Novos cardeais americanos condenam polarização e divisão dentro da Igreja

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22 Novembro 2016

Três bispos americanos que ingressaram no clube mais exclusivo da Igreja Católica esta semana – o Colégio Cardinalício – dizem que a divisão e a polarização presentes na sociedade civil está infectando a Igreja e que isso deve parar.

A reportagem é de Michael O’Loughlin, publicada por America, 20-11-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Michael O’Loughlin é correspondente nacional da revista America e autor de “The Tweetable Pope: A Spiritual Revolution in 140 Characters”, sem tradução ao português. O padre jesuíta Jeremy Zipple contribuiu para este artigo.

“O problema hoje, não só na sociedade, mas também na Igreja, é que nos tornamos demais polarizados”, disse à revista América o Cardinal Kevin Farrell, prelado nascido na Irlanda que foi bispo de Dallas até assumir um dicastério no Vaticano voltado à família no início deste ano. “Acabamos acreditando que éramos deuses em ambos os lados, à esquerda e à direita, e nenhum deles estão corretos”.

A ocasião em Roma centrou-se numa cerimônia solene no interior da Basílica de São Pedro na manhã de sábado, 19 de novembro, durante a qual o Papa Francisco elevou 17 clérigos às fileiras dos cardeais. Eles irão assessorar o papa, e 13 deles estão em condições para votar em um conclave.

A cerimônia, chamada consistório, foi antecipada por numerosas celebrações e momentos de oração; muitos dos peregrinos americanos que viajaram a Roma para o evento descreveram o clima na cidade como jovial. Mas, nos dias que antecederam o consistório, quatro cardeais (incluindo o Cardeal Raymond Burke) tornaram públicas suas discordâncias junto ao papa, até mesmo ameaçando fazer uma reprimenda pública caso o pontífice ignorasse suas questões.

Em causa, segundo eles, estão algumas ambiguidades numa das cartas pastorais do Papa Francisco, Amoris Laetitia.

Amoris Laetitia é o resumo de um debate sobre a família que durou dois anos na Igreja, reunindo bispos do mundo inteiro, onde se discutiram temas candentes como o divórcio, a homossexualidade e o desfalecimento do apoio societal às famílias.

Quando publicou a carta encíclica no começo do ano, Francisco pediu que os bispos refletissem sobre o documento e explorassem maneiras de implementar o seu ensino nas dioceses. Alguns bispos disseram que a ênfase do documento sobre a consciência, a reconciliação e o discernimento abre portas para a Comunhão a católicos divorciados e recasados – visão que o próprio papa parece endossar.

Os quatro cardeais contrários à tal interpretação enviaram uma carta ao Vaticano em setembro fazendo perguntas de “sim ou não” a cinco questões por eles elencadas no documento. O papa escolheu não responder, o que levou a ameaças de uma reprimenda pública por parte de Burke.

O Cardinal Blase Cupich, arcebispo de Chicago que também foi elevado ao Colégio Cardinalício neste fim de semana, rejeitou tais preocupações, dizendo que os prelados que têm levantado estas dúvidas precisam olhar para dentro de si em busca de uma maior clareza. Citou uma entrevista com o Papa Francisco publicada em 18 de novembro no jornal católico italiano Avvenire, em que o Papa fala sobre as pessoas querem que o mundo seja “preto e branco”.

“Mas a vida é cheia de ambiguidades”, disse Cupich em uma coletiva de imprensa no Pontifício Colégio Norte-Americano após o consistório. Cupich, escolhido pelo Papa Francisco para liderar a Igreja em Chicago, também minimizou a noção de que existe uma oposição generalizada ao papa ou de que Francisco etária forçado a defender o seu ensino.

“Acho que há vários exemplos aí em que o Santo Padre não tem, de forma alguma, que defender um documento magisterial da Igreja”, continuou o prelado. “Cabe àqueles que têm dúvidas ou questionamentos terem conversões em suas vidas”.

Em entrevista à revista América, o Cardeal Joseph Tobin concordou que não há uma oposição generalizada, apontando para pessoas como o Cardeal Christoph Schönborn, que disse que o ensino do papa é magisterial. Tobin falou que alguns cardeais que não estão em sintonia com o papa estão corretos quando o papa instiga o diálogo livre e aberto, algo que, segundo ele, não era tão habitual sob o comando de papas anteriores.

“Penso que é correto dizer que em pontificados anteriores não havia uma tal liberdade para a manifestação deste tipo de coisa”, disse Tobin, que deixará o seu posto em Indianápolis em janeiro para liderar a Arquidiocese de Newark. “O papa ensina”, concluiu. “Como o que ele ensina é interpretado fica a cargo de outras pessoas”.

O prelado ainda falou que aqueles que se opõem às reformas do papa estão, por vezes, guiados por um senso forte de legalismo; algo que o papa, também, vem sugerindo. “Acho que algumas pessoas entenderam e sabem que o que o papa está dizendo não é apenas um tipo de catecismo de perguntas e respostas, mas um reconhecimento da santidade da consciência, assim como a obrigação de formá-la na população católica”, disse.

Cupich declarou que a lealdade ao papa é uma parte importante do ser cardeal, coisa que lhe ocorreu durante a cerimônia de sábado.

“Havia um trecho no script que falava da união especial, mas também da obediência, por parte dos que são cardeais junto ao Santo Padre. Eu levo isso a sério”, disse.

Segundo Cupich, durante uma conversa privada com o Papa Francisco antes de a cerimônia começar, ele prometeu apoiar o papa e ser “muito fiel à Igreja e fiel ao seu ministério petrino”.

Durante uma sessão de gala para angariação de fundos realizada no interior dos Museus do Vaticano na noite de sábado, Cupich revelou que, no seu tête-à-tête com o papa, este falou que estava feliz com a liderança demonstrada em Chicago.

A sua resposta: “Eu gosto do que você está fazendo. Continue assim!”

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