O patriarcado, e não a natureza, torna as mulheres desiguais

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21 Junho 2017

Numa nova coleção de artigos publicados por uma faculdade pontifícia indiana, um grupo diversificado de bispos, teólogos e profissionais leigos desafia a Igreja católica global a quebrar estruturas eclesiais que colocam as mulheres em posição de desigualdade ou subserviência.

Gender Justice in the Church and Society:
Papers of the Second DVK National Seminar
on Moral Theology
(Justiça de Gênero na Igreja e na Sociedade:
Artigos do Segundo Seminário Nacional da DVK
sobre Teologia Moral)
Editado por Shaji George Kochuthara, CMI
Publicado por Dharmaram Publications,
476 páginas, US$25

Como coloca o bispo Joshua Mar Ignathios, um dos colaboradores de Justiça de Gênero na Igreja e na Sociedade: Artigos do Segundo Seminário Nacional da DVK sobre Teologia Moral (Gender Justice in the Church and Society: Papers of the Second DVK National Seminar on Moral Theology, Dharmaram Publications, 476 páginas, US$ 25): as mulheres que oravam com os homens nos relatos do Evangelho não estavam lá "para cozinhar para eles, mas para orar junto com eles".

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 14-06-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

"O ideal brilha, mas o real às vezes envergonha", escreve Ignathios.

O bispo, chefe da Eparquia Syro-Malankara de Mavelikara, no estado de Kerala, no sul da Índia, critica o sistema patriarcal da Igreja e diz que "não há absolutamente nenhuma dúvida" de que homens e mulheres tiveram papéis iguais nas Escrituras.

"O patriarcado, por sua própria natureza, é explorador", escreve. "Ele não facilita a mudança da situação subordinada das mulheres de forma significativa".

Ignathios é um dos 36 colaboradores da coleção, publicada pela editora Dharmaram Vidya Kshetram, um ateneu pontifício de teologia, filosofia e direito canônico com sede em Bangalore.

A coleção aborda sua conferência de 2014 sobre o tema, apresentando chamadas audaciosas por uma melhor inclusão das mulheres nas estruturas da Igreja e também destacando a injustiça em relação às mulheres na vida familiar, na saúde e na ação policial.

O Padre Carmelino Shaji George Kochuthara, um teólogo do Dharmaram que convocou a conferência e é editor do volume, diz em sua introdução que os organizadores escolheram o tema por suas reflexões após o brutal estupro coletivo de uma mulher em uma viagem de ônibus em Deli em 2012.

O incidente atraiu a atenção da mídia mundial e deu destaque à violência que as mulheres indianas vivenciam todos os dias. Kochuthara cita estatísticas nacionais de que foram registrados cerca de 133.000 casos de violência sexual contra mulheres indianas em 2014. Ele sugere que muitos outros provavelmente não tenham sido registrados no país, que tem cerca de 1,25 bilhões de habitantes.

Dom Felix Toppo, outro colaborador do volume, sugere que a própria estrutura da Igreja Católica, com homens em todos os papéis de tomada de decisão, leva a uma maior aceitação da discriminação e da violência contra as mulheres.

"Uma das principais razões para a desigualdade e a discriminação contra as mulheres é a Cultura Patriarcal universal", escreve Toppo, líder da Diocese de Jamshedpur no estado de Jharkhand, no nordeste da Índia.

"Na Igreja, os homens tradicionalmente recebem posições de autoridade e de liderança e as mulheres, religiosas ou leigas, geralmente ficam com papéis subservientes e não cargos com poder de decisão", continua ele.

A Irmã Carmelita Vimala Chenginimattam, teóloga do ateneu, chama atenção especial para o status das religiosas na Igreja. Segundo ela, as mulheres são "miseravelmente marginalizadas" por uma estrutura hierárquica que "não garante a participação das religiosas no planejamento estratégico ou na liderança da Igreja".

"A flagrante injustiça de rebaixar as mulheres a meras operadoras não advém da natureza, mas da sociedade e da tradição patriarcal", escreve Chenginimattam.

"A voz religiosa feminina é muitas vezes silenciada na Igreja: concretamente em suas vidas e teoricamente na liturgia e na literatura", acrescenta. "As irmãs também são frequentemente tratadas como trabalhadoras baratas... [e] suas vozes são afogadas no oceano do clericalismo".

Astrid Lobo Gajiwala, membro do comitê dos bispos indianos que elaborou o documento "Política de gênero na Igreja Católica da Índia", dá esperança para quem busca um melhor tratamento para as mulheres na Igreja.

A política de gênero, elaborada por uma equipe de mulheres e aprovada pelos bispos indianos em 2008, é o primeiro desse tipo na Igreja global. Ele pede uma melhor inclusão das mulheres em todos os níveis, com base na compreensão cristã da igualdade de gênero.

"Com este documento, os bispos estão dizendo: 'a Igreja está comprometida a fazer isso para as mulheres; estamos dispostos a disponibilizar recursos para isso", escreve Gajiwala, uma médica que lidera o banco de tecidos no Tata Memorial Hospital em Mumbai.

"Os bispos se responsabilizaram", acrescentou. "Cabe a nós, pessoas e sacerdotes, garantir que eles mantenham sua palavra".

"Mais espaços devem ser criados para que as vozes das mulheres sejam ouvidas - nos órgãos de decisão, governança, púlpitos e ministérios - e devem ser disponibilizados recursos para a capacitação necessária e para treinamento teológico para que elas possam assumir papéis de liderança na Igreja."

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