O “diário do Concílio” pan-ortodoxo assinado por Bartolomeu

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06 Dezembro 2016

“Um exemplo de comunhão”. Mais do que isso, “foi um ‘mar de comunhão’ para toda a Igreja ortodoxa e para o mundo”. O Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, na histórica visita desta segunda-feira por ocasião da festa litúrgica de São Nicolau, definiu detalhadamente desta maneira tudo o que nasceu do Concílio pan-ortodoxo que aconteceu em junho deste ano.

A reportagem é de Stefania Falasca e publicada por Vatican Insider, 05-12-2016. A tradução é de André Langer.

Ele quis falar a respeito durante a “lectio magistralis”, que se concentrou na comunhão a partir do seu significado teológico, que pronunciou na antiga basílica do santo padroeiro, durante a abertura do ano acadêmico da Faculdade de Teologia de Apúlia. O Instituto Ecumênico outorgou-lhe o Prêmio São Nicolau. É a primeira vez que um Patriarca Ecumênico de Constantinopla é hóspede desta cidade marítima, vinculo de convivência e ponte entre os cristãos do Oriente e do Ocidente, que há mais de mil anos guarda as relíquias do santo da Igreja unida, venerado desde sempre tanto pelos católicos como pelos ortodoxos.

O valor ecumênico da visita de Bartolomeu, que desde 1991 preside na caridade e na diaconia o conjunto das Igrejas ortodoxas (perseguindo incansavelmente a unidade entre os cristãos e a paz), fortalece-se com a convicção de que o ecumenismo é tarefa de cada uma das Igrejas locais. E o “significativo reconhecimento” hoje conferido a Bartolomeu pela diocese de Bari foi recordado pelo Papa Francisco em sua mensagem como “sinal de agradecimento pelo serviço que ofereceu para a promoção de uma comunhão cada vez maior entre todos os que creem em Cristo”. Que, por sua vez, o Patriarca recebeu como “sinal profético da unidade de todas as Santas Igrejas de Deus”, destacando o caminho teológico “entre as nossas Igrejas e o amor, o respeito e a colaboração”.

Comunhão, Concílio, compartilhar, diálogo, integração. Estes foram os principais argumentos da “lectio magistralis” que Bartolomeu pronunciou em Bari. O título da sua intervenção também foi representativo: “Adriático e Jônico, mares de comunhão”. Em absoluta sintonia com os pronunciamentos do Papa Francisco, o Patriarca de Constantinopla explicou em primeiro lugar o conceito de comunhão como expressão de amor na relação trinitária citando passagens da Escritura: “Comunhão é comum participação de graça, amor e comunhão com a vida de Deus, que se transforma na própria experiência de ‘estar em relação’. Significa participar juntos da natureza divina mediante a graça que Deus nos deu em todos os aspectos da vida cristã. Significa compartilhar a espiritualidade, rezar uns pelos outros; significa realizar concretamente esta comunhão em nossas vidas e colocá-la em prática”.

“Portanto, se estamos reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo, íntimos com Ele – explicou Bartolomeu –, percebemos os irmãos como aqueles que nos pertencem, que compartilham a nossa própria origem trinitária e que caminhamos ao encontro da meta que é Cristo, que recapitula tudo em si”. Porque “o Amor Trinitário nos faz pessoas em relação, sujeitos ‘comunionais’, conaturais no diálogo, capazes de uma relação de amor que transfigura o nosso eu e nos torna capazes de agir e pensar que a paz nasce do diálogo e que o diálogo conduz à unidade”.

Por isso, o Patriarca ecumênico destacou que a Igreja ortodoxa deu um exemplo de comunhão em Creta: “A Nossa Santa Igreja Ortodoxa manifestou a sua ‘comunhão’ no mês de junho passado, quando, em Creta, por decisão unânime de todos os Primados das Igrejas ortodoxas autocéfalas, foi convocado o Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa”. Após quase 55 anos de preparação, discussões, encontros e sinaxis dos Primados, apesar dos problemas que se manifestaram poucos dias antes do início do encontro e apesar da ausência de algumas Igrejas, o Concílio pan-ortodoxo foi realizado, destacou o Patriarca, em um clima de oração e diálogo, e centrou-se em temas de atualidade, como a missão da Igreja no mundo contemporâneo e a relação das Igrejas ortodoxas com o resto do mundo cristão.

Segundo Bartolomeu, “este grande encontro conciliar falou com uma só voz aos fiéis, às Igrejas e ao mundo”. Foi testemunho de comunhão e exemplo de relação à imagem da relação trinitária, e na Encíclica ao mundo definiu os princípios fundamentais da comunhão: “A Igreja não vive para si mesma. Oferece a humanidade inteira, mediante a elevação e a renovação do mundo em novos céus e novas terras”. Além disso, expressou a maneira pela qual essa Comunhão se expressa: “A Igreja é em si mesma Concílio, fundada em Cristo e guiada pelo Espírito Santo, de acordo com a passagem apostólica: ‘Decidimos em comum acordo, o Espírito Santo e nós’ (At 15, 28)”.

Segundo Bartolomeu, o Concílio sentiu a exigência da comunhão com o mundo e com tudo o que se relaciona com ele. Ocupou-se das mudanças atuais, da necessidade de uma atenção à pessoa humana, também diante das conquistas científicas, a genética e as novas ciências. Elevou sua voz pela pobreza estendida, pela ameaça que incumbe sobre o ambiente natural. Não se calou diante dos problemas que nascem da globalização, dos fenômenos extremos da violência e da imigração.

Dedicou uma particular atenção à vocação de comunhão na família, “Igreja doméstica”, e ao diálogo como experiência intrínseca do sentir ortodoxo, em linha com tudo o que expressou com o conceito de comunhão: “Neste espírito de reconhecimento da necessidade de testemunho e disponibilidade, a Igreja Ortodoxa sempre atribuiu grande importância ao diálogo e, em particular, ao diálogo com os cristãos não ortodoxos”.

Na sequência, Bartolomeu referiu-se ao testemunho da antiga e pacífica convivência entre gregos e latinos em Apúlia. Berço de história, civilização, línguas, culturas e religiões capazes de interconexões e intercâmbios, que marcaram os processos sociais de toda a região durante séculos, contribuindo para o crescimento dos povos que vivem às margens do Mare Nostrum. Hoje, assim como ontem, não podemos viver em relação com Deus e com os nossos irmãos e irmãs que sofrem, disse Bartolomeu, sem colocar em prática as propostas humanas e sociais do Concílio da Igreja ortodoxa e alimentar os princípios do diálogo, do amor e da paz perante um “Mare Nostrum que se transformou na sepultura de tantos irmãos e irmãs que sonhavam com uma vida melhor”.

“Acreditamos que o papel das religiões – disse o Patriarca para concluir – é fundamental para criar, colocar em marcha e consolidar o princípio da comunhão para a colaboração e a compreensão recíproca, afastando os fundamentalismos que existem em todas as sociedades e religiões. Existe a necessidade de recriar o afeto recíproco entre os povos, superando desconfianças, violências, massacres e genocídios. Necessita-se que a justiça social e a justiça entre as nações prevaleçam sobre os meros interesses da economia mundial e da globalização mais desenfreada, para acabar com as migrações descontroladas”.

Nesta terça-feira, o Patriarca de Constantinopla retomará todas estas reflexões em sua homilia, descerá à cripta da basílica para venerar as relíquias de São Nicolau e participará da concelebração eucarística para a solenidade do santo padroeiro, presidida pelo arcebispo de Bari-Bitonto, Francesco Cacucci, que disse que a histórica visita do Patriarca Ecumênico de Constantinopla é “um passo importante no caminho que aproxima os fiéis católicos e ortodoxos na comum memória do Santo de Myra”, além da “coroação de um longo caminho”.

Enquanto isso, a Conferência dos Bispos da Itália indicou que a partir deste dia 06 de dezembro será obrigatório celebrar a memória de São Nicolau em todas as igrejas da Itália.

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