Montini, Arrupe e o jovem Bergoglio: os discursos de Paulo VI aos jesuítas

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13 Janeiro 2016

Páginas autografadas, correções de última hora, notas às margens: os discursos dirigidos por Paulo VI à Companhia de Jesus, começando pela homilia pronunciada no dia 15 de novembro de 1966, foram publicados na íntegra integral no livro Paolo VI e i gesuiti [Paulo VI e os jesuítas] (Roma, Viverein, 2015, 83 páginas).

A reportagem é de Leonardo Sapienza, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 12-01-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Escrito pelo regente da Prefeitura da Casa Pontifícia – autor da introdução, do qual reproduzimos um trecho –, o volume, através dos documentos, reconstrói a estreita ligação entre Montini e o prepósito geral, Pedro Arrupe, e a grande atenção dada pelo pontífice à vida e às transformações da Societas Iesu.

Enriquecem a obra a carta autografada escrita no dia 27 de setembro de 1978 por João Paulo I a Arrupe e o texto do discurso previsto aos procuradores jesuítas para a audiência que não foi realizada por causa da morte repentina de Luciani. No início do livro, há também um texto autografado do Papa Francisco, em que se lê: "Devemos ser gratos a Paulo VI que amou tanto, fez tanto, rezou tanto, sofreu tanto pela Companhia de Jesus".

No dia 3 de dezembro de 1974, Paulo VI recebeu em audiência os 237 participantes da Congregação Geral provenientes de todo o mundo. Quinze páginas datilografadas contêm uma longa alocução em latim, que dura exatamente uma hora e nove minutos! Todo o discurso é dominado visivelmente por uma preocupação de fundo, que é a mesma manifestada pela maioria dos jesuítas: "A preocupação com uma sadia, equilibrada e justa atualização na fidelidade substancial à fisionomia específica da Companhia".

Sobre esse discurso, uma testemunha da época conta: "Eu me lembro desse discurso (…) Lembro também que Paulo VI estava entristecido e preocupado com a linha que a Companhia de Jesus tinha tomado não por iniciativa do Padre Arrupe, mas que o Padre Arrupe, de fato, permitia. Paulo VI zelava muito por aquele discurso. Mas não foi ele que o escreveu. Ele pediu um projeto ao padre Paolo Dezza (que também era o seu confessor) e ao qual, pessoalmente, havia expressado algumas ideias que desejava dizer. Paulo VI acolheu toda a substância do projeto de discurso escrito pelo Padre Dezza: o conteúdo correspondia perfeitamente ao pensamento do papa. Paulo VI fez apenas alguns retoques de estilo. Embora não tenha sido escrito de seu punho, é um discurso com o qual Paulo VI compartilhava cada palavra. Certamente, ele também deve tê-lo pronunciado com paixão, porque se tratava de um problema que ele trazia no coração. Quem escutou tal discurso pela voz do papa deve ter tido a impressão de que se tratava de coisas pessoalmente muito sentidas. E era a verdade".

Entre os ouvintes, estava também um jovem padre Jorge Bergoglio, que, com apenas 36 anos, no dia 31 de julho daquele ano, havia sido nomeado Superior Provincial. Tendo-se tornado papa com o nome de Francisco, é assim que ele lembra a sua experiência: "Naquela situação, o Padre Carlo Maria Martini foi um homem de diálogo, de mediação, e serviu de ponte entre a Companhia e o papa. Paulo VI, quando nos recebeu em audiência, fez um discurso memorável, uma obra-prima (…) Enquanto estávamos preocupados com as disputas internas, ele nos escancarou os horizontes da nossa missão...".

Com efeito, como lembra uma testemunha dos fatos, "aquela Congregação Geral da Companhia de Jesus, desde o primeiro dia, designou o Padre Carlo Maria Martini para manter a Santa Sé oficialmente informada sobre o desenvolvimento dos trabalhos...".

O Padre Martini se dirigia regularmente ao encontro do Sostituto Dom Benelli, e este, depois, informava o papa. No fim da Congregação Geral, o Padre Arrupe podia afirmar: "Podemos dizer que a Companhia sai desta Congregação Geral mais consciente dos seus limites e das necessidades do mundo e da Igreja, inflamada pelo desejo de unidade, mais obediente, mais sacerdotal, com uma visão mais real do apostolado; enfim, mais disposta a escutar a voz de Cristo e a obedecer, quer ela provenha diretamente d'Ele, quer ela se manifeste por meio da obediência, quer ela seja comunicada indiretamente, isto é, através da família humana que sofre aflições e espera a salvação e a libertação que não poderá encontrar senão em Cristo".

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