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08 Abril 2016

Desde o início da atual crise migratória na Europa, Jorge Mario Bergoglio esteve entre os que denunciaram em termos duros o descaso dos governos do continente com os refugiados da África e da Ásia. Em 2014, o argentino escolheu a primeira visita ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para lançar uma advertência que, dois anos depois, continua sem paralelo em contundência:

Não se pode tolerar que o Mediterrâneo se converta em um grande cemitério.

O comentário é de Luiz Antônio Araujo, jornalista, publicado por Zero Hora, 08-04-2016.

O Papa fazia referência aos naufrágios de barcos apinhados de migrantes na costa italiana. Ele também escolheu a ilha mediterrânea de Lampedusa, que se tornara um dos primeiros centros de acolhimento de refugiados, como destino em sua primeira viagem como pontífice.

Agora, porém, Francisco planeja um gesto mais ousado a fim de chamar atenção do mundo para uma das maiores tragédias humanitárias do século 21. Ele pretende visitar na próxima sexta-feira a ilha grega de Lesbos, onde centenas de milhares de refugiados do Oriente Médio aportaram no ano passado, procedentes da Turquia. A ilha está no centro de um polêmico programa de deportações de migrantes ilegais da Grécia de volta para a Turquia, acertado há alguns dias entre autoridades europeias e turcas. O Vaticano e a Organização das Nações Unidas (ONU) criticaram o programa.

Como Lesbos é território formalmente sob autoridade da Igreja Ortodoxa, a Santa Sé considerou apropriado acertar o roteiro da viagem com a cúpula ortodoxa. Nesse ponto, surgiu um problema: num reflexo de uma longa história de conflitos nacionais, o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (o equivalente ortodoxo do Papado, com sede em Istambul) e o Santo Sínodo de Atenas (sede da Igreja Ortodoxa Grega) têm relações difíceis e disputam a primazia apostólica sobre partes da Grécia. Lesbos é uma dessas partes.

Por isso, Roma fez questão de informar que Francisco foi convidado a Lesbos pelo patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, e pelo presidente grego, Prokopis Pavlopoulos. Na visita à ilha, o Papa será acompanhado de Bartolomeu. Para a sorte dos refugiados, controvérsias religiosas têm pouco interesse. A presença do argentino e do grego em Lesbos, por outro lado, constituirá por si só um potente sinal de alarme.

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