos comunistas”. Talvez cada um de nós deveria reescrever este poema sob a inspiração de Francisco e Inácio.

Eis a minha tentativa (certamente os leitores poderão contribuir para esta lista incompleta).

Primeiro, vieram buscar os muçulmanos, e eu não protestei porque não sou muçulmano. Depois, vieram buscar os trabalhadores do campo, mas eu não protestei porque não sou trabalhador do campo. Então, vieram buscar os afro-americanos, mas eu não protestei porque não sou afro-americano. Em seguida, vieram buscar os portadores de deficiência, mas eu não protestei porque não sou deficiente. Daí vieram buscar os cientistas, mas eu não protestei porque não sou cientista. Após isso, vieram buscar as lésbicas, os gays, as pessoas bissexuais e transexuais, e eu não protestei, pois eu não era uma pessoa LGBT. Depois ainda, vieram buscar os judeus, e eu não protestei porque não era judeu. Daí então vieram me buscar, e não restava ninguém para protestar por mim.

Há também o ADAPT, sigla para “Americans Disabled for Public Transit”, organização de 43 anos voltada aos direitos dos deficientes e que realizou um protesto no departamento de Mitch McConnell, líder da maioria no Senado, em 22 de junho. Estas pessoas se colocaram como testemunhas do fato de que o programa de assistência à saúde – delas e de todos os americanos – estava em perigo. O protesto deixou claro que a proposta do Senado para a área da saúde era inconcebível diante do ataque aos cidadãos mais vulneráveis, incluindo crianças, idosos e milhões de pessoas que mal conseguem fazer face às despesas. Cuidar dos mais vulneráveis entre nós não deve soar como politicamente correto; é um ato humano e cristão.

Este dia festivo de Santo Inácio de Loyola é um bom momento para parar e refletirmos a partir do famoso poema de Niemöller à luz do chamado evangélico a amar o próximo. Vemos o mundo como o nosso lar comum, onde trabalhamos em conjunto para o bem de todos? Percebemos como o amor ao próximo, o amor a si e a Deus estão entrelaçados inextricavelmente? Nunca em minha vida vivi uma ameaça tão profunda à obra comum do amor ao próximo surgindo dos corredores mais elevados do poder.

Tampouco Mateus 25 alguma vez ressoou tão profundamente quanto hoje: “Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram”.

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