As mulheres devem ser mais do que “trabalhadoras temporárias” na Igreja

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05 Abril 2016

"Na medida em que buscamos por 'mais', espero que não nos amarremos a títulos e honrarias; que não caiamos na equivalência daquilo que o Papa Francisco diz por 'atração pelo clericalismo e carreirismo'”, escreve Carolyn Woo, presidente e CEO do Catholic Relief Services, braço humanitário internacional dos bispos católicos dos Estados Unidos, em artigo publicado por Crux, 01-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

No começo do mês de março, o Voices of Faith, grupo focado na liderança e no trabalho de líderes católicas ao redor do mundo, me convidou para partilhar alguns pensamentos em um congresso no Vaticano sobre o papel da mulher na Igreja, em sintonia com o Dia Internacional da Mulher.

A ideia era focar sobre algo além do debate em torno da ordenação feminina ao sacerdócio, explorando outros temas pertinentes, considerando o que deu certo para as mulheres na Igreja e o que ainda precisa de mais atenção.

O que se segue contém os principais pontos que apresentei na ocasião.

O que deu certo para as mulheres na Igreja

Em primeiro lugar, algumas pesquisas citam que as mulheres realizam 80% dos trabalhos não feitos pelo clero na Igreja. Em casa e nas paróquias, por convite ou necessidade, elas estão formando a fé da próxima geração, dando testemunho do amor de Deus por suas obras de misericórdia corporal e sustentando a comunidade por meio da hospitalidade e da atuação social.

Em segundo lugar, os postos de liderança que certas mulheres ocupam na Igreja Católica nos EUA como chanceleres, chefes de departamentos financeiros, assessoras, diretoras executivas de agências sociais, superintendentes e diretoras de escolas, presidentes, professoras e coordenadoras de universidades católicas, administradoras-chefe de hospitais, além de diretoras de missão, refletem uma prática de mulheres engajadas e de partilha de poder junto a elas por parte do episcopado e do clero.

Finalmente, ao longo dos séculos, a Igreja deu educação, assistência à saúde e serviços pastorais às mulheres, capacitando muitas delas a florescerem pessoal e profissionalmente.

O que pode melhorar?

Devemos lembrar que este diálogo sobre a mulher não se restringe a elas, mas a toda a Igreja. É um diálogo sobre um desejo de reconhecer e utilizar os dons de todos para o bem de todos, e fazer surgir a unidade que nos faz um único corpo, a Igreja.

Deixem-me iniciar com uma imagem, que para mim é especial: é a imagem das mulheres batendo na porta do Igreja, para serem ouvidas, vistas, incluídas, acolhidas. Essa analogia invoca o “batam e abrirão a porta para vocês”.

Sei que bater continuamente pode ser irritante para os que devem responder, mas consideremos a alternativa: O silêncio? E se a próxima geração de mulheres parar de bater? Quem irá preencher o vazio daquilo que as mulheres estão fazendo hoje para nutrir a família de Deus?

É nesse contexto que eu penso sobre o “mais”, como diz o Papa Francisco quando falou que deve haver “mais” para as mulheres na Igreja. Em vez de recomendações específicas, deixem-me apresentar cinco contextos onde convido à reflexão, discussão, imaginação renovada e a ações inteligentes.

Primeiro, precisamos transpor o engajamento das mulheres como líderes na Igreja, em que este não seja mais uma exceção e sim um hábito.

Embora as mulheres estão, cada vez mais, ocupando os ministérios e estruturas da Igreja, a prática não está generalizada ainda. Precisamos deixar de ser umas poucas pessoas, raras, exceções, para estarmos em um patamar onde a identificação, a avaliação e a nomeação se tornem a norma, sistematizada em processos e sustentada por comportamentos de liderança.

Segundo, precisamos perguntar se as mulheres estão envolvidas na (ou contratadas pela) Igreja como família, como convidadas ou como trabalhadoras temporárias.

Os membros de uma família pertencem a ela; os lugares deles não são ganhados; eles compõem o presente e moldam o futuro de suas famílias; suas vozes nos são familiares; e eles são o “nós”, para melhor ou para pior.

Os convidados vêm por convite, ficam por um período de tempo tolerável, apropriado; eles evitam conversas difíceis; mantêm as coisas num tom leve, não impõem um desconforto e ficam longe até serem convidados a retornar.

Os trabalhadores temporários atuam num momento de transição para se conseguir terminar um serviço; eles tendem a ter pouca presença e menos representatividade, poucos direitos, e provavelmente não subirão ou avançarão na escalada social.
Terceiro, precisamos superar o serviço “para” as mulheres. Precisamos nos mover em direção a um trabalho de defesa dos seus direitos.

A Igreja é única em sua contribuição para o bem-estar e desenvolvimento delas ao longo de séculos de ministérios. Esse aspecto, no entanto, faz surgir a necessidade de irmos além do serviço a elas, para chegar na questão sobre as raízes que causam o sofrimento feminino ao redor do mundo.

Por exemplo, enquanto elas representam a maioria dos 800 milhões de pequenos agricultores ao redor do planeta, muitos países não lhes concedem títulos de terra, impedindo elas de acessar empréstimos, sementes, ferramentas, treinamento, etc. Quando perdem os maridos, elas precisam lutar para não perder o seu meio de subsistência e sua casa.

A prática de casamento precoce cria o horror das fístulas, o que faz delas objetos de descarte social e físico. Na medida em que defendemos a santidade do matrimônio, devemos igualmente salvaguardar a abominação desta prática, que subjuga meninas antes da puberdade.

O tráfico de mulheres só é possível via legislações inadequadas – algumas ainda criminalizam as mulheres e não quem perpetra a venda delas –, via aplicação leniente da lei e processos escassos. Nos EUA, os debates em torno da diferença de salários entre os gêneros e a falta de licença-maternidade podem se beneficiar, também, da voz da Igreja.

Quarto, precisamos ver as vozes femininas como algo enriquecedor, não como ameaças.

Porque conversas mais amplas sobre a mulher na Igreja ficaram ofuscadas pela questão da ordenação ao sacerdócio, todos os tipos de barreiras, preconceitos e desconfiança deformam a acústica dos que estão a ouvir. Guardam-se estas conversas com a suspeita de haver um “nariz de camelo por debaixo da tenda”.

Consequentemente, quando as mulheres propõem, suplicam, defendem ou desafiam, uma certa suspeita condiciona a troca de ideias independentemente da natureza das sugestões feitas por agentes de pastoral, teólogas, evangelistas que têm o dom da proclamação, ou pela mãe que pede por papéis femininos para as suas filhas na Igreja.

Quinto, precisamos acolher o gênio feminino não somente em parte, mas no todo.

Quando a Igreja fala em “gênio feminino”, ela tende a destacar a sensibilidade, a intuição, a atenção delas para com os outros, o ministério destinado ao bem-estar alheio, a consideração que elas possuem, a humildade delas, a lealdade, a entrega.

Mas e quanto à parte delas que são ativistas sociais, críticas como Dorothy Day? Mulheres que têm um passado escandaloso como Dorothy Day, Maria Madalena ou a mulher do poço? Mulheres empreendedoras, ousadas, persistentes, teimosas e, às vezes, desafiadoras, como muitas das que fundaram e sustentaram congregações religiosas? Ou aquelas que empreenderam obras espirituais de misericórdia como Catarina de Siena, quando escreveu cartas de advertências para líderes eclesiásticos e políticos?

Será que a Igreja consegue abrir espaços, celebrar e incentivar esta parte do gênio feminino?

Para terminar, também quero trazer dois pensamentos que podem servir de alerta.

Na medida em que buscamos por “mais”, espero que não nos amarremos a títulos e honrarias; que não caiamos na equivalência daquilo que o Papa Francisco diz por “atração pelo clericalismo e carreirismo”.

Segundo, não devemos somente alvejar nomeações no Vaticano, portanto associando erroneamente “a Igreja” com a Cúria Romana. E que trabalhemos em graça nesta busca por servir, unir e dar glória a Deus.

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