Derrubar os muros ideológicos, é por isso que toda a Europa deve acolher aqueles que sofrem

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19 Maio 2017

"Queremos acolher. E queremos continuar fazendo isso. Porque é nosso dever. Somos nós, as cidades - e não os Estados - que oferecemos uma oportunidade real de integração a imigrantes e refugiados", afirma Ada Colau, prefeita de Barcelona, Espanha, em artigo publicado por La Repubblica, 17-05-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Queremos acolher. E queremos continuar fazendo isso. É por isso que em fevereiro passado Barcelona tomou as ruas. Foi a maior manifestação na Europa em favor do acolhimento de migrantes. Nasceu por vontade da sociedade civil e com o apoio das instituições. Ficamos muito felizes de saber, portanto, que também em Milão em 20 de Maio irá reafirmar-se esta mesma vontade e a necessidade de não montar barricadas e se esconder atrás de anacrônicos muros "ideológicos" e físicos.

"Queremos acolher" não é apenas o lema que identificou a manifestação que desfilou na minha cidade, no início deste ano. É muito mais. "Queremos acolher" é a nossa resposta, da cidadania e também de muitos prefeitos, frente à chamada "crise dos refugiados" com que toda Europa precisa confrontar-se.

Queremos acolher. E queremos continuar fazendo isso. Porque é nosso dever. Somos nós, as cidades - e não os Estados - que oferecemos uma oportunidade real de integração a imigrantes e refugiados. É nas nossas ruas e em nossas praças que as pessoas deixam de ser números para tornarem-se cidadãos e cidadãs. É por isso que queremos e precisamos acolher mais pessoas e melhor.

Se não o fizermos - se não nos empenhamos em abrir a nossa comunidade e a nossa sociedade a quem deixa a sua casa e o seu país em busca de uma oportunidade para uma vida melhor em nossas cidades... os nossos filhos, os nossos concidadãos nos perguntarão onde estávamos quando na Europa se construíam muros e barreiras contra aqueles que fugiam da guerra. Acima de tudo nos perguntarão: o que fizeram para evitá-lo?

Queremos acolher. E queremos continuar fazendo isso. Porque o apelo do "povo do acolhimento" que se manifestou em Barcelona e que desfilará em Milão por um "20 de Maio sem muros" não deixa espaço para interpretações. Nós não temos desculpas para ignorá-lo. Aliás, a coragem, o entusiasmo e a abertura que tantas pessoas demonstraram, demonstram e demonstrarão nos impele com força a implementar ações concretas e políticas.

Por este motivo, é necessária a ajuda e a cooperação de muitas outras cidades do mundo. De Barcelona e Milão pode nascer uma rede internacional, capaz de indicar aos governos o melhor caminho a seguir para atender às necessidades dos migrantes, reconhecendo-os como uma oportunidade para a nossa sociedade. Queremos acolher. E queremos continuar fazendo isso. Porque, na gestão dos migrantes, a Europa está colocando em jogo o seu próprio futuro e a sua própria credibilidade. As imagens que vimos na Itália, na Grécia e em outros países estão minando o projeto europeu e as suas conquistas; estão questionando os próprios princípios básicos da Europa. Hoje, antes o perigo de uma "Europa-fortaleza", como cidade e como cidadãos, temos a responsabilidade histórica de tomar medidas para mudar a situação. Queremos acolher. E queremos continuar a fazê-lo com seriedade, mas também com alegria e entusiasmo. Porque os eventos de Barcelona e Milão nada mais são que uma festa para os cidadãos de todo o mundo, um momento de encontro e intercâmbio, cheio de música, cor, alegria e solidariedade.

Eis, agora, que emerge com força a necessidade de restaurar o valor do Mediterrâneo, de oferecer ao mundo um ponto de vista diferente para contar o que está acontecendo. Esse mar, que se transformou para muitos migrantes no "mar da morte", é, na verdade, ainda a ponte, é o lugar onde as culturas se encontram, é a riqueza dos povos que o habitam. Para que esta narrativa seja possível e evidente para todos, as cidades devem unir forças e continuar a ser um lugar de liberdade que reconhece e garante os direitos de todos os que vivem nelas. Para defender tudo isso, saímos às ruas para nos manifestar. Queremos acolher. Queremos continuar fazendo isso. E o faremos, dando o nosso apoio a Milão e a todas as cidades que quiserem juntar as suas vozes à nossa.

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