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10 Fevereiro 2016

É preciso reconhecer que o pensamento econômico crítico encontra uma crescente expressão no mundo católico, e não tanto no secular ou de esquerda. Respira-se um certo ar de liberdade e de anticonformismo em parte desse mundo, do qual, talvez, a última encíclica papal constitui o resultado mais do que o estímulo.

A reportagem é de Marco Bertarello, publicada no jornal Il Manifesto, 02-02-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nesse âmbito, tenta-se inovar e romper com esquemas dominantes, talvez sem acertar sempre o objetivo, mas dando, além disso, a medida das dificuldades para conter profundamente o atual capitalismo total.

Nesse filão de crítica à economia, pode-se apreciar o trabalho do francês Gaël Giraud, Transizione ecologica (Ed. Emi, 288 páginas, prefácio de Mauro Magatti), um ex-operador financeiro que se tornou jesuíta.

O autor propõe uma "leitura necessariamente inclinada" para "se livrar do bezerro de ouro" feito por aquele mercado que se tornou a nova "divindade anônima" e escapar da "violência financeira", inventando modos inéditos de fazer sociedade, voltados a criar "novos laços sociais".

Segue-se uma polêmica em relação a mecanismos e instituições econômicas, como o Banco Central Europeu e o euro. O que é evidenciado é a conexão entre problemas econômicos e ambientais, propondo um grande plano financeiro extraordinário para a sobrevivência do próprio planeta. O ecossistema se salva mudando de sinal até mesmo as finanças.

Giraud propõe que o BCE imprima moeda para enfrentar os dilemas ecológicos em vez de satisfazer os brutais instintos do sistema financeiro. Propõe que se tire dos bancos o poder de governar a quantidade de moeda em circulação para devolvê-la a uma autoridade com um mandato democrático específico.

À utopia da sociedade dos proprietários substitui a da transição ecológica. Uma transição custosa, pois se trata de reindustrializar as nossas economias, regionalizar o comércio global, pôr fim à excessiva especialização agrícola. Reduzir o consumo de energia e, ao mesmo tempo, aumentar os custos para a salvação do planeta.

Por fim, Giraud tenta levantar a hipótese de uma pars costruens feita de commons que se inserem entre privado e público, pondo em evidência os desastres do primeiro e os limites do segundo. Aqui, o discurso se complica, os bens têm natureza diferente e necessitam de status diferentes com base no papel exclusivo ou rival, como para muitos bens privados, ou não rival e não exclusivo, como para os públicos.

Depois, existem bens híbridos, cuja fronteira entre público e privado se confunde. A própria moeda deveria passar de privada para comum, não respondendo mais à pura função de ativo em que os bancos a enquadraram, mas se tornando instituto apto à circulação ancorada na realidade, embora diferida no tempo.

O risco, ressalta o autor, é o de criar um mecanismo insustentável, em que a produção de riqueza e de dívida pública podem não corresponder à quantidade de moeda em circulação, criando as bases para uma quebra.

Portanto, é indicada uma estrada, mas não são resolvidos todos os problemas. Além disso, a abordagem sobre o comum é credível como perspectiva para escapar dos dilemas que surgiram no público, mas deve ser posto à prova em relação aos problemas que levanta. Que mercado deveria existir? E o que esfera pública deveria permanecer? Como poderia promover o comum?

Por fim, comum significa maior territorialidade e autogoverno, mas não pode ser removido o dado de que economia e ecologia precisam de uma dose de centralidade e planejamento para combinar eficazmente local e global, prosperidade e ambiente. Todos problemas em aberto. Ainda bem que há quem os levante.

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