Papa Francisco: a oração é a via para sair dos fechamentos

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Por: André | 30 Junho 2016

A oração “é sempre uma forma de sair dos nossos fechamentos pessoais e comunitários”. O Papa refletiu, em sua homilia na missa da solenidade dos Santos Pedro e Paulo, na Basílica de São Pedro, sobre o binômio “fechamento – abertura”, explicando que, na época dos apóstolos e hoje, a oração “permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria”, e, destacou Francisco, dirigindo-se à delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla que estava presente na missa na qual o Pontífice abençoou o pálio que receberão os arcebispos metropolitanos nomeados durante o ano, “podemos acrescentar: da divisão à unidade”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 29-06-2016. A tradução é de André Langer.

“A Palavra de Deus – explicou Francisco – desta liturgia gira em torno de um binômio central: fechamento – abertura. E, relacionado com esta imagem, também está o símbolo das chaves, que Jesus promete a Simão Pedro para que ele possa, sem dúvida, abrir às pessoas a entrada no Reino dos Céus, e não fechá-la como faziam alguns escribas e fariseus hipócritas que Jesus censura.”

A leitura dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos “três fechamentos”: “o de Pedro na prisão”, “o da comunidade reunida em oração” e o “da casa de Maria, mãe de João chamado Marcos, a cuja porta foi bater Pedro depois de ter sido libertado”. “Com respeito aos encerramentos, a oração – indicou Francisco – aparece como a principal via de saída: saída para a comunidade, que corre o risco de se fechar em si mesma por causa da perseguição e do medo; via de saída para Pedro que, já no início da missão que o Senhor lhe confiara, é lançado na prisão por Herodes e corre o risco de ser condenado à morte”. A oração, “como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários”.

Também Paulo, ao escrever a Timóteo, “fala da sua experiência de libertação, de saída do perigo de ser ele também condenado à morte; mas o Senhor esteve ao seu lado e deu-lhe força para poder levar a bom termo a sua obra de evangelização dos gentios. Entretanto, Paulo fala de uma ‘abertura’ muito maior, para um horizonte infinitamente mais amplo: o da vida eterna, que o espera depois de ter concluído a ‘corrida’ terrena. Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda ‘em saída’ por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele ‘a salvo para o seu Reino celeste’”.

O Evangelho mostra que a vida de Simão Pedro, “pescador da Galileia – como a vida de cada um de nós – se abre, desabrocha plenamente quando acolhe, de Deus Pai, a graça da fé. E Simão põe-se a caminhar – um caminho longo e duro – que o levará a sair de si mesmo, das suas seguranças humanas, sobretudo do seu orgulho misturado com uma certa coragem e altruísmo generoso”.

Pedro “foi libertado da prisão do próprio eu orgulhoso e medroso, e superou a tentação de se fechar ao chamado de Jesus para segui-lo no caminho da cruz”. O Papa recordou um aspecto particular da vida de Pedro: “Quando Pedro, miraculosamente liberto, se vê fora da prisão de Herodes, vai à casa da mãe de João chamado Marcos. Bate à porta e, de dentro, vem atender uma empregada chamada Rode que, tendo reconhecido a voz de Pedro, em vez de abrir a porta, incrédula e cheia de alegria, corre a informar a patroa. A narração, que pode parecer cômica, deixa intuir o clima de medo em que estava a comunidade cristã, fechada em casa e fechada também às surpresas de Deus. Este detalhe fala-nos de uma tentação que sempre existe na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, à vista dos perigos. Mas mesmo aqui há uma brecha por onde pode passar a ação de Deus: Lucas diz que, naquela casa, ‘numerosos fiéis estavam reunidos em oração’. A oração permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria. E podemos acrescentar: da divisão à unidade”, disse o Papa ao concluir.

“Sim – insistiu – o digamos hoje com confiança, juntamente com os nossos irmãos da Delegação enviada pelo amado Patriarca Ecumênico Bartolomeu para participar na festa dos Santos Padroeiros de Roma. Uma festa de comunhão para toda a Igreja, como põe em evidência também a presença dos Arcebispos Metropolitanos que vieram para a bênção dos pálios, que lhes serão impostos pelos meus representantes nas respectivas arquidioceses. Os Santos Pedro e Paulo intercedam por nós para podermos realizar com alegria este caminho, experimentar a ação libertadora de Deus e a todos dar testemunho dela”.

Durante a missa rezou-se pela unidade da Igreja, pela paz e a justiça no mundo, pelos missionários do Evangelho e, em chinês, pelos cristãos perseguidos, para que encontrem consolo “na hora da prova” e para que sejam arrancados “das mãos de seus inimigos”.

O pálio – uma faixa de lã tecida a mão que se apóia sobre os ombros e que representa a ovelha perdida e o bom pastor que dá a vida por ela – é abençoado cada 29 de junho pelo Papa para os novos arcebispos metropolitanos, para destacar o vínculo dos que levam o pálio com a Sé Apostólica.

Os arcebispos metropolitanos nomeados este ano são 25. Do Brasil, são quatro: dom Roque Paloschi, de Porto Velho (RO); dom Zanoni Demettino Castro, de Feira de Santana (BA); dom Rodolfo Luís Weber, de Passo Fundo (RS); e dom Darci José Nicioli, de Diamantina (MG).

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