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08 Abril 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo João capítulo 21, 1-19 que corresponde ao Terceiro Domingo de Páscoa, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

O encontro de Jesus ressuscitado com seus discípulos junto ao lago da Galileia está descrito com clara intenção catequética. No relato está subjacente o simbolismo central da pesca no meio do mar. Sua mensagem não pode ser mais atual para os cristãos: apenas a presença de Jesus Ressuscitado pode dar eficácia ao trabalho evangelizador dos discípulos.

O relato descreve, em primeiro lugar, o trabalho que os discípulos levam a cabo na escuridão da noite. Tudo começa com uma decisão de Simão Pedro: «Vou pescar». Os discípulos restantes aderem a ele: «Também nós vamos contigo». Estão de novo juntos, mas falta Jesus. Saem para pescar, mas não embarcam escutando a sua chamada, mas sim seguindo a iniciativa de Simão Pedro.

O narrador deixa claro que este trabalho se realiza de noite e resulta infrutuoso: «aquela noite não colheram nada». A «noite» significa, na linguagem do evangelista, a ausência de Jesus que é a Luz. Sem a presença de Jesus ressuscitado, sem o seu alento e a sua palavra orientadora, não há evangelização fecunda.

Com a chegada do amanhecer, Jesus apresenta-se. Desde a margem, comunica-se por meio da Palavra. Os discípulos não sabem que é Jesus, só o reconhecem quando, seguindo docilmente suas indicações, logram um entendimento surpreendente. Aquilo só se pode dever a Jesus, o Profeta que um dia os chamou para serem «pescadores de homens».

A situação de não poucas paróquias e comunidades cristãs é crítica. As forças diminuem. Os cristãos mais comprometidos multiplicam-se para abarcar todo o tipo de tarefas: sempre os mesmos e os mesmos para tudo. Temos de continuar intensificando os nossos esforços e procurando o rendimento a qualquer preço, ou temos de nos deter para cuidar melhor da presença viva do Ressuscitado no nosso trabalho?

Para difundir a Boa Nova de Jesus e colaborar eficazmente no seu projeto, o mais importante não é «fazer muitas coisas», mas cuidar melhor da qualidade humana e evangélica do que fazemos. O decisivo não é o ativismo, mas sim o testemunho de vida que possamos irradiar os cristãos.

Não podemos ficar na «epiderme da fé». É o momento de cuidar, antes de qualquer coisa, o essencial. Enchemos as nossas comunidades de palavras, textos e escritos, mas o decisivo é que, entre nós, se escute a Jesus. Fazemos muitas reuniões, mas a mais importante é a que nos congrega cada domingo para celebrar a Ceia do Senhor. Só nele se alimenta a nossa força evangelizadora.

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