Novo Superior Geral diz que os jesuítas podem ser modelos de reconciliação para um mundo necessitado de misericórdia

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06 Dezembro 2016

Em um mundo de conflitos, profundamente necessitado da misericórdia implorada tantas vezes por Francisco, os jesuítas podem ser agentes de reconciliação e de diálogo. Foi o que disse o novo Superior Geral da Companhia de Jesus em entrevista exclusiva à revista America.

A reportagem é de Kevin Clarke, publicada por America, 02-12-2016. A tradução de Isaque Gomes Correa.

Arturo Sosa, SJ, eleito Superior Geral da Companhia de Jesus em 14 de outubro deste ano, contou ao editor-chefe da America, o também padre jesuíta Matt Malone, que acredita que os jesuítas distribuídos pelo mundo podem ser modelos dos benefícios do discernimento, da capacidade de adaptação e “da experiência riquíssima de multiculturalidade” para a Igreja e o mundo, especialmente nas regiões de conflito onde os jesuítas estão presentes.

Sosa conversou com Malone em Roma no dia 28 de novembro.

Arturo Sosa, nascido em Caracas, Venezuela, no ano de 1948 é o primeiro jesuíta da América Latina a se eleger para o cargo de Superior Geral da Companhia de Jesus, posto geralmente ocupado de modo vitalício. A sua eleição ocorre num momento em que a Igreja vive sob o comando de seu primeiro papa também latino-americano. Sosa sugere que este momento histórico é um convite “a ver a Igreja latino-americana” e o progresso que ela tem feito desde o Vaticano II.

Jorge Mario Bergoglio – o Papa Francisco – e eu somos filhos de uma Igreja, de uma Igreja viva. A Igreja latino-americana tem feito um processo muito bonito após o Vaticano II. Nós fomos formados neste processo – o papa e eu – em diferentes pontos na América Latina”.

Essa experiência histórica mútua, segundo ele, “leva muito a sério a fé das pessoas (...) leva muito a sério a vida comunitária como a base da vida eclesial, leva muito a sério o respeito pelo outro e muito a sério tenta fazer da justiça social um compromisso prático da Igreja, da Companhia”.

Um papa jesuíta cria oportunidades e conexões especiais para que a Companhia esteja a serviço de toda a Igreja, disse Sosa, porque “ele conhece e pratica muito bem a espiritualidade inaciana. Ele fala o tempo inteiro sobre isso – sobre o discernimento, sobre a consolação, a desolação, a reconciliação”.

“Ele também é uma pessoa muito comprometida com a visão de Igreja proposta pelo Vaticano II”, acrescentou o Superior. “Falo aqui da sinodalidade; é uma corresponsabilidade”.

“Ele, o papa, é uma pessoa que compreende bem o papel da vida religiosa na Igreja. Assim, para a Companhia é realmente uma oportunidade a ser usada. O papa sabe bem como ele pode usar os jesuítas e a Companhia de Jesus no serviço da Igreja”.

No dia 26 de novembro, poucos dias antes de os dois jesuítas se encontrarem em Roma, um ex-Superior Geral, Peter-Hans Kolvenbach, SJ, veio a falecer no Líbano.
Kolvenbach havia aceito o fardo de liderar a Companhia durante uma época de relações tensas com o papa de então. Sosa falou que Kolvenbach será lembrado por sua abertura ao diálogo e pela sensibilidade ao longo dos tempos difíceis pela qual a ordem religiosa passou. “Ele vivenciou essa tensão entre ser fiel ao papa e ser fiel ao discernimento da Companhia sobre a missão da fé e da justiça”. Acrescentou que o falecido líder “abriu a Companhia ao diálogo para todas as culturas, especialmente o diálogo inter-religioso (...) Ele estava bem ciente da importância [das outras tradições] – diferentes da tradição latina – na Igreja”.

“Durante os 25 anos em que trabalhou como Superior Geral, a Companhia se transformou num verdadeiro organismo multicultural da Igreja”, declarou.

Sosa contou a Malone que, depois da surpresa em ser eleito Superior Geral, em seguida sentiu-se em paz com a decisão de seus irmãos jesuítas, em parte pela confiança no sistema de discernimento aplicado à eleição pelos jesuítas.

“Não sei se todos sabem, mas o sistema que a Companhia usa na eleição de um Geral é um sistema bem peculiar”, disse Sosa. “É um tempo de oração, de discernimento, de diálogo entre os eleitores”. Ele descreveu este tempo como uma experiência profundamente espiritual, de “estar nas mãos de Deus”.

“Se levamos a sério que aquele Espírito fala na eleição (...) isso me dá uma paz”, disse ele. “Não era um desejo meu; não era um plano meu; eu não queria isso. Então é realmente como um chamado do Espírito através dos meus irmãos, através da Companhia. Assim, eu suponho que o mesmo Espírito que fez este movimento e os irmãos que me colocaram aqui irão ajudar a seguir em frente na missão da Companhia”.

Ele comparou esta experiência de aceitação com o sentido inaciano de consolação espiritual.

“Não é uma felicidade superficial. É um sentimento de que estamos realmente nas mãos de Deus e que queremos fazer a Sua vontade”.

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