Francisco. O otimismo pode frustrar, mas a esperança nunca

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08 Dezembro 2016

“O otimismo pode frustra, a esperança não! Está claro?” O Papa Francisco começou um novo ciclo de catequese na Audiência Geral das quartas-feiras, após aquele que ele dedicou à misericórdia por ocasião do Jubileu que acabar de ser encerrado. Desta vez refletirá sobre a “esperança cristã”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 07-12-2016. A tradução é de André Langer.

“A esperança não frustra. O otimismo pode frustrar, a esperança não! Está claro? Temos tanta necessidade, nestes tempos que parecem obscuros, em que às vezes nos sentimos perdidos diante do mal e da violência que nos circunda, diante da dor de tantos irmãos nossos. Necessitamos de esperança! Nos sentimos perdidos e também um pouco desanimados, porque nos encontramos impotentes e parece que esta escuridão não acaba nunca”.

O Papa refletiu sobre o anúncio da consolação que o profeta Isaías faz ao povo de Israel. “O exílio do povo de Israel – recordou – tinha sido um momento dramático na história, quando o povo havia perdido tudo. O povo tinha perdido a pátria, a liberdade, a dignidade e também a confiança em Deus. Sentia-se desanimado e sem esperança. No entanto, aí está o chamado do profeta que abre novamente o coração à fé. O deserto é um lugar em que é difícil viver, mas justamente aí agora se poderá caminhar para voltar não apenas à pátria, mas também para Deus, e voltar a esperar e sorrir”.

“Quando nós estamos na escuridão – continuou –, nas dificuldades, não sorrimos. É justamente a esperança que nos ensina a sorrir naquele caminho para encontrar a Deus. Uma das coisas, das primeiras coisas, que acontece com as pessoas que se afastam de Deus é que são pessoas sem sorriso. Talvez sejam capazes de dar uma grande gargalhada, uma atrás da outra; uma piada, uma gargalhada... Mas falta o sorriso! O sorriso somente pode ser dado pela esperança. Vocês entenderam isto? É o sorriso da esperança de encontrar a Deus”.

“A vida – prosseguiu o Papa –, muitas vezes, é um deserto, é difícil caminhar, mas se confiamos em Deus pode converter-se em belo e amplo como uma autoestrada. Basta jamais perder a esperança, basta continuar crendo, sempre, apesar de tudo. Quando nos encontramos diante de um menino emerge dentro de nós um sorriso, a simplicidade, porque nos encontramos diante da esperança: um menino é a esperança! E assim devemos ver na vida, neste caminho, a esperança de encontrar a Deus, Deus se fez Menino. E nos fará sorrir, nos dará tudo”.

As palavras de Isaías, depois, são retomadas por João Batista em sua pregação, com a qual convida para a conversão: “Uma voz clama no deserto: ‘Preparem o caminho do Senhor, endireitem as veredas’”. “Uma voz clama – explicou Bergoglio – onde parece que ninguém pode escutar, mas quem pode escutar no deserto? Os lobos... E que clama na desordem devido à crise de fé. Nós não podemos negar que o mundo de hoje está em crise de fé”.

“Se depois dizemos: ‘Eu creio em Deus, sou cristão’ – ‘Eu sou desta religião...’; mas a sua vida está longe de ser cristã; está longe de Deus. A religião, a fé, ficou em uma palavra: ‘Eu creio?’ – ‘Sim’. Mas aqui trata-se de voltar para Deus, converter o coração para Deus e seguir por este caminho para encontrá-lo. Ele nos espera. Esta é a pregação de João Batista: preparar. Preparar o encontro com este Menino que nos devolverá o sorriso”, disse.

Os israelitas, recordou o Papa, “quando o Batista anuncia a chegada de Jesus, estão como se ainda estivessem no exílio, porque estão sob a dominação romana, que faz deles estrangeiros em sua própria pátria, governados pelos poderosos ocupantes que decidem sobre suas vidas. Mas a verdadeira história não é aquela feita pelos poderosos, mas por Deus junto com seus pequenos. A verdadeira história (a que ficará para a eternidade) é aquela que Deus escreve com seus pequenos”.

Neste sentido, “a esperança é uma virtude dos pequenos. Os grandes, os satisfeitos não conhecem a esperança; não sabem o que é. São eles, os pequenos com Deus, com Jesus, que transformam o deserto do exílio, da solidão desesperada, do sofrimento, em caminho plano sobre o qual se caminha para ir ao encontro da glória do Senhor. E chegamos à conclusão: deixemo-nos ensinar a esperança. Deixemo-nos ensinar a esperança! Esperemos confiantes na chegada do Senhor, e qualquer que seja o deserto de nossas vidas, se converterá em um jardim florido. A esperança não frustra! Vamos dizer outra vez: ‘A esperança não frustra”.

No final da Audiência, o Papa fez um apelo a favor das duas “importantes” jornadas que as Nações Unidas promovem nos próximos dias: contra a corrupção, no dia 09 de dezembro, e pelos direitos humanos, no dia 10. “São duas realidades – disse o papa na Aula Paulo VI – estreitamente ligadas: a corrupção é o aspecto negativo a combater, a começar pela consciência pessoal e vigiando sobre os ambientes da vida civil, especialmente, sobre aqueles mais em risco; os direitos humanos são o aspecto positivo a ser promovido com decisão sempre renovada, para que ninguém seja excluído do efetivo reconhecimento dos direitos fundamentais da pessoa humana. Que o Senhor nos apoie neste duplo compromisso”.

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