O Sínodo sobre a Bíblia em busca de um meio-termo. Artigo de John Allen Jr.

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19 Outubro 2008

Como o Sínodo dos Bispos sobre a Bíblia, entre os dias 05 e 26 de outubro, se encaminha para a sua fase de “encheção de lingüiça”, trabalhando em proposições que serão submetidas ao papa para uma mensagem de conclusão para o mundo, já parece possível antecipar diversas de suas conclusões, pelo menos em um grau razoavelmente alto de aumento.

A análise é de John Allen Jr., do National Catholic Reporter, 17-10-2008 . A tradução é de MoisésSbardelotto.

Pode-se dizer que o sínodo, dedicado ao à “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, está tentando caminhar num curso médio entre dois extremos: o fundamentalismo bíblico e o ceticismo secular. O cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, contou ao NCR, na quinta-feira, que ele considera esses aparentes opostos, em certo sentido, em simbiose: quando fundamentalistas fazem pedidos sobre a Bíblia que não podem ser reconciliados com a razão, disse, isso alimenta o ceticismo sobre a Bíblia na cultura em geral.

O objetivo do sínodo poderia ser expresso, entretanto, como um despertar de uma paixão renovada pela escritura, enquanto, simultaneamente, encoraja os católicos a ler a Bíblia dentro da tradição viva da igreja – aí, ou mais ou menos por aí, a teoria anda, sustentando fé e razão juntas.

Darei um rápido resumo dos encontros até agora, primeiro olhando áreas de consenso geral e, depois, três tensões que, a seu tempo, permanecem não resolvidas.

Consenso geral

De muitas maneiras, o que é mais notável nesse sínodo é o consenso amplo na maioria dos pontos em geral, o que permitiu a discussão para, rapidamente, passar para o mundo da pastoral e da prática. As idéias a seguir foram repetidamente afirmadas no sínodo, virtualmente sem dissenso:

  • A “Palavra de Deus”, no entendimento católico, é mais ampla do que os textos escritos da escritura. Ela se refere principalmente a uma pessoa, Jesus Cristo, por isso é teologicamente incorreto descrever a cristandade (pelo menos na sua forma católica) como uma “religião do livro”.
  • A escritura deve ser lida no contexto da igreja, isto é, sua tradição, ensinamentos e culto doutrinais. Dentre outras coisas, esse ponto implica em um maior acento na relação entre a Bíblia e a liturgia, especialmente a Missa.
  • A Bíblia não é simplesmente uma parte da literatura antiga, e por isso não pode ser interpretada exclusivamente por meio das lentes da história e da crítica literária. A interpretação bíblica deve ir mais a fundo, rumo a uma “exegese teológica”, que relacione estudo especializado da Bíblia e a fé viva da igreja e os desafios pessoais de pessoas reais.
  • A Bíblia é uma ponte natural para melhores relações com outros cristãos e com os judeus, já que ela representa uma “casa comum” compartilhada, apesar das óbvias diferenças na interpretação.
  • A Igreja é obrigada não apenas a proclamar a Palavra de Deus, mas também a escutá-la. Esse é um desafio especial, diversos oradores indicaram, em um mundo em que o escutar é freqüentemente uma arte perdida.

Vários pontos práticos estiveram sob tensão tão freqüentemente que eles também são apostas seguras a estar entre as proposições finais: a necessidade de melhores homilias; uma prática mais ampla da LectioDivina, isto é, o uso da Bíblia na oração; a necessidade de se traduzir a Bíblia, tornando-a disponível em todas as línguas, especialmente em áreas isoladas do mundo em desenvolvimento onde não há edição na língua local – ou onde a língua local é ainda inteiramente oral.

Tensões

1. Ministros leigos da Palavra

Um ponto imprevisto que esteve cozinhando em fogo lento no sínodo, sem nunca ter estourado realmente no debate aberto, se refere à crescente prática de liturgias da Palavra, lideradas em grande parte por leigos, em várias partes do mundo – especialmente em regiões do mundo em desenvolvimento, onde a escassez de padres é muito aguda. Na quinta-feira, o bispo Luis Tagle da diocese de Imus, nas Filipinas, disse que esse assunto fez “as pessoas hesitarem” no sínodo.

A precaução é tanto teológica quanto prática. Teologicamente, se se supõe que a Eucaristia deve ser “a fonte e o auge” da vida cristã, ninguém quer se render à idéia de que ela não estaria regularmente disponível para uma crescente fileira da população católica. Praticamente, alguns bispos temem que a promoção muito agressiva de ministros leigos poderia, na realidade, aumentar o problema ao desencorajar alguns rapazes jovens de buscar o sacerdócio.

Por outro lado, o problema mais grave é que, em algumas regiões, muitos católicos não teriam nenhum contato com a igreja, pelo menos em uma base regular, se não fossem as liturgias da Palavra. A realidade é que, em alguns lugares, um padre é visto agora como tradicionalmente sempre se viu um bispo: uma figura de autoridade e um importante ponto de referência, mas não alguém que se espere para ver a cada domingo. Nesse sentido, disse Tagle, a questão real é provavelmente como melhor formar e treinar ministros leigos para que possam ajudar as pessoas a ver as liturgias da Palavra como uma preparação para a Eucaristia, “quando ela for disponível”.

Um bispo ocidental contou à NCR nesta semana que a discussão no sínodo sobre os ministros leigos da Palavra tem sido um “substituto” para os debates sobre o viri probati, ou seja, a ordenação de homens casados ao sacerdócio católico. Se é assim, isso poderia ajudar a explicar por que o sínodo não está tão certo do que dizer.

2. O método histórico-crítico

Se tudo o que importasse nesse ponto fossem generalizações, não haveria problema. Algumas fórmulas como a seguinte poderiam comandar quase um irresistível consentimento: o método histórico-crítica é valioso, mas não é o bastante. Ele precisa ser integrado à reflexão teológica mais ampla da Igreja, o que implica que os teólogos e exegetas trabalhem e se dêem bem.

O diabo, entretanto, está nos detalhes. No sínodo, alguns imprimem claramente um tom mais positivo com relação ao estudo acadêmico da Bíblia, usando as ferramentas essencialmente seculares da pesquisa histórica e da crítica literária, dentre outras. Levada caracterizou o contraste: “Alguns criticaram o método histórico-crítico, baseados em que é difícil superar as suposições filosóficas que formam a sua base para muitos dos seguidores originais do método”, disse. “Outros o vêem como uma ferramenta útil para chegar a uma melhor compreensão do sentido literal e histórico da escritura”.

Em sua fala solitária ao sínodo até agora, o Papa Bento XVI tocou precisamente nesse ponto, argumentando essencialmente que os estudiosos que usam o método histórico-crítico devem tomar a fé da igreja como o seu ponto de partida.

Nesse ponto, dois desafios se apresentam.

Primeiro, o balanço apropriado deve ser impresso nos documentos conclusivos do sínodo. Se há muita crítica aos exegetas e ao método histórico-crítica, os estudiosos bíblicos católicos podem se sentir sob ataque, ou que o relógio está girando ao contrário em ferramentas que eles agora assumem como dadas. Se a linguagem é muito suave, entretanto, então o desejo claro por uma leitura mais “teológica” da escritura poderia se perder no meio do palheiro.

Segundo, há a questão prática de como, exatamente, colocar os teólogos e os exegetas em uma conversa mais profunda, especialmente dada a natureza hiper-compartimentalizada da vida acadêmica nos dias de hoje. Esse pode ser o ponto sobre o qual há muito drama – irá o sínodo se restringir a um fervorino sobre a relação entre a exegese e a teologia, simplesmente ecoando os pontos básicos apresentados pelo PapaBento XVI na terça-feira, ou ele irá realmente oferecer sugestões concretas para fomentar elos mais próximos entre os especialistas bíblicos, os teólogos e os pastores?

O padre da ilha filipina de Basilian, Thomas Rosica, um canadense que está lidando com comunicados de imprensa do sínodo em inglês e que é também um estudioso bíblico, ofereceu uma metáfora memorável daquilo que está em jogo.

“Muitos de nós foram treinados como cirurgiões”, disse, na quinta-feira, querendo dizer que os exegetas aprendem a fazer cortes muito precisos no texto bíblico – determinando qual é o sentido exato de uma dada forma verbal, ou detalhando os contextos sociais das comunidades de João e de Lucas.

“O que esquecemos às vezes é que estamos operando com um corpo vivo, não com um cadáver”, disse Rosica. “Espera-se que sejamos cirurgiões cardíacos, não médicos-legistas. O sucesso é definido se o corpo sobrevive à cirurgia”.

3. Infalibilidade da Bíblia

Alguns bispos, como o cardeal George Pell, de Sydney, Austrália, lançou a idéia de que a Congregação para a Doutrina da Fé produza um documento sobre a infalibilidade da Bíblia, no sentido de resolver o que tem sido uma questão em aberto desde o Concílio Vaticano II (1962-65) e seu documento sobre a revelação divina, Dei Verbum.

Esse ponto se torna rapidamente técnico, mas, na essência, eis aqui o que está em jogo: quanto da Bíblia é “inspirado” e livre de erros? É apenas o que se poderia chamar do conteúdo “teológico” da Bíblia, isto é, aquilo que ela ensina sobre a salvação? Ou toda a Bíblia é infalível, e por isso “verdadeira”, mesmo que isso não signifique necessariamente uma verdade literal ou factual?

O cardeal Francis George, de Chicago, amplamente visto como um dos pensadores líderes dos níveis mais superiores da igreja, disse em entrevista nesta semana que a segunda opção representa melhor “onde estamos hoje”, mas reconhece que a questão não foi resolvida.

Há uma espécie de dinâmica Cila1 e Caríbdis2 inerente a esse debate. Contorce-se muito ao dizer que só as partes teológicas da Bíblia são inspiradas, e pode parecer que a igreja está flertando com o ceticismo. Vai muito longe ao dizer que a infalibilidade se aplica a cada vírgula do texto, e pode acabar em um tipo de fundamentalismo católico.

Independentemente de qual visão se tome, também há a questão concreta sobre se agora é o momento certo de o Vaticano dizer alguma coisa. Mesmo que essa seja uma visão razoavelmente cínica das coisas, é freqüente o caso de pessoas que clamam por uma declaração do Vaticano quando eles pensam que irão receber a resposta que querem. Por outra parte, tendem a sugerir que ainda não é “oportuno” publicar um documento.

Será, por isso, fascinante assistir como exatamente o sínodo irá expressar suas recomendações – ele deverá escolher uma só – sobre esse ponto.

* * * * * * * * * *

Nesta semana, entrevistei quatro bispos que representam os Estados Unidos no sínodo: os cardeais Francis George, de Chicago, e Daniel DiNardo, de Houston, o arcebispo Donald Wuerl, de Washington, e o bispo Gerald Kicanas, de Tucson. George e Kicanas são o presidente e vice-presidente, respectivamente, da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.

Também tive a chance de falar com o cardeal William Levada, um norte-americano que atua como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (o posto que o papa assumia antes de sua eleição), assim como demais bispos de outras partes do mundo, incluindo o cardeal George Pell, de Sydney, Austrália, e o arcebispo John Onaiyekan, de Abuja, Nigéria.

Com os norte-americanos, nossas conversas não foram apenas sobre o sínodo, mas também sobre uma ampla variedade de outros assuntos. Dada a proximidade das eleições, inevitavelmente o tópico da igreja e da política, especialmente os debates sobre o aborto, foram parte de toda a mistura.

O que segue é um exemplo dos pontos interessantes sobre outros assuntos que surgem das entrevistas.

A infalibilidade da Bíblia

Levada: “Uma das coisas sobre a infalibilidade é que ela também tem uma dimensão pastoral. Não é simplesmente uma questão doutrinal. À luz da ampla extensão de leituras – a exegese e a crítica liberais, você pode também chamá-las de modernistas, da escritura contra as idéias fundamentalistas sobre a infalibilidade da Bíblia –, acho que há um valor apologético em algumas tentativas de clarificar essa questão. O que eu poderia chamar de visão de um literalismo acrítico é o tipo de visão que os ateus modernos e agressivos sustentam como a base da sua crítica. Como pode haver um Deus, se isso é o que ele está falando, o que ele está revelando? Eles olham isso como uma espécie de prova negativa... O ensinamento da Bíblia é um ensinamento sobre o que Deus quer que saibamos para a nossa salvação. Como esse ensinamento é proposto, com toda a sua vestidura humana e, por vezes, sua linguagem atraente – o que se pode chamar de seus defeitos – não desvia, acho, do ponto central.”

Perdas católicas aos evangélicos

DiNardo: “Eu acho que se eu tenho alguma crítica é a de que alguns evangélicos, além do seu interesse por conhecer Jesus Cristo, irão tirar vantagem sobre pessoas vindas, digamos, do México ou da AméricadoSul. Essas pessoas vêm a um lugar como Houston... você é novo, você é, freqüentemente, ilegal. Os evangélicos irão lhe oferecer alguma ajuda, alguma assistência, e claro que eu não tenho objeções quanto a isso. Então, eles lêem a Bíblia e irão lhe dizer que essa é a única forma de conhecer Jesus Cristo. Posso ainda acrescentar que eles não estão totalmente sem um pouco do sentido do pano de fundo. Nós temos igrejas em Houston que são evangélico-protestantes, e eles têm imagens de Nossa Senhora deGuadalupe! Um monte de pessoas são atraídas por eles, e talvez parte disso é nossa culpa. Nossa formação na fé, particularmente, talvez, na América Central e do Sul, não é tão desenvolvida quanto a deles. Então, eles pegam-nos... Eu não usaria a palavra “êxodo” no Texas. Eu deveria usar a palavra “vazamento”. Talvez tenhamos um grande vazamento em algumas áreas”.

Relações entre teólogos e estudiosos bíblicos

George: “O fato de que exista uma distinção, que às vezes se torna rachaduras, é muito claro. Eu ouvi uma professora de uma universidade católica dizer que ela só faz exegese. Às vezes, apóia a doutrina protestante, às vezes apóia a doutrina católica. Para ela, é uma disciplina totalmente independente, sem qualquer relação com o que qualquer igreja particular faça. Isso significa que as igrejas são, todas, em certo sentido, não-escriturais. Isso abstrai completamente o fato de que esses são livros escritos por pessoas de fé, para uma comunidade de fé, e devem ser lidos dentro de uma comunidade de fé. Em certo sentido, é um mau estudo das escrituras. Mas isso é considerado, em alguns círculos, como um estudo escritural de determinada profissão. Será muito difícil para nós, nos Estados Unidos, ir além disso imediatamente, porque nós o fazemos muito bem. Os alemães agora foram além, e os franceses nunca estiveram nisso da mesma forma. Nós somos o último posto desse tipo de pensamento. Nós só teremos que esperar um pouco, eu acho, para alcançar o resto da Igreja.”

Criacionismo e Design Inteligente

DiNardo: “Se o ‘design inteligente’ é usado como um argumento filosófico para falar sobre os fundamentos de como entendemos a ciência, não tenho nenhum problema com isso. Algumas pessoas estão usando-o como uma explicação científica em si mesma, mas ela realmente não é. É uma explicação filosófica tentando mostrar os pressupostos pelos quais podemos falar sobre o propósito ou providência divina no mundo. Eu acho que isso é muito bom, muito importante. O problema que eu vejo em ambos os lado – ambos com alguns daqueles que estão empurrando a agenda da evolução e o design inteligente – é que eles estão realmente discutindo filosofia, não estão discutindo ciência... A Bíblia nos diz o ‘porquê’ das coisas. A importância do Livro do Gênesis está no caráter ordenado da criação de Deus. De resto, a igreja católica é receptiva ao papel da razão, e a razão nos diz ‘como’ as coisas vão.”

A Bíblia na Cultura Popular

Wuerl: “Não estou certo de que daqui a dez anos O Código da Vinci estará determinando alguma coisa, mas Mateus, Marcos, Lucas e João ainda estarão nas mãos das pessoas. Mães e pais ainda estarão ajudando seus filhos a se acharem com a Bíblia. Hoje, ao redor do mundo, há mais pessoas familiarizadas com a história da morte de Jesus na cruz e sua ressurreição do que outra coisa. Isso não tem a mesma atração que achar uma pepita de ouro, mas eu acho que está capturando a imaginação das pessoas... Como tantas pessoas têm feito de tudo para seguir O Código da Vinci? Olhem essas pessoas que dão suas vidas a cada ano para seguir o evangelho. Eu estou morando no North American College, onde há mais estudantes neste ano do que desde os anos 60. Na arquidiocese de Washington, temos 72 homens estudando para o sacerdócio... Essas são pessoas para quem a mensagem do evangelho não apenas capturou sua imaginação, mas também os seus corações.”

Pregação de Leigos

Kicanas: “Eu acho que há oportunidades para os leigos pregarem, mesmo que não sejam momentos litúrgicos em termos de homilia na Missa. Há muitos momentos e lugares em que os leigos podem pregar, e eu acho que devemos procurar essas oportunidades e encorajá-los, porque os leigos têm, sim, coisas a dizer. Eu acho que a questão sobre a proibição dos leigos pregarem na Missa é mais em termos do papel presidencial particular do padre e a responsabilidade de ser aquele que parte a Palavra de Deus na liturgia durante a homilia. Eu acho que isso não vai mudar. Eu acho que o que pode ser mais desenvolvido e fomentado é achar formas extra-litúrgicas de encorajar a pregação dos leigos... Por exemplo, em encontros de vigília ou experiências devocionais. Esses não são momentos em que a pregação deve ser feita pelo padre. Eu acho que essas poderiam ser oportunidades para os leigos usarem seus dons. Pregar retiros ou dias de renovação, coisas como essas, são momentos formativos nas vidas das pessoas e oportunidades espirituais muito importantes. A pregação é feita por outros nesses ambientes e, acho, numa forma efetiva.”

O Legado de João Paulo II

George: “Eu acho que ele foi parte do Concílio Vaticano II e quis, acima de tudo, observar que os efeitos do concílio fossem parte da vida ordinária da igreja. Primeiramente, isso significava para ele que deveríamos compreender como a igreja é global. Ela sempre foi universal, mas agora é também global – uma “igreja mundial”, como Karl Rahner chamou-a no tempo do concílio. Para João Paulo, essa era a realidade viva. Ele organizou seu papado ao redor disso, ele ajudou trazendo para dentro dela os Dias Mundiais daJuventude, os sínodos dedicados aos continentes, a celebração do Grande Jubileu.. Seria muito, muito difícil agora que os católicos se retirassem a uma espécie de religião nacionalista. Essa foi a tentação no tempo do colapso das monarquias e durante o século XIX. Eu acho que ultrapassamos isso, e ultrapassamos antes que a grande maioria do mundo tivesse ultrapassado.”

Notas:

1. Cila ou Skylla é citada na Odisséia. Fugindo do amor de Glauco, um humano que as divindades aquáticas transformam em criatura do mar, Cila acaba sendo transformada por uma maga, a pedido de Glauco, em um monstro marinho aterrorizante com seis cabeças de serpente com três fileiras de dentes e um círculo de doze cães ladradores em volta da cintura.
Passou a guardar um lado do estreito de Messina, entre a Sicília e a Itália, onde tentava capturar os navegantes.

2. Caribdis era um monstro marinho, filho de Pontos e de Gaia. Era um deus protetor dos limites territoriais no mar. Ao tentar investir contra Héracles, Zeus lançou-o às profundezas do mar com um raio. Morava na caverna da figueira negra, em frente à caverna de Cila, a água do mar. Homero lhe chamava "a divina Caribdis". Três vezes por dia Caribdis sorvia o mar e três vezes por dia tornava a cuspi-lo. É também dito como um turbilhão criado por Posídon.

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