A geopolítica do Papa jesuíta tem uma ideia fixa: reabraçar Pequim

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05 Fevereiro 2016

Enquanto o Padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, confirmava as indiscrições jornalísticas referentes a contatos sempre mais intensos entre Pequim e a Santa Sé, sobre a possibilidade de reatar as relações diplomáticas interrompidas desde 1951 (algo que vá bem além da, embora importante, permissão de sobrevoar o espaço aéreo chinês ao avião papal destinado a Seul), o Pontífice falava da China numa ampla entrevista concedida ao cotidiano online em língua inglesa, Ásia Times, com base em Hong Kong. Francisco Sisci declara não ter perguntado ao Papa nada que tenha a ver com as questões mais delicadas que ainda dividem Roma do país asiático, como, por exemplo, a presença de uma igreja oficial patriótica cujos bispos, formalmente, são nomeados pelo governo sem o prévio assenso papal.

Não obstante isso, as palavras de Bergoglio tornam claro o quanto a China seja considerada fundamental na ótica geopolítica do presente pontificado, que tem entre os seus expoentes de pico o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado e um dos melhores conhecedores da realidade oriental (trabalhou na “carta aos católicos chineses” firmada por Bento XVI, em 2007).

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada por Il Foglio, 03-02-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

“Para mim a China sempre foi um ponto de referência de grandeza”, diz desde logo Francisco, recordando a ação de outro jesuíta, Matteo Ricci, o qual “nos ensina que é necessário entrar em diálogo” com Pequim, “já que se trata de um acúmulo de sabedoria e de história. É uma terra abençoada por muitas coisas. E a igreja católica, entre cujos deveres está aquele de respeitar todas as civilizações, diante desta civilização, direi que ela tem o dever de respeitá-la com o R maiúsculo”.

Ante as perplexidades do velho mundo sobre uma abertura completa ao regime chinês, o Papa convida a “aceitar o desvio e correr o risco de balançar esta troca pela paz”. “O mundo ocidental, o mundo oriental e a China têm todos a capacidade de manter o equilíbrio da paz e a força de fazê-lo”, diz, acrescentando que é preciso apenas “encontrar o modo, sempre através do diálogo”, porque “não existe outra via”.

Diálogo que, todavia, não significa acabar com um compromisso, meia torta para ti e a outra metade para mim. É aquilo que aconteceu em Yalta e vimos os resultados. Não, diálogo significa: bem, chegamos a este ponto, posso estar e não estar de acordo, mas caminhamos juntos; e é isto que significa construir. E a torta permanece inteira” porque “pertence a todos, é humanidade, cultura”. Cortá-la significa “dividir a humanidade e a cultura em pequenos pedaços”.

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