A fraternidade de Francisco, segundo Christoph Theobald

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15 Abril 2016

Não está totalmente evidente o quanto a Igreja italiana e europeia está mantendo o ritmo com o dinamismo do papa. O homem Bergoglio gosta das multidões, é direto e concreto, toma decisões e não faz faltar o seu juízo sobre os fatos da vida cotidiana. Um estilo claro e inconfundível.

A reportagem é de Giovanni Santambrogio, publicada no jornal Il Sole 24 Ore, 10-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas e a Igreja? Para o teólogo Christoph Theobald, uma palavra resume e funda o agir de Francisco: fraternidade. Jesus Cristo traz ao mundo relações novas; ao cristão, o compromisso, a responsabilidade e o desafio de vivê-las e testemunhá-las.

O papa convida a "descobrir e transmitir a 'mística' de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada".

Isso foi escrito na exortação apostólica Evangelii gaudium, o seu texto programático, em que ele delineia o método, a modalidade e a urgência do anúncio do Evangelho no mundo atual.

Theobald identifica na ênfase da "mística da fraternidade" uma mudança de olhar: o próximo adquire uma grandeza sagrada, porque nele se descobre Deus, "aprende-se a sofrer em um abraço com Jesus crucificado".

Se não sairmos de nós mesmos para encontrar, conhecer, socorrer o próximo, ficamos presos de um individualismo mórbido. A "Igreja em saída" responde à linguagem da experiência e à fé da encarnação, assim como a misericórdia e as obras de misericórdia traduzem o convite evangélico do "dom de si" e do encontrar Deus em tudo e em todos. O livro, examinando a Evangelii gaudium e a encíclica Laudato si', define a consistência do "estilo Francisco".

Uma contribuição a mais e útil para compreender a singularidade do pontífice vem do livro II cristiano tra potere e mondanità [O cristão entre poder e mundanidade], de Anna Carfora e Sergio Tanzarella (Ed. Il Pozzo di Giacobbe, 130 páginas), que aprofunda a denúncia feita pelo papa sobre as 15 doenças que podem afligir a Cúria na sua missão de serviço à Igreja, porque, "como todo corpo humano, está exposta ao mal funcionamento e à enfermidade".

  • Christoph Theobald. Fraternità. Magnano (Biella): Qiqaion, 92 páginas.
  • Anna Canfora e Sergio Tanzarella. Il cristiano tra potere e mondanità. Il Pozzo di Giacobbe, 130 páginas.

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