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18 Agosto 2016

A data de ontem (15-08) foi sem atos oficiais e com manifestações. A mobilização foi do Palácio da Justiça, onde se exigiu a anulação do julgamento pelo Massacre de Curuguaty, até a sede do Congresso, onde se reivindicou a renúncia do presidente.

A reportagem é publicada por Página/12, 16-08-2016. A tradução é do Cepat.

As ruas de Assunção foram tomadas por milhares de militantes que marcharam para pedir a renúncia do presidente do Paraguai, Horacio Cartes. A manifestação foi convocada pelo Congresso Democrático do Povo (CDP), coalizão de forças que inclui a Frente Guasú, o agrupamento que levou Fernando Lugo ao Palácio de los López, no dia 15 de agosto de 2008. Ontem, Cartes completou três anos à frente do Executivo sem celebrar qualquer ato oficial e com um baixo índice de popularidade. Sua gestão é desaprovada por mais de 70% de seus compatriotas, segundo uma pesquisa divulgada no final de semana.

O protesto das organizações políticas e camponesas de esquerda teve início em frente ao Palácio da Justiça, onde os manifestantes reivindicaram a liberdade dos 11 trabalhadores condenados em julho pela morte de 11 camponeses e seis policiais, no Massacre de Curuguaty, ocorrido em 2012. Os participantes exigiram a nulidade do julgamento, depois que em julho um tribunal sentenciou condenações de 4 a 30 anos de prisão para as onze pessoas.

Além disso, mais uma vez, se denunciou que os lavradores condenados foram processados em relação às mortes dos seis policiais, mas que as mortes dos onze trabalhadores rurais nunca foram investigadas. Na quarta-feira da semana passada, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) fixou um prazo de três meses para que o governo Cartes responda as denúncias por violações de direitos no processo judicial do Caso Curuguaty e pediu informação sobre o julgamento político que levou à destituição de Lugo, uma semana após o massacre.

A mobilização contra o presidente paraguaio continuou até a central Praça de Armas, localizada em frente à sede do Congresso, onde os manifestantes reivindicaram a imediata renúncia de Cartes e de seus ministros, lançaram denúncias por corrupção administrativa, enfatizaram a inexistência de uma reforma agrária e se opuseram à Lei de Aliança Público Privada (APP), que habilita a participação de empresas particulares no setor estatal, e é considerada pelos opositores como uma privatização encoberta.

Entre os lemas dos manifestantes estavam presentes: “Cartes, lixo, você é a ditadura” e “Fora Cartes, vende-pátria, entreguista, antinacional e antipopular”, segundo divulgou o jornal paraguaio Última Hora. “Cartes está reprovado como presidente da república; o país segue na miséria, na falta de emprego”, afirmou o coordenador do CDP, Ermo Rodríguez. O dirigente acrescentou que o erro de Cartes é que só governa para os ricos e nada para os pobres.

Cartes, um rico empresário do conservador Partido Colorado que assumiu a frente do Executivo, no dia 15 de agosto de 2013, marcou como eixos de sua política a diminuição da pobreza, da corrupção, a chegada de investimentos e o desenvolvimento de infraestrutura em um dos países mais atrasados da América Latina nesse aspecto.

Ao menos 22,2% dos paraguaios vivem em situação de pobreza, o que se traduz em um milhão e meio de pessoas de uma população que não chega aos 7 milhões de habitantes, segundo os últimos dados oficiais. No último ano, o Governo disse ter redobrado os esforços em favor da erradicação da pobreza, com um aumento dos gastos sociais e a distribuição de moradias aos mais desfavorecidos, através da Secretaria Nacional de Moradia e Habitat.

Também afirmou que está na última fase para materializar os principais projetos amparados na lei da APP, destinada supostamente a modernizar as deficientes infraestruturas do Paraguai. Nesse sentido, para fins deste ano, o governo Cartes prevê a abertura de licitação para obras e serviços na ordem de 5,4 bilhões de dólares, que serão financiados com bônus soberanos ou mediante a APP, entre outras fórmulas, segundo adiantou o Ministério de Obras Públicas e Comunicações.

A pesquisa que a empresa Ibope e o Centro de Investigação de Estudos Socioeconômicos (CIES) divulgaram, durante o final de semana, demonstrou que a atuação de Cartes é considerada ruim ou muito ruim por 77% dos residentes em Assunção e seus arredores. Uma opinião semelhante é a de 71% dos consultados nas seis principais capitais do interior, de acordo com a pesquisa publicada pelo jornal Última Hora.

Além disso, a aprovação à gestão do mandatário caiu 13% em relação a 2015 e 23% em relação a 2014. Os aspectos mais criticados do governo são a insegurança e a delinquência (29,6% na Grande Assunção e 20% no interior paraguaio), assim como a pobreza e a inflação (15,7% e 19,1%, respectivamente). As melhores avaliações são das obras públicas (9,2% e 14%), as melhoras no transporte público em Assunção (9,2%) e a ajuda social e construção de moradias para os pobres no interior (7,4%).

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