“Mafiosos, detenham-se! O dinheiro de seus crimes está ensanguentado”, denuncia o Papa

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24 Janeiro 2017

O Papa animou a Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália para que continue dedicando “todo o esforço, especialmente na luta contra o tráfico de pessoas e o contrabando de migrantes. Estes são crimes muito graves, que afetam os mais fracos entre os fracos”. Fez isto durante a audiência que concedeu aos membros do organismo que é conduzido pelo procurador Franco Roberti. Também expressou apreço pelas atividades “difíceis e arriscadas”, tanto na luta contra a máfia, camorra e ‘ndrangheta’ (o Diabo entra pelos bolsos, disse o Papa rezando pela conversão dos mafiosos), como na luta contra o terrorismo, “que está assumindo cada vez mais um aspecto cosmopolita e devastador”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 23-01-2017. A tradução é do Cepat.

Em seu discurso, o Papa destacou que a sociedade precisa ser “curada da corrupção, das extorsões, do tráfico ilícito de entorpecentes e de armas, do tráfico de seres humanos, entre os quais tantas crianças, reduzidas à escravidão”. Delitos que Francisco definiu como “autênticas pragas sociais”, também os apontando como “desafios globais que a coletividade internacional é chamada a enfrentar com determinação”. Um trabalho que, realizado em sinergia com outros Estados e com os meios eficazes, “constitui uma canalização eficaz e um presídio de segurança para a coletividade”, acrescentou.

Daí a exortação do Pontífice aos magistrados investigadores, comprometidos em lutar para erradicar o crime organizado, para que dediquem “todo o esforço em contrapor especialmente o tráfico de pessoas e o contrabando dos migrantes: estes são crimes gravíssimos que afetam os mais fracos entre os fracos!”, ressaltou. A este respeito, o Papa Francisco destacou a necessidade de incrementar as atividades de proteção das vítimas, através da assistência legal e social “destes irmãos e irmãs nossos, em busca de paz e de futuro”. Como complemento desta “valiosa obra de repressão”, Francisco apontou intervenções educativas dirigidas em particular às novas gerações, “na família, na escola, em comunidades cristãs e em realidades esportivas e culturais”, que favoreçam “uma consciência de moralidade e de legalidade orientada a modelos de vida honestos, pacíficos e solidários”, que possam “gradualmente vencer o mal”.

Finalmente, o Pontífice expressou o desejo de que “o Senhor sempre lhes dê a força de seguir adiante e de não desanimar, continuando na luta contra a corrupção, a violência, a máfia e o terrorismo”. E pedindo “que o Senhor toque o coração de homens e mulheres das diversas máfias para que deixem de fazer o mal”, afirmou: “O dinheiro dos negócios sujos e dos crimes mafiosos é dinheiro ensanguentado e produz um poder iníquo. E todos nós sabemos que o diabo entra pelos bolsos. É aí a primeira corrupção”.

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