Os números da vida religiosa 50 anos depois do Concílio: a crise ainda não passou

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27 Setembro 2016

O fato de a vida religiosa estar atravessando um período de dificuldade era conhecido. Mas ler os números que contam os últimos 50 anos da Igreja professa levanta sérias interrogações sobre a força de um projeto de vida consagrada no terceiro milênio.

A reportagem é de Riccardo Benotti, publicada no sítio do Servizio Informazione Religiosa (SIR), 23-09-2016 . A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quando Paulo VI encerrou o Concílio Vaticano II em 1965, os religiosos estavam no máximo fulgor. Os membros dos institutos masculinos eram 329.799, as mulheres chegavam quase a um milhão (961.264). Eram os anos em que os religiosos davam exemplo da universalidade da Igreja, estando presentes nos lugares de missão espalhados pelo mundo, não temendo enfrentar as hostilidades dos Estados seculares e encarnando o impulso à missão e ao encontro dos povos.

A Europa já perdera a exclusividade da vida consagrada, enquanto as Américas, em particular os Estados Unidos, se povoavam com túnicas e véus. O tempo da prosperidade, porém, estava se esgotando. Apenas uma década depois, os religiosos já tinham caído 18,51% (-61.053), e as religiosas, 9,72% (-93.491). Desde então, a tendência ainda não se inverteu.

A recepção do Concílio e o início do colapso

Quem fornece uma explicação da queda dramática que começou a partir de 1965 é o claretiano Angel Pardilla, que, no recente livro La realtà della vita religiosa [A realidade da vida religiosa] (Lev), faz um balanço fundamentado sobre os números por ele coletados em anos de trabalho e oferece intuições para a reflexão.

O Pe. Pardilla atribui a má recepção do Vaticano II o motivo principal de afastamento, porque a "falta de uma clara identidade positiva" colocou a consagração no mesmo nível (ou em um nível inferior) de qualquer outra opção de vida. Nesse sentido, acrescenta, a releitura do Concílio é decisiva para um "melhor pastoral vocacional e uma medicina preventiva mais eficaz contra os abandonos".

Considerando as congregações já existentes e aquelas que surgiram depois, o declínio dos membros dos institutos masculinos de 1965 a 2015 é igual a 39,58% (199.254 - 130.545). Para as mulheres, por sua vez, a diminuição é semelhante em termos de incidência (532.436, 44,61%), mas dolorosamente mais consistente como número total, chegando a quase meio milhão de pessoas (-428.828). A tendência, além disso, não é perfeitamente semelhante para as duas categorias.

A situação das congregações masculinas

O impacto desestabilizador da primeira década foi se estabilizando lentamente para os institutos masculinos (214). De 1975 a 1985, houve uma diminuição de 7,77% (-25.637); de 1985-1995, de 4,58% (-15.129); de 1995 a 2005, de 3,96% (-13.077); para depois voltar a subir de 2005 a 2015 em 4,74% (-15.649).

Quem sofreu os danos maiores foi o grupo das congregações leigas, que, em 50 anos, caiu de 49.002 membros – em terceiro lugar depois das congregações clericais e mendicantes – para 16.378 (-66,63%).

Para compreender o contexto, basta pensar que, durante os primeiros 40 anos pós-conciliares, as congregações clericais ou sacerdotais se contraíram em média 24,58%.

Entre os institutos que lideram o ranking de membros em 2015, os jesuítas se posicionam no primeiro lugar (16.740), embora as suas fileiras se reduziram mais do que pela metade desde 1965 (-53,54%). Em seguida: salesianos (15.270, -30,72%), frades menores (13,632, -49,52%), frades capuchinhos (10.598, -33,08%) e beneditinos confederados (6970, -42,25%).

Entre os poucos que cresceram entre os primeiros 20, encontram-se os verbitas (6.032, +4,48%) e os carmelitas da Bem-Aventurada Virgem Maria Imaculada (2.544, +147,47%).

As mulheres e o recrudescimento da crise

O total dos institutos religiosos e das sociedades de vida apostólica femininos (1.402) é quase o sétuplo dos masculinos. Medir a sua pulsação, portanto, é difícil em termos de quantidade e de variedade. A queda durante as três primeiras décadas foi se enfraquecendo e atingiu os seus mínimos em 1995 (-6,77%). Porém, a hemorragia foi retomada a partir de 2005 (-8,25%) e alcançou o seu pico histórico em 2015 (-10,53%).

É significativo notar que os institutos com mais de 1.000 religiosas eram 240 no encerramento do Concílio, enquanto hoje se reduziram a 98. Em relação ao cálculo total, são 1.132 as congregações com menos de 500 membros (80%) e 418 com menos de 100 membros (30%).

Nas primeiras cinco posições dos institutos mais numerosos: Filhas da Caridade de São Vicente de Paula (16.179, -64,08%), Filhas de Maria Auxiliadora (13.057, -30,42%), carmelitas descalças (10.504, -5,15%), clarissas franciscanas (7.168, +105,09%), clarissas (6.686, -33,27%).

O grupo que mais cresceu, também por causa da recente canonização e da figura carismática da fundadora, é a das Missionárias da Caridade – Irmãs de Madre Teresa.

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