Em Santa Catarina, projeto protege ave ameaçada de extinção e gera renda em comunidade

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18 Novembro 2016

Comunidades familiares do município de Passos Maia, em Santa Catarina, no entorno do Parque Nacional das Araucárias, encontraram na união do artesanato com a conscientização ambiental uma fonte de renda extra. Depois de se envolverem com o projeto “Reintrodução do Papagaio-de-peito-roxo no Parque Nacional das Araucárias”, as mulheres da região, conhecidas como ‘Amigas dos Roxinhos’, aumentaram a renda familiar em 62%. Criada em 2013 pelo Instituto Espaço Silvestre, a iniciativa faz parte de um projeto maior de conservação, que tem apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

A reportagem foi publicada por EcoDebate, 17-11-2016.

As participantes confeccionam e comercializam, na internet e em pontos turísticos da região, peças artesanais como camisetas, bolsas, aventais, chaveiros, lixeiras de carro, necessaires e ímãs de geladeira. A renda das vendas é totalmente revertida às artesãs. O artesanato inspira-se no papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), na araucária (Araucaria angustifolia) – espécies nativas da região e classificadas, respectivamente, como em perigo e criticamente em perigo de extinção –, e também em outras espécies da fauna brasileira.

As artesãs receberam treinamentos em confecção e empreendedorismo, além de orientações sobre conservação da natureza. Desse modo, o projeto constrói uma relação entre a comunidade e o meio ambiente, mostrando como sua conservação traz benefícios ambientais, sociais e econômicos para toda a região.

Enquanto o projeto gera renda, conscientiza a população para a importância do papagaio-de-peito-roxo na Floresta com Araucárias. Jozi Telles, coordenadora do grupo “Amigas dos Roxinhos”, também reconhece a importância do projeto para a comunidade. “Hoje eu tenho um lucro a mais, sem contar que é uma terapia. É muito bom quando a gente faz alguma coisa com amor e todo mundo gosta.”

Para a “amiga do roxinho” Zulmira Lachet, a participação vai além da complementação de renda e da conscientização ambiental. “Conheci o projeto em um momento muito difícil para a minha vida e ele me ajudou a ocupar a mente, além de complementar a renda familiar”, comenta.

Integração entre conservação e economia é estratégica

Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, explica que ações que visam a conservação da natureza têm mais força quando integram várias frentes da sociedade. “Apoiamos o projeto de proteção ao papagaio-de-peito-roxo, que engloba a iniciativa ‘Amigas dos Roxinhos’, pois acreditamos na importância de envolver a população no processo de conservação da natureza. É preciso consolidar essa associação entre desenvolvimento social e econômico e proteção ambiental, pois são pilares que, juntos, se tornam mais fortes e perenes”, afirma.

Segundo Vanessa Kanaan, diretora técnica do Instituto Espaço Silvestre, “o projeto resulta da necessidade de envolver os moradores na proteção da biodiversidade local e estimular a geração de renda na comunidade”. Neste ano, o instituto apresentou uma nova linha de produtos, que também conta com envolvimento comunitário, chamada “Amigos da Floresta”, inspirados em espécies como a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), o tatu-canastra (Priodontes maximus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), entre outros.

Situação delicada

O papagaio-de-peito-roxo e a Floresta com Araucárias, ecossistema associado à Mata Atlântica no Sul do Brasil, têm uma relação de dependência mútua. Ao se alimentar de pinhão, a ave transporta a semente, que muitas vezes cai no chão e germina, auxiliando na recomposição desse ecossistema. Atualmente a Floresta com Araucárias tem menos de 3% da sua cobertura original. Além do habitat reduzido, a ave sofre também com a escassez de alimento, agravada pela colheita ilegal e insustentável de pinhão. Apesar de existir regulamentação de órgãos ambientais, a retirada de pinhas imaturas ainda é uma prática recorrente.

Pesquisadores estimam que há 10 anos a população de papagaios-de-peito-roxo era de 10 mil indivíduos. Atualmente, são menos de 4 mil. O trabalho de reabilitação e reintrodução das aves na natureza, além do uso de recursos para simular ninhos em árvores (caixas-ninho), tem contribuído para a melhoria desse quadro. Essas iniciativas estão previstas no Plano de Ação Nacional para Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica, que visa a garantir a integridade das populações das espécies por meio da ampliação do conhecimento científico e ações efetivas de proteção a essas aves.

Além desse projeto de reintrodução, a Fundação Grupo Boticário doou, entre os anos de 2010 a 2015, cerca de 1,4 milhão de reais para 11 projetos que executam ações previstas no Plano de Ação Nacional (PAN) para conservação dos Papagaios da Mata Atlântica.

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