Na Amazônia brasileira. Quando o Evangelho fala ticuna

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21 Julho 2017

Na manifestação que, recentemente, os nativos brasileiros organizaram na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, encenando um funeral simbólico para relembrar a morte dos defensores de suas terras ancestrais (embora 13 por cento do território seja considerado propriedade indígena), não participou nenhum representante da tribo ticuna, a mais numerosa das duzentos e quarenta que vivem no Brasil. Isso não é porque os ticunas não compartilhem o mesmo legítimo protesto ou estejam satisfeitos com a sua situação, para a qual eles também, anos atrás, já pagaram seu tributo de sangue. Trata-se, sim, de uma ausência ditada, em parte, por sua peculiar índole e, em parte, por sua história.

A reportagem é de Egidio Picucci, publicada por L'Osservatore Romano, 19-07-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

"A sua grandeza de espírito - explica Alcimar Caldas Magalhães, bispo emérito do Alto Solimões, onde vivem os ticunas - os ajudou a se adaptar à vida moderna, mesmo preservando costumes e tradições tribais, misturadas com os valores da honestidade, transparência, pureza e busca constante pela paz com todos, através do diálogo". E também graças ao mais que centenário trabalho dos missionários capuchinhos italianos, especialmente em Belém do Solimões, centro espiritual da tribo.

Desde o início, os missionários tentaram educar as pessoas a respeitar a dignidade do outro, a valorizar a cultura, a língua, as tradições, os costumes e os rituais nas mais de setenta aldeias onde vivem os indígenas, acessíveis apenas por barco, após dias e dias de navegação. Obviamente não fizeram "milagres", apesar das crônicas missionárias contarem detalhadamente as iniciativas para a formação humana do indivíduo, confiada não apenas à escola, mas também à proposta de um trabalho digno e rentável com a construção de fornos, a abertura de serrarias e madeireiras.

Hoje, com a colaboração dos laicos, os missionários favoreceram a criação da associação Mapana (nome da primeira mulher mitológica ticuna) formada principalmente por mulheres, que abriu numerosos postos de trabalho, incentivando a produção agrícola com novas técnicas e novas plantações confiadas aos jovens, procurando afastá-los do álcool e das drogas.

Ao lado da associação Mapana cresceu o projeto Curupira (criança) nascido para fortalecer a unidade familiar e garantir um firme percurso de formação aos pequenos, encaminhando-os a um crescimento com dignidade, bem como à formação de uma consciência social com as atividades previstas por um programa elaborado na comunidade: esportes, ginástica, capoeira, dança, canto, música e cursos de informática, abertos também aos líderes da tribo, aos chefes de aldeias e conselheiros de saúde, incentivados a promover uma saudável liberdade pessoal e social. A mais recente realização diz respeito à abertura da Fazenda da Esperança, um centro de reabilitação para os portadores da hanseníase dos dias atuais: as vítimas do álcool, AIDS e drogas que está exterminando a juventude, considerando que a Amazônia é uma das rotas preferenciais do tráfico internacional de drogas.

A essas iniciativas alia-se à catequese no idioma ticuna - não imposta, mas que cresce ao lado da cultura e da religiosidade da etnia – da qual participam uma centena de grupos de jovens e crianças (trezentos apenas em Belém) para um total de mais de mil participantes, espalhados em trinta aldeias, confiados a mais de quarenta catequistas da tribo e visitados pelo menos uma vez por mês pelo missionário. Com eles e para eles trabalha-se para salvar a cultura indígena, organizando a cada ano o festival indígena do Eware e as "olimpíadas", das quais participam centenas de jovens que estão redescobrindo a beleza da vida.

"O maior desafio aceito pelos missionários - acrescenta D. Magalhães - foi conseguir fazer com que convivessem juntas dezessete diferentes etnias, melhorando a atenção ao homem, ao cidadão e, em geral, a toda a vida pública e formando aqueles que irão se ocupar do desenvolvimento futuro, principalmente os políticos. Discutimos longamente com duzentos e oitenta entidades diferentes pela promoção; trabalhamos com conselheiros locais para elaborar projetos coletivos para melhorar a educação, a saúde, o trabalho, a ajuda a mulheres abandonadas por seus maridos, melhorando significativamente a vida familiar. Vivemos anos intensos construindo escolas e centros polivalentes, instalando painéis solares, construindo dois hospitais, formando homens capazes de liderar a sociedade amazônica na rápida transição de canoa ao avião. Estamos ainda no início, é claro, mas o encontro com alguns dos nossos indígenas empenhados em contatos europeus e americanos, mostra-nos que nem tudo foi em vão".

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