Chile. O laicato de Osorno e seu pedido de um bispo irrepreensível

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Por: André | 20 Maio 2016

“Será interessante ouvir testemunhos diversos de como o laicato e as comunidades veem este difícil momento da Igreja em Osorno. Todos sabem que a crise que a Igreja chilena atravessa, passa em certa medida, pelo “affaire Osorno”. Até porque não é apenas parte importante dos fiéis que protestam contra a permanência de Barros à frente da diocese, mas porque há um vasto setor de cidadãos, organizações sociais, provinciais de congregações religiosas e até bispos que clamaram por uma solução e a vinda de um novo Pastor a essa porção eclesiástica sulista tão querida.”

A análise é de Jaime Escobar M., do Conselho Editorial da revista Reflexión y Liberación, em artigo publicado no sítio da mesma revista em 19-05-2016. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Em junho do ano passado, terminava o Primeiro Encontro de Leigos e Leigas na cidade de Osorno com a ideia motriz: “Deus fala do Sul”, e assinalava em sua declaração final: “Estamos convencidos de que o bispo Juan Barros Madrid não cumpre nem pode cumprir a condição de pastor que tem que unir e não dividir o rebanho. Não é apresentável e é imprudente a imposição de um bispo por parte da hierarquia da Igreja que foi incapaz de escutar, acolher e responder à comunidade de Osorno que lhe fez ver, antecipadamente, sua dor e que se viu ferida em sua dignidade no momento em que a Igreja é chamada a ser experta em humanidade”.

Agora, a reconhecida organização cristã novamente nos convoca para este dia 21 de maio para o Segundo Encontro de Leigos. Iremos acompanhá-los novamente e participaremos desta necessária jornada em que representantes de diversas comunidades e paróquias analisam como foi este longo período em que a Igreja de Osorno segue ferida, dividida e não ouvida por uma hierarquia fechada e pouco propensa ao diálogo. O fato determinante é que dom Juan Barros continua ali, impávido, à frente dessa diocese que tem uma bela história de serviço, acompanhamento e missão evangelizadora exemplar e reconhecida por todos.

Como revista Reflexión y Liberación, junto com outras comunidades, personalidades e meios de comunicação, estivemos ativamente e sem medo ao lado de sua justa causa desde o primeiro momento. Também ajudamos a divulgar suas diversas e criativas ações de oposição e não violentas a tal inoportuna e provocadora nomeação que veio de Roma, mas que se forjou e consolidou sob o influxo do segredo e do sigilo de dom Ivo Scapolo a cargo da Nunciatura Apostólica no Chile. Repete-se o mesmo modus operandi de Fernando Karadima quando era amo e senhor da Paróquia El Bosque e na tenebrosa Pia Sociedade Sacerdotal, hoje felizmente já dissolvida.

Será interessante ouvir testemunhos diversos de como o laicato e as comunidades veem este difícil momento da Igreja em Osorno. Todos sabem que a crise que a Igreja chilena atravessa, passa em certa medida, pelo “affaire Osorno”. Até porque não é apenas parte importante dos fiéis que protestam contra a permanência de Barros à frente da diocese, mas porque há um vasto setor de cidadãos, organizações sociais, provinciais de congregações religiosas e até bispos que clamaram por uma solução e a vinda de um novo Pastor a essa porção eclesiástica sulista tão querida.

Interessante, também, foi comprovar in situ que Roma acompanha permanentemente o “caso Barros”. Prova disso é que em todas as visitas de bispos à Santa Sé, de uma ou de outra forma sai o tema... Também “o teminha” esteve presente quando visitou o Chile o poderoso cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e um dos personagens que mais influenciam com sua palavra e ação no quefazer e práxis da cúria romana depois do Papa Francisco, certamente.

Mas a realidade é que apesar de todas as ações do laicato e da população de Osorno, a solidariedade internacional e uma permanente informação ad hoc em importantes meios de comunicação do mundo, o bispo titular imposto em Osorno continua ali, imperturbável – como bem lhe ensinou seu outrora “padrezinho Karadima” –, participando, como se nada tivesse acontecido, de todas as assembleias plenárias do episcopado chileno.

Este fato objetivo nos deve fazer meditar seriamente sobre o significado de uma imposição eclesiástica que só se consolida na base do poder e submissão disciplinar mal entendida. E é aqui que encontramos um dos pontos essenciais da origem da crise na Igreja, sua perda de credibilidade – especialmente no mundo juvenil – e o grito universal de que a Igreja poder e clerical já não quer mais uma sociedade que pensa, se informa e assume seus direitos em suas diversas expressões humanas.

Neste Segundo Encontro de Leigos de Osorno, manteremos a nossa Esperança de que mais cedo ou mais tarde o Vaticano terá que assumir erros e custos para facilitar uma saída justa para o “caso Barros”, como já dissemos há alguns meses na reflexão “Defender o insustentável”, que este caso teve no Chile e em Roma. Reafirmamos isso hoje, considerando que foi o próprio Papa Francisco – nosso Irmão Bispo de Roma – quem nestes meses e em diversas ocasiões denunciou com insistência “o clericalismo” que se espalha na Igreja como um rastro de pólvora. E para que não se diga que são palavras levianas ou slogans, com alegria os convidamos, despidos de todos os preconceitos, para discernir estas palavras de Francisco dirigidas ao cardeal Marc Ouellet, presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina e Caribe:

“Por exemplo, eu recordo agora a famosa frase: 'É a hora dos leigos', mas parece que o relógio parou... Não podemos refletir sobre o tema do laicato ignorando uma das maiores deformações que a América Latina deve enfrentar – e à qual peço a vocês que dirijam uma atenção particular –, o clericalismo. Esta atitude não só anula a personalidade dos cristãos, mas tem uma tendência a diminuir e desvalorizar a graça do batismo que o Espírito Santo colocou no coração da nossa gente. O clericalismo leva a uma homologação do laicato; tratando-o como 'mandatário', limita as diversas iniciativas e esforços, e, ousaria dizer, as audácias necessárias para poder levar a Boa Nova do Evangelho a todos os âmbitos da atividade social e, sobretudo, política. O clericalismo, longe de dar impulso às diversas contribuições, propostas, vai apagando pouco a pouco o fogo profético de que toda a Igreja é chamada a dar testemunho no coração dos seus povos" (Carta do Papa Francisco à CAL – Roma, 28 de abril de 2016).

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