Diaconato para as mulheres: qual o seu papel na Igreja?

Revista ihu on-line

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Mais Lidos

  • Os Arautos do Evangelho não reconhecem o Comissário do Vaticano, dom Raymundo Damasceno Assis

    LER MAIS
  • Pacto das Catacumbas pela Casa Comum. Por uma Igreja com rosto amazônico, pobre e servidora, profética e samaritana

    LER MAIS
  • A virada autoritária de Piñera. O fracasso de um governo incompetente e corrupto

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

31 Maio 2016

O diaconato feminino encontra uma ampla concordância, com picos de pleno acolhimento mesmo entre os católicos e entre aqueles que têm um vínculo intenso com a Igreja (com uma prática cotidiana e não só dominical). O impulso transformador envolve também os temas mais complexos e avançados do sacerdócio e do episcopado feminino.

A análise é do jornalista e sociólogo italiano Enzo Risso, professor da Universidade de Macerata e diretor científico do instituto de pesquisas SWG de Trieste. O artigo foi publicado no jornal L'Unità, 30-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O "sacerdócio das mulheres foi excluído ainda recentemente pelo Papa João Paulo II", escrevia em 2009 o cardeal Carlo Maria Martini, na sua coluna de resposta às cartas dos leitores. "No agir na Igreja latina – continuava o cardeal falecido em 2012 – não há discriminação, porque todos os cristãos são iguais e têm os mesmos direitos, mas não existe para ninguém o direito de ser ordenado padre. Haveria ainda o discurso da igualdade de oportunidades, mas ele ainda não entrou bem na práxis das pessoas."

É interessante notar que, na sua resposta, o alto prelado, em parte, ainda liga a discussão às condições dos tempos e não exclusivamente à doutrina teológica. Uma escolha argumentativa criteriosamente aberta, que coloca o debate no plano da possibilidade-capacidade da Igreja para tomar como parâmetro de referência sobre o tema a evolução do quadro cultural da sociedade, e não apenas a práxis secular.

Do ponto de vista doutrinal, de fato, a posição é clara. No Catecismo da Igreja Católica, no n. 1.577, afirma-se que: "Só o varão (vir) baptizado pode receber validamente a sagrada ordenação. O Senhor Jesus escolheu homens (viri) para formar o colégio dos Doze Apóstolos, e o mesmo fizeram os Apóstolos quando escolheram os seus colaboradores para lhes sucederem no desempenho do seu ministério. O Colégio dos bispos, a que os presbíteros estão unidos no sacerdócio, torna presente e atualiza, até que Cristo volte, o Colégio dos Doze. A Igreja reconhece-se vinculada por essa escolha feita pelo Senhor em pessoa. É por isso que a ordenação das mulheres não é possível".

O vínculo expressado é inequívoco. No entanto, ele contrasta com a evolução do papel da mulher na sociedade, ocorrida nos últimos 50 anos. Se, como enfatizou o cardeal Martini, na Itália, a igualdade de oportunidades ainda está longe de ser prática, na opinião pública, assentou-se firmemente um sentimento paritário.

O diaconato feminino encontra uma ampla partilha entre os cidadãos, com picos de pleno acolhimento mesmo entre os católicos e entre aqueles que têm um vínculo intenso com a Igreja (com uma prática cotidiana e não só dominical). O impulso transformador envolve também os temas mais complexos e avançados do sacerdócio e do episcopado feminino. Ambas as possibilidades são defendidas tanto pela maioria da opinião pública, quanto por amplas e consistentes partes do mundo católico. Metade dos católicos praticantes, de fato, dizem-se a favor do sacerdócio feminino e da possibilidade de ordenar mulheres bispas.

Especialmente favoráveis são os jovens. Mais de seis em cada dez jovens se expressam a favor de ambas as opções, mesmo que pareçam, em comparação com os adultos, mais céticos sobre a real possibilidade de que a situação possa mudar.

O ceticismo que paira entre os Millennials (ou seja, os nascidos entre 1980 e 2000) é um elemento sobre o qual é útil se deter. Por trás do tema do sacerdócio feminino, ou mesmo simplesmente do diaconato, esconde-se um jogo mais amplo para a Igreja Católica: o problema da limitada confiança na hierarquia.

Com o pontificado do Papa Francisco, a brecha entre o apelo de Bergoglio (e do seu modo de fazer) e o dos bispos se ampliou ainda mais. Estes últimos são colocados pelos jovens, junto com políticos e banqueiros, no fim da lista dos sujeitos considerados capazes de desempenhar um papel positivo e propulsivo para a sociedade. São enquadrados entre aqueles que hoje atuam como peso, obstáculo e freio à mudança.

O diaconato feminino poderia se tornar, para a Igreja, um símbolo capaz de reabrir o jogo da confiança entre hierarquia e opinião pública, principalmente com os jovens. "Audentes fortuna iuvat" recita o lema virgiliano, e, para aqueles que querem se cimentar sobre esse tema no mundo católico (e a abertura do papa parece ter essa finalidade), ele pode se tornar um estímulo enérgico.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Diaconato para as mulheres: qual o seu papel na Igreja? - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV