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14 Janeiro 2016

"As demandas das mulheres, Gays e negros não podem - sob pena de encurtarem seus horizontes - estar desvinculadas das lutas pela transformação social", escreve Gilberto Maringoni, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP)m em artigo publicado por Carta Maior, 13-01-2016.

Eis o artigo.

Uma das principais dificuldades nas disputas políticas é determinar aquilo que Mao Tsetung denominava de “contradição principal”.

Ou seja, em meio a um emaranhado de crises, injustiças, problemas, insuficiências, violências etc., é sempre necessário verificar os interesses maiores em jogo e o que está subordinado a uma contenda central. Isso não significa negar as especificidades, mas potencializá-las.

Desde que as lutas dos trabalhadores afloraram de forma mais escancarada e amadurecida, a partir de 1848 na França, as demandas de determinados segmentos entre os explorados procurou ser examinada, pela esquerda, dentro de um universo maior, o da exploração capitalista.

E desde lá – ou de antes– as lutas das mulheres, dos negros, contra a exploração do trabalho infantil etc etc. sempre foram enfrentadas no bojo de uma refrega mais universal.

Mulheres e negros - O próprio Dia Internacional da Mulher refere-se – como é amplamente conhecido – às lutas operárias a partir de 1857, nos EUA. A Revolução Russa – que consagrou de forma pioneira vários direitos femininos – começou com uma manifestação das mulheres na fábrica de tratores Putilov, na então Petrogrado. A greve de 1917, em São Paulo, também teve seu estopim na luta por creches.

No caso dos negros, o Brasil já tinha uma imprensa específica desde os anos 1850. O Partido Comunista Brasileiro foi o primeiro a apresentar um operário negro como candidato a presidente da República, em 1927. Era Minervino Oliveira, marmorista do Rio de Janeiro.

Mais recente - No caso dos homossexuais, pelo extremo preconceito social, as organizações surgiram muito mais recentemente e se difundiram a partir dos anos 1960.

Todas, absolutamente todas essas demandas não podem – sob pena de encurtarem seus horizontes – estar desvinculadas das lutas pela transformação social.

Já vi muitos militantes sérios do movimento negro exaltarem os ex-secretários de Estado Colin Powell e Condolezza Rice apenas por serem negros, abstraindo o fato ambos integrarem a equipe dos falcões do governo Bush. Claro que a nomeação de Rice e Powell representa mudanças no establishment estadunidense.

Mas é preciso ir devagar com o andor.

Patética, nessa senda, foi a exaltação recente da ministra e latifundiária Katia Abreu, como campeã do feminismo por jogar uma taça de vinho no senador José Serra.

Conquistas em Israel - Falo isso tudo para comentar as propaladas conquistas democráticas para os homossexuais na sociedade israelense, que suscitaram acalorados debates nos últimos dias.

É preciso ter em conta que um ganho específico não pode tirar de cena o contexto geral.

Vamos lembrar.

Os operários italianos e alemães, no final da década de 1930, obtiveram conquistas e confortos impensáveis em décadas anteriores e em comparação a outros países europeus. A melhoria em itens como estabilidade no emprego, assistência social, bons salários e moradia eram reais. Apesar disso, eram direitos assegurados apenas a italianos ou alemães, no âmbito social de uma crescente onda racista e de intolerância xenófoba.

As conquistas dos homossexuais em Israel estão quilômetros à frente da situação de outros países da região. Em alguns deles, vive-se uma realidade existente na Inglaterra até os anos 1960: ser gay é motivo de dura perseguição. Em alguns casos, de prisão e morte. É um atraso.

Os gays com direitos assegurados em Israel são os gays judeus. É um avanço. Mas gays árabes, palestinos e muçulmanos não têm vida fácil no país e nos territórios ocupados. Não por serem gays, mas por sua condição étnico-religiosa. Antes de serem homossexuais são diferentes.

São processos complexos, que precisam ser debatidos amplamente – e com cabeça fria - pela esquerda e por setores democráticos da sociedade brasileira.

O tema de segmentos específicos só se torna vitorioso quando sensibiliza amplamente a sociedade. Para isso, as demandas precisam ser abertas, generosas e solidárias.

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