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28 Março 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus segundo João 20,1-9 que corresponde ao Domingo de Ressurreição, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

A fé em Jesus, ressuscitado pelo Pai, não brotou de forma natural e espontânea no coração dos discípulos. Antes de encontrar-se com Ele, cheio de vida, os evangelistas falam da sua desorientação, da sua busca em torno do sepulcro, as suas interrogações e incertezas.

Maria de Mágdala é o melhor protótipo do que acontece provavelmente a todos. Segundo o relato de João, procura o crucificado no meio das trevas, «quando ainda estava escuro». Como é natural, procura-O «no sepulcro». Todavia não sabe que a morte foi vencida. Por isso, o vazio do sepulcro deixa-a desconcertada. Sem Jesus, sente-se perdida.

Os outros evangelistas recolhem outra tradição que descreve a procura de todo o grupo de mulheres. Não podem esquecer o Mestre que as acolheu como discípulas: o seu amor leva-as ao sepulcro. Não encontram Jesus ali, mas escutam a mensagem que lhes indica para onde devem orientar a sua busca: “Por que procurais entre os mortos aquele que vive?” “Não está aqui. Ressuscitou.”

A fé em Cristo ressuscitado não nasce tampouco hoje em nós de forma espontânea, apenas porque o escutamos desde crianças de catequistas e pregadores. Para nos abrirmos à fé na ressurreição de Jesus, temos que fazer o nosso próprio percurso. É decisivo não esquecer Jesus, amá-lo com paixão e procurá-lo com todas nossas forças, mas não no mundo dos mortos. Ao que vive há que procurá-lo onde há vida.

Se quisermos encontrar-nos com Cristo ressuscitado, cheio de vida e de força criadora, temos que procurá-lo não numa religião morta, reduzida ao cumprimento e à observância externa de leis e normas, mas ali onde se vive segundo o Espírito de Jesus, acolhido com fé, com amor e com responsabilidade pelos seus seguidores.

Temos que procurá-lo, não entre os cristãos divididos e confrontando-se em lutas estéreis, ocas de amor a Jesus e de paixão pelo Evangelho, mas ali onde vamos construindo comunidades que colocam Cristo no seu centro, porque sabem que «onde estão reunidos dois ou três em seu nome, ali está Ele».

Ao que vive não o encontraremos numa fé estagnada e rotineira, gasta por todo tipo de tópicos e fórmulas vazias de experiência, mas procurando uma qualidade nova na nossa relação com Ele e na nossa identificação com o seu projeto. Um Jesus apagado e inerte, que não apaixona nem seduz, que não toca os corações nem contagia a sua liberdade, é um «Jesus morto». Não é um Cristo vivo, ressuscitado pelo Pai. Não é o que vive e faz viver.

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