Grupos católicos contam com a Igreja para confrontar "racismo institucional"

Revista ihu on-line

Missões jesuíticas. Mundos que se revelam e se transformam

Edição: 530

Leia mais

Nietzsche. Da moral de rebanho à reconstrução genealógica do pensar

Edição: 529

Leia mais

China, nova potência mundial – Contradições e lógicas que vêm transformando o país

Edição: 528

Leia mais

Mais Lidos

  • “No Brasil, se joga o destino da democracia”. Entrevista com Boaventura de Sousa Santos

    LER MAIS
  • Intelectuais alemães alertam para riscos no Brasil

    LER MAIS
  • Parte do Exército busca blindar imagem da Força caso Bolsonaro fracasse

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

17 Novembro 2016

Treze organizações católicas divulgaram um comunicado hoje pedindo a interferência da igreja Católica para enfrentar o "racismo institucional que continua a existir na nossa sociedade".

A reportagem é de Stephanie Yeagle, publicado por National Catholic Reporter, 15-11-2016.

As organizações, incluindo a Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas e a Conferência dos Superiores Maiores dos Institutos Masculinos, convidam suas comunidades a se comprometer com cinco pontos: formação voltada para a solidariedade racial; criação de um espaço para a "verdade e reconciliação em nossas casas, organizações e paróquias"; formação em "transformação não-violenta de conflitos"; promoção de programas de "forças de paz civis desarmadas" e "formação para estratégias de contenção e atenuação" para os policiais.

A declaração, intitulada "We Cry Out for Racial Justice in the United States" (Nós exigimos justiça racial nos Estados Unidos), vem um dia depois de o arcebispo Wilton Gregory de Atlanta, o chefe de uma força-tarefa especial da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) sobre o racismo, ter chamado seus irmãos bispos para fazer sua própria declaração sobre o racismo.

"Uma declaração de toda a conferência de bispos sobre o racismo torna-se cada vez mais importante neste momento", disse Gregory.

Ele pediu que a comissão administrativa dos bispos do país, "em colaboração com as comissões permanentes e competentes, façam o possível para agilizar a elaboração e aprovação da declaração sobre o racismo atualmente contemplada no plano estratégico 2017-2020, dada a urgência do presente momento".

Ele disse que o presidente da conferência dos bispos e os líderes de suas comissões relevantes precisam "identificar oportunidades para uma declaração mais imediata sobre estas questões, particularmente no contexto da incerteza e do mal-estar pós-eleitorais".

Ele também pediu por orações, colaboração ecumênica e inter-religiosa, diálogo, cursos de formação para paroquiais e diocesanas, e oportunidades de encontro.

Em uma coletiva de imprensa após a sua apresentação durante a tarde, encerrando o primeiro dia de reunião dos bispos, Gregory disse que estava preocupado com as comunidades atingidas pela violência e tumultos, após os tiroteios policiais, no início deste verão. Algumas destas comunidades estão enfrentando reações e tensões provocadas pelos resultados da eleição, disse ele.

"As pessoas de boa vontade, da força-tarefa, esperam que as manifestações não se tornem violentas", disse ele.

A sociedade norte-americana pode opinar sobre questões sociais através de várias formas de expressão, incluindo protestos, mas "nós oramos para que essas expressões de indignação não sejam outro veículo para a violência".

Gregory está esperançoso que a Igreja possa ajudar a fomentar o diálogo e trazer a cura, através do trabalho com as comunidades por uma paz duradoura.

"Os ataques às comunidades, que levaram à criação dessa força-tarefa, têm acontecido há pelo menos dois anos", disse ele. "A violência contra as pessoas de cor persiste por muito mais do que dois anos. (...) A reação à eleição é adicionada a essa tensão".

Ele disse que estava orando e que esperava que "expressões de frustração, de raiva e desaprovação" não continuem perturbando o tecido social dessas comunidades.

A declaração "We Cry Out for Racial Justice in the United States" pode ser lida na íntegra abaixo:

Enquanto organizações católicas empenhadas na construção da comunidade de Deus, nós expressamos nosso apoio, e o apoio de nossas organizações e da nossa Igreja Católica, no racismo institucional que continua a existir na nossa sociedade. Erramos com nossos irmãos e irmãs negros e pardos. Somos responsáveis pela discriminação tanto consciente quanto inconsciente e reconhecemos que manifestamos atitudes e comportamentos racistas em nossas vidas pessoais e nas estruturas, políticas, práticas e procedimentos das nossas organizações.

Enquanto organização, fomos movidos pela coragem de estudantes, pais, atletas profissionais, entre outros, em pequenas e grandes comunidades locais, que se posicionaram de maneira ousada contra a justiça racial.  Nós sustentamos o compromisso com a justiça e agradecemos pelas ações não-violentas que despertaram diálogos importantes sobre a nossa luta para reconhecer e valorizar a dignidade de cada pessoa em nossa sociedade.

Agradecemos também pelo convite para reafirmar os valores da dignidade humana e da igualdade, que são a base do nosso país.  Nós os admiramos por sua coragem e criatividade, e também pelo desafio que oferecem a cada um de nós. Sabemos que Jesus foi exemplo de coragem e amor ainda maiores para todos, até mesmo seus inimigos. Oramos pedindo força para que nos comprometamos a viver mais plenamente o amor não-violento de Jesus, especialmente à luz da injustiça racial e sistêmica que continua a afligir nossas comunidades.

Convidamos nossas comunidades a refletir seriamente sobre o compromisso de 1) participar na formação para a solidariedade racial; 2) criar espaços de verdade e reconciliação em nossas casas, organizações e paróquias; 3) envolver-se em formação de transformação não violenta de conflitos; 4) promover programas de manutenção da paz por civis não armados nas nossas comunidades; e 5) requerer treinamento significativo estratégias de contenção e atenuação para os policiais.

É hora de um novo paradigma, que valorize a cooperação em vez da competição; que preze pela comunicação clara, pela responsabilidade e pelo poder compartilhado; e incentive o pensamento holístico que acolhe a todos os pontos de vista.

A vocês, nossos irmãos e irmãs que resistem frente ao abuso de poder - continuem a se manifestar, a dialogar e tomar ações não-violentas para chamar a atenção para as injustiças que se tornaram parte do tecido do nosso modo de vida americano em demasia. Nós estamos com você.

Sociedade das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo dos EUA
Católicos em Aliança para o Bem Comum
Columban Center for Advocacy and Outreach
Conferência dos Superiores Maiores dos Institutos Masculinos
Programa Católico Faith in Public Life
Rede de Ação Franciscana
Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas
Missionários do Preciosíssimo Sangue de Kansas City
Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor
Fundação Pax Christi Internacional
Fundação Pax Christi dos EUA
Congregação de Clérigos de São Viator
Grupo de Justiça das Irmãs da Misericórdia das Américas

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Grupos católicos contam com a Igreja para confrontar "racismo institucional" - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV