“Mais mulheres no poder não acaba com a ordem patriarcal”, afirma arqueóloga das identidades

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19 Julho 2017

Almudena Hernando é professora titular no Departamento de Pré-História da Universidade Complutense de Madri, pertence ao Instituto de Pesquisas Feministas dessa universidade e é membro do grupo de trabalho Archaecology and Gender in Europe (AGE).

A pesquisadora realizou trabalho de campo com os Q’eqchí da Guatemala, os Awá-Guajá do Brasil, e os Gumuz e os Dats’in da Etiópia. Seus trabalhos refletem sobre o modo como se constrói a identidade humana, tanto em sociedades orais como na modernidade.

Estando em Buenos Aires para dar cursos de especialização na Universidade Nacional de La Plata (UNLP) e de doutorado na Universidade de Buenos Aires (UBA), Hernando conversou com o jornal Página/12 sobre a relação entre corpo, cultura material e construção de gênero, a identidade das mulheres ao longo da história, seus projetos atuais na Etiópia, e as lógicas absurdas que reproduzem a desigualdade de gênero em sociedades que ainda tem muito de patriarcais.

A entrevista é de Bárbara Schijman, publicada por Página/12, 17-07-2017. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Como surge para você o interesse em se aprofundar na temática da identidade?

Descobri isto de maneira imprevista. Em 1990, fui com uma ONG a Guatemala, com a necessidade de sair da Europa e da universidade. Na Guatemala, destinaram-me a uma região onde viviam os Q’eqchí. Aprendi que eles tinham uma maneira de compreender o mundo e de compreender a eles próprios que era muito diferente da minha. Notei que tinham uma concepção diferente do que é o espaço e o tempo. Sendo assim, comecei a pesquisar o que é o espaço e o que é o tempo. Até esse momento, como historiadora, havia dado por certo que o espaço era algo objetivo, algo que está aí fora, igual para todo mundo, mas com eles descobri que há formas de compreender essas dimensões que variam culturalmente.

Percebi, então, que aquilo que estava estudando era como se constrói a identidade, e que dependendo do modo como uma pessoa constrói a realidade, faz uma ideia distinta de quem é. A partir disto, compreendi que estava me envolvendo no estudo da identidade e de como ela se constrói. Ao mesmo tempo, descobri que quando os Q’eqchí entram em contato com o mundo ocidental, quem tem o poder é o mundo ocidental. Paralelamente, na medida em que avançava minha vida pessoal, percebia que nós, homens e mulheres, temos e tivemos historicamente diferentes maneiras de compreender a realidade e diferentes reações emocionais, e que essa diferença se expressava em uma desigualdade de poder em favor dos primeiros. Há pouco, perguntei-me o que tinha a ver essa relação entre os indígenas Q’eqchí, o mundo capitalista e as relações de gênero. As coisas foram se conectando e acabei estudando como se constrói a identidade no presente e no passado.

O que esta experiência trouxe?

O que via é que os homens, no mundo ocidental, haviam desenvolvido uma identidade do Eu, uma identidade individualizada, que é uma identidade que se associa a uma desconexão emocional do mundo, e isso só acontece quando se tem a sensação de controlar parte do mundo. A ideia do Eu se associa à ideia de poder. As mulheres não tiveram essa identidade do Eu até a modernidade. Nos grupos indígenas, via que não havia individualidade, que neles não havia se desenvolvido a ideia do Eu como nós a compreendemos. Para eles, a identidade era basicamente relacional, uma identidade de adscrição ao grupo que é a identidade dominante, diferente da identidade do Eu e a individualidade que caracteriza o capitalismo. Foi assim que comecei a estudar estas duas categorias: a individualidade e a identidade relacional. A partir disto, conclui que nem as mulheres do mundo ocidental haviam desenvolvido a individualidade até chegar à modernidade, nem os povos indígenas como os Q’eqchí (que são agricultores da roça) são assim hoje em dia.

Por que não?

As identidades são todas operativas, porque tem como principal função nos devolver a sensação de que estamos seguros no mundo. Que não tenham desenvolvido a individualidade, não significa que devia ter sido assim e não a desenvolveram. Tampouco significa que sejam mais atrasados ou menos valiosos, como muita gente pensa. Justamente, isto é o que confunde, porque temos uma mentalidade própria da Ilustração, onde a individualidade é o objetivo do progresso. Trata-se de um pensamento muito evolucionista e absurdo. O que acredito é que cada grupo humano desenvolve um tipo de identidade que lhe garante uma sensação de segurança. Tudo depende do grau de controle material que uma pessoa tenha do mundo: quanto maior o grau de controle material, mais individualizada será a identidade. Se você tem pouco controle material, a identidade será mais relacional, de adscrição a seu grupo, mas isto trará a você a mesma sensação de estar seguro no mundo.

Como seus estudos sobre a individualidade se relacionam com a violência contra a mulher?

É importante dizer, para começar, que a individualidade que o homem ocidental foi construindo é uma fantasia. Nenhum ser humano pode prescindir da vinculação a um grupo de pertença; ou seja, em nenhum caso, ainda que adquiramos graus distintos de individualidade, podemos prescindir da identidade relacional, porque sem nos sentir vinculados a um grupo, a uma comunidade, ficaria evidente a nossa impotência pessoal. No entanto, na medida em que os homens desenvolviam a individualidade, deixavam de prestar atenção em sua necessidade de estabelecer vínculos, considerando aqueles que se dedicavam a isso como inferiores, mais atrasados ou menos inteligentes. Contudo, não por isso que essa necessidade deixava de existir neles próprios.

Em minha opinião, o que aconteceu é que na medida em que se individualizavam, os homens do mundo ocidental foram depositando a função de construir os vínculos que eles necessitavam em mulheres nas quais impediam de se individualizar, e com quem, portanto, estabeleciam relações desiguais de gênero, através de uma heterossexualidade normativa. Um homem que não cultivou em si mesmo a identidade relacional, que não dedicou esforço e emoção para construir vínculos, necessita inexoravelmente que alguém lhe garanta, e esse alguém será uma pessoa tão necessária para ele, como desprezada pelos valores que encarna.

Ao analisar as origens da desigualdade, seus trabalhos partem das sociedades caçadoras-coletoras. Por quê?

Porque não acredito que seja possível compreender processos complexos sem analisar sua origem e trajetória, e no início de todas as histórias as sociedades eram caçadoras-coletoras. Se se comprova que existe alguma regularidade em todas as atuais, podemos nos atrever a pensar que também devia existir nas do passado. E essa regularidade existe. Em todas elas, em razão da gestação e da amamentação inicial - das quais as mulheres é que se encarregam -, observa-se uma divisão de funções em que os varões realizam as atividades que mais risco e mobilidade requerem.

Como nas sociedades orais a realidade só está integrada por aqueles fenômenos e parte da natureza que se percorreu pessoalmente - já que não existem os mapas -, se os homens iam um pouco mais longe ou se enfrentavam riscos um pouco maiores, construíam o mundo de maneira sutilmente distinta ao modo como as mulheres fariam. Precisavam ter um grau ligeiramente superior de assertividade ou de capacidade para tomar decisões, e acredito que isto pode marcar o início do processo de sua individualização. Se iria assumindo que eles tinham maior capacidade para tomar decisões e ocupar posições de progressivo controle material do mundo, o que se traduziria em um maior nível de individualização. E na medida em que isto ocorria, iriam deixando de conferir importância aos vínculos dentro do grupo.

Ao invés disso, ao que conferiam importância?

Já não consideravam que a chave de sua força e de sua segurança estivesse na pertença ao grupo e nos vínculos estabelecidos dentro deste, mas, ao contrário, em sua particular capacidade para pensar e atuar sobre o mundo de acordo com a razão. Desta maneira, acabou se constituindo progressivamente uma identidade de gênero masculina baseada em traços como a competitividade, a priorização dos próprios desejos, ou o domínio e o controle de si mesmo, das próprias emoções e dos demais, que, no entanto, necessitava de relações desiguais de gênero para poder se sustentar. E estes ideais do que é um “homem” e o que é uma “mulher” são perpetuados hoje em dia.

Em quais situações cotidianas se reflete a presença destes ideais?

Acredito que estes “ideais” são perpetuados através da socialização no lar, os brinquedos, os meios de comunicação. As ficções audiovisuais educam os varões para que não sintam interesse e nem empatia pelas mulheres, ou para que desliguem o desejo sexual das emoções, entre outros exemplos. Os valores e atributos masculinos se relacionam com o individualismo, a autossuficiência, a dominação, a falta de empatia e o poder. É por isso que a lógica do patriarcado está em estreita aliança com o capitalismo. Por exemplo, através da publicidade de brinquedos, das cores, os objetos, através do que é sensorial, o que é objeto e o que é ação, em tudo isso também se transmite muitíssima informação, muita socialização, muita identidade.

Outro exemplo cotidiano: em todo o mundo dos youtubers, que é algo concorrido entre os adolescentes e as adolescentes, há um claro viés de gênero. As youtubers que mais êxito têm entre as adolescentes, o que fazem é reproduzir a ideologia patriarcal. São programas de beleza, de moda, que sempre tem a ver com voltar a colocar a mulher na posição de sua identidade de gênero tradicional, ainda que isto disfarçado de aparente pós-modernidade.

A violência machista aumentou ou finalmente começa a ter visibilidade?

Possivelmente, as duas coisas. Acredito que a mulher está se animando a denunciar mais. É provável que a violência contra a mulher tenha crescido, porque as mulheres estão se vendo desse lugar subordinado no qual estiveram historicamente e estão se vendo porque estão se individualizando. Já não se conformam em ser o apoio emocional de um homem que é o que possui o poder, mas, ao contrário, elas estão se empoderando. O que está ocorrendo agora é que estes homens com masculinidade hegemônica, patriarcais típicos, estão começando a experimentar que as mulheres das quais necessitam para lhes garantir o vínculo, começam a ir, correm desse lugar, e então se deparam com o fato de que eles não podem se sustentar. Os homens patriarcais desvalorizam a mulher que possui uma forma de identidade que eles não valorizam, e que por isso não desenvolvem. Mas, como dizíamos antes, quanto mais se despreza, mais se necessita. E quanto mais se necessita, mais se despreza. Sendo assim, quando essa pessoa parte, o resultado costuma ser a agressão e, inclusive, como se observa diariamente, o feminicídio.

Frente ao futuro, que sociedade imagina em termos de igualdade de gênero?

A igualdade entre homens e mulheres não será conquistada quando nós, mulheres, formos como os homens, mas, ao contrário, quando os homens reconhecerem a importância que a identidade relacional possui para eles, ou seja, quando os homens forem como as mulheres individualizadas da modernidade e darem a mesma importância ao relacional, como ao individual. A mudança vem pelo lado das mulheres. Os homens não mudarão por si mesmos, porque implicaria perder sua posição de privilégio. Só irão nesse caminho quando forem se encontrando com companheiras e mães que busquem, elas próprias, a igualdade. Sendo assim, somente com o apoio e com a complementaridade de mulheres que tenham claro o que é a igualdade é que eles irão mudando.

Isto se dará rapidamente? Acredito que não, porque cada vez que se dá um passo à frente, o sistema patriarcal dá dois passos para trás, o sistema reage, brutal e sutilmente, mas reage. A violência machista é coisa de todos os dias. Há uma quantidade crescente de feminicídios no mundo inteiro, mas também a violência se dá em outras escalas, por meio da publicidade, do cinema, e por meio de uma infinidade de dispositivos que continuam reproduzindo a ideologia patriarcal, de formas que, às vezes, é difícil discernir. A mulher pode ir conquistando terreno em postos de poder, mas isso não significa necessariamente colocar em jogo a mentalidade patriarcal. É muito desejável que haja mais mulheres no poder, mas o essencial é acabar com a mentalidade que idealiza só o associado à individualidade (a razão, o poder, o controle tecnológico) e não valoriza o associado ao relacional (os vínculos, a comunidade, etc.). As duas coisas devem ser igualmente valorizadas em uma sociedade de iguais. Por isso, sustento que mais mulheres no poder não acaba com a ordem patriarcal.

Nos últimos anos, surgiram no mundo coletivos sociais como o Ni Una Menos, na Argentina, cujas denúncias marcam um antes e um depois na sociedade. O que acontece na Espanha em termos de violência machista?

Sem dúvida alguma, acredito que todos estes movimentos, como o Ni Una Menos, são muito importantes porque o que fazem é ir ampliando a consciência de que a luta pela igualdade de gênero é uma luta básica da justiça. No entanto, como dizia antes, vejo um futuro difícil, porque a ordem patriarcal é o que rege o poder do mundo. A ordem neoliberal é uma ordem basicamente patriarcal e seus adeptos irão resistir à mudança. O que vejo para o futuro é uma luta que será dura; acredito que eu não verei uma sociedade de iguais, mas também penso que cada vez estamos um pouquinho mais à gente na igualdade. Na Espanha, a violência machista registra números alarmantes de feminicídios. Esta situação cada vez é mais visibilizada, porque as mulheres estão saindo do lugar de subordinação, desse lugar onde garantiam o apoio emocional aos homens. Quando o homem patriarcal não consegue se sustentar, em uma quantidade considerável de casos sua resposta é o feminicídio.

Em que consiste o seu trabalho sobre gênero na Etiópia?

Interessa-me pesquisar através de quais mecanismos se constrói a individualidade e a identidade relacional. Penso que basicamente a individualidade se constrói através da mente, e sobretudo se desenvolve quando temos escrita; é uma identidade do Eu, é autorreflexiva, sabemos quem somos porque pensamos: eu sou o que sinto, o que penso, a que fez isto ou aquilo, a que se dedica a isto. Desta maneira, organizamos a ideia do Eu no tempo, que passa pela consciência dos pensamentos e das emoções e reside na mente. A identidade relacional, ao contrário, não é reflexiva, mas, ao contrário, é construída por meio do corpo, de nossa aparência, ações, objetos e, sobretudo, por meio dos vínculos que estabelecemos.

Neste momento, estou trabalhando com dois grupos indígenas na fronteira entre Etiópia e Sudão, os Dats’in e os Gumuz. A bibliografia os define como sociedades igualitárias, mas existe uma clara subordinação das mulheres frente aos homens, que se constrói por meio de estratégias corporais. Precisamente, tenho interesse em entender como se constrói essa subordinação através de dispositivos corporais, dos tipos de objetos ou espaços que cada gênero utiliza.

Quais são as marcas destas evidências?

Interessa-me analisar qual é o dispositivo que opera para que as mulheres assumam como natural sua inferioridade em relação aos homens. No caso das Dats’in e as Gumuz, esta subordinação se observa a partir de objetos e marcas no corpo. Por exemplo, através de colares, desde que nascem até morrerem, fabricados com contas de colares que os varões levam quando são bebês, porque estas contas de cores os protegem dos riscos do exterior. Mas, quando aprendem a caminhar, os varões os retiram, e as meninas ficam com eles até após a morte, transmitindo a mensagem de que as mulheres são mais vulneráveis que os homens. Este costume vai transmitindo mensagens ao grupo.

Do mesmo modo, tanto homens como mulheres Gumuz possuem escarificações (ou enfeites corporais, a base de cicatrizes muito volumosas). Contudo, os homens só as tem na face, indicando, como acontece também com as mulheres, que são Gumuz. As mulheres, no entanto, também as podem ter nos braços, cintura ou costa, associando assim o sofrimento à beleza. Há uma apropriação do corpo da mulher por parte do grupo, através de marcas indeléveis, que podem chegar a ser muito dolorosas e que fazem do corpo da mulher um corpo apropriado pelo grupo. Não são necessários maiores comentários para concluir que esta apropriação, de maneira muito mais brutal, ocorre no caso das Dats’in, que a partir de sua islamização, certamente, sofrem ablação do clitóris até o dia de hoje.

Uma arqueóloga das identidades

Almudena Hernando é arqueóloga de formação e profissão. Dedicou-se à etnoarqueologia, com o propósito de poder unir sujeitos com objetos, disciplina que lhe permitiu viajar para matas com as da Guatemala, Peru, Tailândia e Brasil, e trabalhar com grupos como os Awá do Amazonas ou os Q’eqchí de Alta Verapaz. Sente atração pelas diferenças e as identidades, e as raízes disto, diz, estão marcadas por sua infância.

Defende que “somos a partir de” um conjunto de fatores. E, então, quando perguntada sobre o que a levou a se adentrar no mundo das identidades, retorna ao passado: “acredito que em minha vida há um dado chave. Meus pais sempre trataram minha irmã e eu como se fôssemos iguais, cortavam o nosso cabelo igual e nos vestiam igual. Isto fez com que a diferença me atraísse, o diferente, a partir de uma forte pressão para negar a diferença”.

O interesse em compreender o que há de diferente e de comum entre diferentes humanos, fez com que se perguntasse sobre as diferenças entre homens e mulheres. Sendo assim, a pesquisadora iniciou um rico caminho entre as sociedades orais e as modernas para mostrar como a dissociação razão-emoção constitui a chave da ordem patriarcal e, a partir de uma perspectiva multidisciplinar, rastrear as trajetórias históricas diferenciadas (em termos de identidade) de homens e mulheres que deram como resultado diferentes modos de construir a individualidade moderna em umas e outras.

Almudena Hernando escreveu vários livros, entre eles: Arqueología de la Identidad (2001, Akal, Madri) e La fantasía de la individualidad. Sobre la construcción sociohistórica del sujeto moderno (2012, Katz, Buenos Aires e Madri).

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