Grileiros podem ter lucrado R$ 300 milhões com a retirada de madeira ilegal de áreas de conservação da Amazônia

Revista ihu on-line

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Mais Lidos

  • Está chegando o cato-fascismo

    LER MAIS
  • O encontro com Esther Duflo, Prêmio Nobel de Economia

    LER MAIS
  • Sigilo em torno do Sínodo da Amazônia mostra tensão entre transparência e discernimento

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

30 Março 2017

Um levantamento realizado pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou que o aumento do desmatamento em áreas protegidas vem crescendo na Amazônia Legal e beneficiando a cadeia de madeira ilegal. Foram analisadas 50 das mais impactadas áreas entre os anos de 2012 e 2015. Ao todo foram 237,2 mil hectares perdidos, 136 milhões de árvores destruídas e o lucro aos grileiros pode ter chegado a R$ 300 milhões.

A reportagem foi publicada por Amazônia.org, 28-03-2017. 

A análise mostra que dobrou o desmatamento entre os anos estudados e 2015 foi o mais crítico, quando o desmatamento foi 79% maior do que em 2012. A área de análise concentra 97% do desmatamento dentro das Unidades de Conservação (UCs) e quanto mais próximas de áreas de expansão da fronteira agropecuária e sob projetos de infraestrutura, como rodovias, hidrovias, portos e hidrelétricas, mais alarmante são os impactos ambientais.

A renda bruta obtida com venda de madeira tem o potencial de ter gerado R$ 300 milhões de lucro, criando um enorme potencial de investimento no desmatamento. Além disso, grileiros se apossaram de um patrimônio em terras no valor de R$ 344 milhões, somente considerando o valor de mercado das áreas desmatadas nesse período.


As 10 Unidades de Conservação mais desmatadas da Amazônia Legal entre 2012 e 2015

Os estados do Pará e de Rondônia respondem por 89% do desmatamento detectado no período, 49,8% e 38,9%, respectivamente. As 10 primeiras posições do ranking concentram cerca de 80% de todo desmatamento em Ucs do período.

Elis Araújo, uma das autoras, afirma que a vulnerabilidade dessas áreas decorre de falhas referentes a quatro fatores necessários para o sucesso de qualquer empreendimento: estratégia, pessoal, recursos financeiros e execução. “O principal é a falta de uma visão clara e consistente do papel das Ucs no desenvolvimento e proteção da região, isto é, estratégia. Por falta de compromisso com a proteção, o governo cede às pressões para mudar regras e enfraquecer a legislação ambiental conforme interesses de momento”.

As Áreas de Proteção Ambiental (APA), que tem por objetivo conciliar ocupação humana com a proteção ambiental, ocupam cinco das 10 primeiras posições. Entre as Unidades de Conservação de responsabilidade estaduais, a APA Triunfo do Xingu é a mais desmatada da Amazônia Legal. Entre as UCs federais, a Flona Jamanxim é a mais desmatada e está na 3ª posição do ranking.


Mapa das 50 Unidades de Conservação mais desmatadas da Amazônia Legal entre 2012 e 2015

Localizada no Pará, a Flona de Jamanxim sofre com a pressão de grileiros desde sua criação em 2006. O governo Temer chegou a reduzir a área original, cedendo aos posseiros que ocuparam irregularmente a região como demostrou estudo realizado na área pelo mesmo instituto de pesquisa. A medida não foi suficiente para impedir o aumento do desmatamento e conflitos na região.

A análise cita que a “a estratégia errática e limitada do governo, que consiste em mudar regras e enfraquecer a legislação ambiental conforme interesses de momento e em tolerar o desmatamento ilegal até 2030” é um dos fatores que tem permitido o aumento da degradação nas áreas que deveriam ser protegidas.

A ausência de recursos humanos para gestão, os cortes de recursos financeiros destinados aos órgãos ambientais de fiscalização e gestão, a morosidade no combate a ocupações irregulares e a baixa punição de criminosos ambientais e fundiários são outros pontos levantados pelo estudo. Leia o estudo na íntegra aqui

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Grileiros podem ter lucrado R$ 300 milhões com a retirada de madeira ilegal de áreas de conservação da Amazônia - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV