Nos 20 principais municípios do RS, mulheres são menos de 10% dos candidatos a prefeituras

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18 Agosto 2016

Os 20 maiores municípios do Rio Grande do Sul em população contam, somados, com 114 candidatos à Prefeitura. A Capital, Porto Alegre, e Alvorada, na região metropolitana, têm o maior número, com nove candidatos cada; enquanto Erechim é a que tem menos concorrentes, com três, segundo os dados divulgados nesta semana pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O município do noroeste do Estado, no entanto, é o que conta com a maior proporção de mulheres dentre os candidatos: dos três, uma é mulher. Já na Capital, com seis candidatos a mais, também só há uma pessoa do sexo feminino concorrendo.

A reportagem é de Débora Fogliatto, publicada por Sul21, 17-08-2016.

De todos os 114 candidatos, apenas 11 são mulheres, o que representa menos de 10% do total. O município com maior presença feminina em números totais é Alvorada, com três candidatas entre os nove: Giovana Thiago (PT), da coligação “Frente Popular”; Meri Brum (PR), da coligação “Orgulho de ser Alvorada” e Profª Nadir Machado (PTB), da coligação “Uma Alvorada para o futuro”. Localizada na região metropolitana, Alvorada é a 11ª maior cidade do Estado, com cerca de 200 mil habitantes. Já Pelotas, terceira maior cidade gaúcha, com população estimada em 340 mil, tem duas mulheres dentre os sete aspirantes ao governo municipal: Paula Mascarenhas (PSDB), da coligação “A mudança não pode parar” e Miriam Marroni (PT), da “Frente Pelotas Pode”.

Pelotas e Erechim, com Ana Oliveira (PMDB), da coligação “Para Erechim continuar avançando”, são as duas únicas cidades fora da região metropolitana a ter candidaturas femininas. Além de Erechim, o 19º maior município do Estado, com pouco mais de 100 mil habitantes, há outras cinco cidades que contam com apenas uma candidata: em Porto Alegre, Luciana Genro (PSOL), da coligação “É a vez da mudança”, lidera as pesquisas eleitorais; em Gravataí, onde há sete candidatos, Anabel Lorenzi (PSB) representa a coligação “Unidos por uma nova Gravataí”; em Guaíba, Elisabete Garcia Monfrin (PMN) é uma das quatro concorrentes; Fatima Daudt (PSDB) é a candidata da coligação “É hora de acertar” em Novo Hamburgo, onde há outros seis postulantes; e a vice-prefeita Beth Colombo (PRB) é candidata em Canoas, contra três adversários*.

Em dezembro, o nome de Beth Colombo foi oficializado pelo prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PT), como candidata da situação na eleição municipal deste ano.

As outras 12 maiores cidades contam apenas com candidatos homens dentre os nomes que aparecem no site do TRE até esta quarta-feira (17): Bagé (4); Bento Gonçalves (4), Cachoeirinha (4); Caxias do Sul (6); Santa Maria (8); Viamão (5)*; São Leopoldo (6); Rio Grande (7); Passo Fundo (5); Sapucaia do Sul (5); Uruguaiana (4); Santa Cruz do Sul (5).

Participação feminina na política

A baixa representatividade feminina na política tem sido observada nas diversas esferas de poder. Nas eleições de 2012 à Câmara Federal, menos de 10% dos deputados eleitos foram mulheres. Atualmente, o país ocupa apenas a 121ª posição em termos de participação feminina na política. Na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, há 31 parlamentares, dos quais apenas quatro são mulheres. Em alguns momentos, esse número chegou a sete, considerando suplentes que estavam exercendo mandatos (Séfora Mota, do PR e Mônica Leal, do PP), e contando Any Ortiz (PPS), que foi vereadora até 2014, quando se elegeu deputada estadual.

Mesmo assim, a cientista política Céli Pinto avalia que, em geral, há um número um pouco maior de candidatas e de eleitas nas eleições municipais, em comparação às estaduais e federais. “Pensa numa mulher que tem um filho de um ano saindo de Uruguaiana para passar a semana em Porto Alegre sendo deputada estadual. Um homem com filho pequeno não sente pressão para ficar em casa, mas a condição da mulher, por mais dinheiro que ela tenha, ainda é, no mínimo, de gerente da casa”, aponta.

Por isso, ela afirma que a estrutura patriarcal e sexista da sociedade e dos partidos políticos são importantes fatores que mantêm muitas mulheres longe dos espaços públicos de poder. “A ocupação dos espaços de poder é uma das questões mais complicadas para a mulher no Brasil. Tem toda a estrutura patriarcal na sociedade, a mulher tem mais dificuldade de falar em público, porque a vida pública não é uma opção dada para ela ao longo de sua vida, tem uma luta interna pra poder chegar lá. Para os homens, isso faz parte do cotidiano, enquanto mulheres têm ainda essa obrigação familiar, de cuidar da casa”, lamenta Céli.

A dependência dos partidos também complica a situação, porque a maioria das siglas não investe em candidaturas femininas. Os concorrentes dependem dos partidos para financiar as campanhas, fornecer materiais de divulgação, definir tempo de participação na televisão, entre outras questões nas quais as mulheres saem prejudicadas. Com as novas leis eleitorais, a analista diz que a situação vai ficar ainda mais difícil, especialmente para as candidatas menores, menos conhecidas e que têm menos dinheiro.

As cotas para mulheres no legislativo não conseguiram fazer a participação feminina avançar. A primeira lei a tratar do assunto no Brasil é de 1995 e foi restrita às eleições municipais. Ela garantia 20% das vagas na disputa para as mulheres. A lei n° 9504./97 elevou este percentual para 30% e o estendeu aos estados e à União. Em 1999, uma nova mudança na legislação substituiu a expressão “deverá reservar” por “preencherá” o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Em abril deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou uma campanha incentivando a maior participação feminina na política, a partir de propagandas institucionais em rádio e televisão.

*O site do TRE passa por problemas técnicos e não está com informações completas sobre as candidaturas de Canoas e Viamão. Sendo assim, essa matéria pesquisou em sites de partidos e jornais regionais sobre os candidatos das duas cidades.

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