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17 Agosto 2016

Água verde, arenas vazias, equipes de TV e atletas furtados, encanamentos precários na Vila dos Atletas, câmera desabando no Parque Olímpico, balas perdidas, vaias da torcida, morte de um policial em favela, longas distâncias e filas.

A reportagem é publicada por BBC Brasil, 16-08-2016.

Usain Bolt e Michael Phelps fazendo história, receptividade brasileira, Simone Giles virando ícone na ginástica, Rafaela Silva e Thiago Braz no alto do pódio, primeiro ouro de Fiji, Kosovo, Porto Rico, Cingapura e Vietnã, competições com cenários incríveis e torcida vibrante.

Com os Jogos Olímpicos do Rio entrando na reta final, começam a aparecer os primeiros balanços da competição - e muitas vezes com conclusões opostas.

Um exemplo recente veio em textos publicados pelos jornais The Guardian (Grã-Bretanha) e The Washington Post (EUA), que expressaram visões antagônicas sobre a competição.

"O Brasil percorreu um longo caminho para calar os céticos - ao menos até agora", escreveu a publicação britânica em editorial intitulado "Até agora, tão inspiradores - de novo".

O texto lembra a "onda de negatividade" que precedeu os Jogos de Londres em 2012 e não se concretizou, e identifica o mesmo fenômeno na edição brasileira.

"Alertas de que a Olimpíada de Londres seria um desastre se provaram irremediavelmente errados. Agora parece que o mesmo erro foi cometido com os Jogos do Rio. Talvez haja uma lição aqui", afirma o texto.

Antes do início, aponta o Guardian, os Jogos do Rio foram "presunçosamente declarados um desastre": arenas incompletas, Brasil dividido e sem dinheiro, protestos, vírus Zika, traficantes de drogas. "Tudo isso parece bem bobo agora."

O jornal reconhece a ocorrência de "constrangimentos", como a piscina verde, estádios com pouco público e falhas nos alojamentos dos atletas. "Mas a realidade maior é que mais uma vez os Jogos capturaram a atenção do mundo", conclui, atribuindo o sucesso a competições "genuinamente inspiradoras".

"Os Jogos Olímpicos são uma corporação global. Eles não são perfeitos. Pode ser melhor realizá-los em um local permanente na Grécia do que trocar os Jogos a cada quatro anos. Mas o Rio está confirmando o que Londres ensinou. Os Jogos valem a pena. Eles celebram realizações individuais de todo o tipo, não apenas proezas nacionais. Eles aproximam as pessoas muito mais do que afastam. E as pessoas do mundo respondem a eles com entusiasmo real", afirmou o jornal.

Copo meio vazio

Um outro ponto de vista apareceu em texto da colunista Sally Jenkins, do Washington Post, que fez duras críticas ao posicionamento dos organizadores dos Jogos diante de problemas verificados até agora.

"Há muita confiança oficial aqui nos Jogos do Rio e muitas desculpas prontas. Há roubos e acidentes com cabos, mas o Comitê Olímpico Internacional e os organizadores locais estão 'confiantes' de que tudo está seguro. Há roubo desenfreado em locais supostamente restritos, mas eles estão 'confiantes' de que tudo é seguro. Os atletas ficaram doentes, mas eles estão 'confiantes' sobre todos estarem saudáveis. Eles são inflexivelmente confiantes".

A colunista questiona as explicações oficiais sobre a já famosa piscina do Centro Aquático Maria Lenk, no Parque Olímpico da Barra. Cita um especialista em qualidade de água que sugere que a piscina pode ter ficado sem desinfecção adequada por quatro dias.

Afirma ter pedido ao COI (Comitê Olímpico Internacional), sem sucesso, dados sobre microbiologia da piscina e sobre atletas doentes. E questiona: "Você sabe quantos corpos mergulharam naquelas piscinas e quantos podem ter sido contaminados?"

A colunista relata o caso de um velejador belga que disse ter contraído disenteria e atletas "bebendo enxaguantes bucais para matar qualquer bactéria em suas gargantas". Afirma que um diretor médico do COI assegurou que as águas abertas não constituem risco, "apesar da notória contaminação das águas do Rio por esgoto e lixo".

"Qualquer seja o assunto, sempre há uma afirmação conveniente dos responsáveis", afirma Jenkins, que enumera uma série de episódios de insegurança: o assalto à mão armada ao nadador americano Ryan Lochte, o furto de uma câmera da revista Sports Ilustrated instalada no topo do Maracanã, o furto de dez câmeras da agência de notícias France Presse, estimadas em US$ 45 mil, e do equipamento de um profissional da News Corp.

"Você confia na confiança desses confiantes representantes oficiais? Eu não. Especialmente após uma enorme câmera do serviço oficial de geração de imagens dos Jogos cair no meio do Parque Olímpico. As explicações para isso foram tão seguras como as do fiasco da piscina", afirma.

Repercussão

O artigo da colunista também motivou opiniões diferentes. Comentando no próprio site do jornal, um leitor escreveu que "ou os responsáveis pela água/piscina no Brasil são tão estúpidos a ponto de não saber limpar uma piscina ou houve muita corrupção na contratação da limpeza". "Conhecendo os brasileiros, eu aposto na hipótese da corrupção, e você nunca ouvirá os brasileiros falando mal deles próprios".

"Qual lugar no mundo seria seguro hoje? Qual lugar no mundo pode organizar um evento como as Olimpíadas, juntando milhões de pessoas, sem nenhum problema? Eu não me sentiria seguro se os Jogos fossem na Europa ou nos EUA, onde em vez de diarreia ou ser roubado, poderia ser alvo de um ataque terrorista", escreveu outro leitor.

Nas redes sociais, o jornal foi criticado por supostamente enfatizar aspectos negativos e tentar "destruir" os Jogos do Rio, enquanto outros rebateram": "Então é culpa da mídia que a piscina ficou verde, um participante se infectou pelo esgoto na água e Lochte sofreu um roubo à mão armada. Isso é uma inversão da lógica".

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