“É fácil falar com o Papa Francisco.” Entrevista com o Metropolita Hilarion

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19 Janeiro 2017

A mensagem cristã a uma Europa cada vez mais secularizada pode se tornar mais forte se as Igrejas falarem juntas e a uma só voz. “Foi o que aconteceu em Havana”, diz o metropolita russo Hilarion: “Naquela ocasião, o papa e o patriarca não disseram nada de revolucionário ou de novo, nada que já não tivessem dito antes. Mas o que foi importante é que eles estavam juntos”.

A reportagem é de M. Chiara Biagioni, publicada pelo Servizio Informazione Religiosa (SIR), 18-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Outro encontro entre o Papa Francisco e o Patriarca Kirill não está neste momento na pauta das duas Igrejas. Enquanto isso, porém, “há muitas coisas que podemos fazer juntos”, e, se “as nossas Igrejas falam unindo as suas vozes, a mensagem é seguramente mais forte e incisiva”.

O metropolita de Volokolamsk, Hilarion, responsável pelo Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, faz um balanço sobre o estado das relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa, durante uma entrevista concedida em Paris ao SIR e a Jean-Marie Dumont, da Famille Chrétienne, às margens do 5º Fórum Europeu Católico-Ortodoxo.

Eis a entrevista.

Eminência, o senhor se encontrou com o Papa Francisco no dia 16 de dezembro passado. Pode nos dizer algo sobre esse encontro? Sobre o que vocês falaram?

Eu me encontrou com o papa seis vezes desde a sua eleição. Em dezembro, eu vim para saudar o papa pelos seus 80 anos. Por outro lado, algumas semanas antes, o próprio papa tinha enviado um dos seus representantes, o cardeal Koch, para saudar o Patriarca Kirill pelos seus 70 anos. Eles têm uma diferença de 10 anos. Para mim, foi uma oportunidade de falar com ele também sobre outros assuntos comuns que nos interessam.

Que impressão o Papa Francisco lhe deu?

É uma personalidade muito humilde. Ele está sempre muito bem informado. Eu nunca precisei fazer grandes explicações, porque ele conhece muitas coisas. É muito fácil falar com ele. Notei isso imediatamente desde o meu primeiro encontro, logo depois da sua entronização.

Depois do encontro em Cuba, vocês acham que é possível outro encontro entre o papa e o patriarca?

Poderia ser possível. Mas não estamos trabalhando atualmente para planejar tal encontro. Não faz parte dos nossos projetos.

E uma visita do papa à Rússia?

Não está agendada.

Qual é o estado das relações ecumênicas entre Moscou e Roma?

Temos relações muito boas e construtivas. Temos um diálogo constante. Dependendo dos assuntos, há vários níveis de discussão. Houve um encontro entre o patriarca e o papa, em Cuba, em fevereiro de 2016. Eu, pessoalmente, me encontro regularmente com o cardeal Koch [presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos]. E há outros lugares onde se discutem os assuntos que nos coenvolvem.

Depois do encontro de Cuba, desenvolveram-se projetos comuns para ajudar os cristãos e as pessoas em dificuldade no mundo, especialmente na Síria. Pode nos dizer algo a mais e por que a escolha da Síria?

Escolhemos a Síria, porque, naquele país, as pessoas sofrem. É um país onde há guerra, vítimas, refugiados, e eles precisam de ajuda. Organizamos missões humanitárias comuns. Os representantes das nossas Igrejas visitaram diversas comunidades, cidades e vilarejos para analisar a situação e identificar quais eram as necessidades reais. Claro, o que podemos fazer não é suficiente para resolver os problemas daquele país. Para conseguir isso, são necessárias soluções políticas. Mas nós trabalhamos assim mesmo. O Papa Francisco teve intercâmbios com os responsáveis de diversos países sobre a Síria. E o Patriarca Kirill está fazendo o mesmo.

Vocês estão tentando fortalecer os laços com a Igreja Católica?

Sim! Eu acho que há muitas coisas que podemos fazer juntos, sem estar ainda plenamente unidos. Enfrentamos as mesmas mudanças e podemos intensificar a nossa cooperação. Muitas vezes, fazemos as coisas separadamente. Por exemplo, o papa fez uma declaração, e o patriarca diz a mesma coisa, da sua parte, mas ambos separadamente. Estou convencido de que a mensagem que eles expressam pode se tornar mais forte se ambos falarem a uma só voz. Foi o que aconteceu em Havana. Naquela ocasião, o papa e o patriarca não disseram nada de revolucionário ou de novo, nada que já não tivessem dito antes. Mas o que foi importante é que eles estavam juntos, quem disseram algo a uma só voz, que foram capazes de falar juntos e de empreender ações comuns. Eu acho que, dessa forma, seremos cada vez mais incisivos.

Ocorre na Europa, entre os dias 18 e 25 de janeiro, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, sobre o tema “Reconciliação: é o amor de Cristo que nos impele”. O que significa ser testemunhas de reconciliação no mundo, na sua opinião?

Eu acho que é Cristo que nos reconcilia. E, se nós vivemos em Cristo, podemos enfrentar os desafios do nosso mundo e dar testemunho da nossa unidade ao mundo.

Discute-se muito na Europa ocidental sobre uma religião cristã em que Cristo não está presente. É uma questão que diz respeito a vocês, na Rússia?

No seu livro “Jesus de Nazaré”, Bento XVI evocou o fato de que, muitas vezes, a Igreja está centrada mais em si mesma do que em Jesus Cristo. Isso também pode acontecer na devoção popular: as pessoas estão interessadas nos sinais extraordinários, mas se esquecem daquilo que é realmente importante no cristianismo: Jesus Cristo. Admiro o Papa Bento XVI pela sua capacidade de dar Cristo às pessoas com os seus livros, em particular com o livro “Jesus de Nazaré”. Esse livro foi uma fonte de inspiração para mim.

Diz-se ainda, na Europa, que a secularização deu lugar aos fundamentalismos de matriz islâmica. Como os cristãos podem enfrentá-la juntos?

Eu gosto de recordar a esse respeito aquilo que o cardeal Koch, quando era bispo na Suíça, disse: “Não devemos temer um Islã forte, mas sim um cristianismo fraco”. Eu acho que, se nós somos fortes como cristãos, não temos nada a temer. Porque a nossa identidade cristã nos dá uma força que vem diretamente de Deus e de Cristo. As sociedades secularizadas, tal como existem em muitos países da Europa, são sociedades muito fracas do ponto de vista espiritual. Não existem mais valores pelos quais vale a pena sacrificar a própria vida. Não se pode dar a vida pelos valores secularizados. E, se não estamos prontos para sacrificar a própria vida, então a batalha está perdida.

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